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Indigena é exemplo de superação em Tocantins

Creuza Krahô nasceu em 1971, na Aldeia Galheiro, no estado do Tocantins. A pequena indígena chegou ao mundo debaixo de um pé de jatobá conhecido na comunidade como “tehcré”, e ali mesmo deu início a sua história de vida cheia de lutas e desafios.

Menina, mulher, indígena, andarilha, ela percorreu vários caminhos em busca de uma vida melhor para si e sua comunidade que até hoje enfrenta dificuldades para ter voz e direitos. “Minha mãe fez muitos resguardos e toda hora eu queria mamar. Ela não dormia, passava o tempo todo cuidando de mim, queria me ver grande e forte. Força é algo que precisamos ter, pois até hoje estamos tentando escapar da mão que aperta nossos pulsos. Uma situação que nossos antepassados não vivenciaram”, ressalta Krahô, se referindo à necessidade de luta por espaço e conhecimento, para alcançar a liberdade.

Ela fez magistério indígena na Secretaria de Educação do Estado do Tocantins (Seduc). Com o apoio e incentivo do marido, estudou por mais cinco anos até concluir o curso de Licenciatura Intercultural na Universidade Federal de Goiás (UFG) e hoje é mestranda em Sustentabilidade Cultural, do Centro de Desenvolvimento Sustentável, da Universidade de Brasília (Unb).

“Nesse período eu deixava minhas duas filhas pequenas sozinhas com o pai. Deixá-las me dava muita dor no coração, era como ter uma corda me apertando o pescoço. Eu saia chorando, saia de perto delas e das pessoas para não perceberem que eu chorava”, recorda.

Ela estudou, venceu as barreiras, se qualificou, mas nunca abandonou a aldeia. Teve que manter o foco e a coragem, aprendendo com o sofrimento. Na maioria das vezes não tinha nem o dinheiro para se alimentar durante a viagem da aldeia para a cidade. Nunca se acostumou com o fato de ter que deixar as crianças, mas sabia que era preciso ter coragem.

“Para o meu povo, as mulheres jamais poderiam deixar sua família como eu fiz, se ausentar para estudar. Eu abracei o desafio com ânimo para aprender, mesmo sabendo que não seria fácil, pois não conheço muitas das palavras em português e ainda tem o espanhol. É muita pressão! Mas meu objetivo é ajudar minha família, a população, meu povo Krahô a ter uma vida melhor. É só nisso que penso”, ressalta.

Hoje aos 47 anos, Creuza mora com suas duas filhas no krin, conhecido como Aldeia Nova, no Maranhão, uma comunidade indígena com 180 habitantes onde tenta levar conhecimento para outras mulheres que são responsáveis pela alimentação de seu povo. Seu marido, agora falecido, foi seu maior incentivador e foi com esse espírito de superação e amor que ela alcançou mais uma conquista, o prêmio de primeiro lugar, na modalidade foto, no concurso #MulheresRurais, Mulheres com Direitos.

Concurso #MulheresRurais

O projeto traz como tema principal o papel das mulheres no desenvolvimento rural e no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os materiais inscritos abordaram assuntos como redução da pobreza rural, segurança alimentar e nutricional e infraestrutura, entre outros.

O objetivo é dar visibilidade ao empoderamento daquelas que trabalham no campo, nas águas e nas florestas. Premiando, através da iniciativa, relatos de agricultoras, extensionistas rurais e organizações rurais que atuam pela redução das desigualdades de gênero no meio onde vivem.

O resultado do concurso foi divulgado no dia 15 de setembro no site da campanha #MulheresRurais. Para saber mais sobre o concurso, as ganhadoras e premiações acesse.

 

Fonte – MDA

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