A inclusão financeira tem avançado no Norte e no Nordeste graças ao crescimento das cooperativas de crédito. O tema foi destaque no Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo, onde pesquisadores apresentaram um estudo mostrando que, nas cidades menores, essas instituições estão fazendo a diferença no acesso da população a serviços financeiros.
O levantamento analisou municípios com até 50 mil habitantes entre 2016 e 2022. A pergunta era simples: onde há cooperativa, a inclusão financeira é maior? Segundo os pesquisadores, sim. Nas cidades atendidas por cooperativas, mais pessoas passaram a ter acesso a contas, crédito e outros serviços essenciais para movimentar a economia local.
Os dados mostram que o impacto foi ainda mais forte na região Norte, especialmente a partir de 2017. Em 2018, por exemplo, o avanço foi significativo e superou o desempenho de municípios atendidos apenas por bancos tradicionais. No Nordeste, os resultados também foram positivos, com crescimento consistente no mesmo período.
Outro ponto importante é a mudança no mapa financeiro dessas regiões. O número de municípios atendidos exclusivamente por cooperativas praticamente dobrou no Norte e cresceu de forma expressiva no Nordeste. Ao mesmo tempo, diminuiu a quantidade de cidades com presença apenas de bancos.
No dia a dia, isso significa mais acesso ao crédito, mais oportunidades para pequenos empreendedores e mais autonomia para quem vive longe dos grandes centros. A inclusão financeira deixa de ser um conceito distante e passa a fazer parte da rotina de milhares de famílias.
Apesar da persistência de áreas com baixos níveis de inclusão em partes do Amazonas, do Pará e em municípios nordestinos, houve melhorias localizadas, como em trechos do Amazonas e da Bahia. Em alguns casos, a coexistência de cooperativas e bancos gerou impactos ainda maiores, embora com menor intensidade após 2020.
O estudo evidencia que o cooperativismo financeiro se consolida como instrumento relevante para políticas públicas de inclusão, planejamento territorial e cidadania financeira. Dados do Banco Central reforçam esse movimento: a presença das cooperativas passou de 23,3% para 30,2% nos municípios do Norte e de 10% para 12,5% no Nordeste entre 2017 e 2021. No mesmo período, os Postos de Atendimento Cooperativo cresceram 41,23%.
Os autores ressaltam, contudo, limitações como o recorte em municípios de pequeno porte e a menor disponibilidade de dados sobre digitalização. Ainda assim, defendem o monitoramento contínuo da atuação cooperativista e o fortalecimento de estratégias de educação financeira para ampliar os avanços observados.
Fonte – OCB
Edição – Coopnews
Foto – Divugação/OCB




