Manaus consolidou sua posição como a cidade brasileira com a maior expansão de áreas de comunidades urbanas, registrando um crescimento territorial de 2,6 vezes nas últimas quatro décadas. Com mais de um terço da população do Amazonas vivendo em ocupações irregulares, o estado lidera o ranking nacional de favelização, totalizando 1,3 milhão de pessoas nessa realidade. Diante deste cenário crítico, iniciativas de regularização fundiária ganham urgência para garantir infraestrutura e segurança jurídica a milhares de famílias que buscam o direito de chamar suas casas de “suas”.
As favelas em Manaus não são apenas manchas em um mapa de satélite; elas representam a face mais visível de um crescimento urbano acelerado e muitas vezes desordenado. De acordo com dados recentes do MapBiomas, a capital amazonense mantém a liderança nacional em extensão territorial de favelas desde 1985. Em 2024, a área urbanizada nessas comunidades atingiu a marca de 11,4 mil hectares, o que coloca a região metropolitana de Manaus como a segunda maior do país nesse quesito, ficando atrás apenas da gigantesca São Paulo. Esse fenômeno é tipicamente metropolitano, já que 82% de todas as áreas de favelas no Brasil estão concentradas em grandes centros urbanos.
O avanço geográfico é impressionante, mas os dados demográficos revelam o tamanho do desafio social. O Censo 2022 do IBGE aponta que o bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, abriga a quarta maior favela do Brasil em número de moradores, com mais de 55 mil pessoas. Ao lado de comunidades como São Lucas e Zumbi dos Palmares, essas áreas concentram a maior parte dos domicílios da capital. É nesse contexto que as favelas em Manaus deixam de ser estatística para ganhar nomes e rostos, como o de Alcilene Carvalho, moradora da Cidade de Deus há 21 anos. Ela faz parte de uma legião de brasileiros que construíram suas casas do zero e agora veem no título definitivo de propriedade a esperança de dias melhores.
A falta de documentação regular, somada à carência de infraestrutura básica e acessibilidade, cria barreiras invisíveis que excluem essas populações da cidadania plena. Para combater essa realidade, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) intensificou o projeto “Meu Pedaço de Chão”. Sob a coordenação do defensor público Thiago Rosas, a iniciativa busca mapear ocupações informais e oferecer assistência jurídica gratuita para processos de usucapião. O objetivo é claro: garantir que famílias em situação de vulnerabilidade tenham acesso não apenas ao papel que prova a posse do imóvel, mas também aos serviços urbanos essenciais que vêm com a regularização.
Em 2026, o alcance dessa justiça social está se expandindo. Além das ações voltadas para as favelas em Manaus, a Defensoria programou mutirões em municípios da região metropolitana e interior, como Iranduba, Manacapuru e Itacoatiara. Em Iranduba, histórias como a de Antônio Mariano se repetem: ele mudou-se da zona rural há três anos e hoje aguarda ansiosamente a documentação que comprove que sua casa é, de fato, sua. “Se a gente for procurar um advogado, o valor vai sair muito alto”, relata Antônio, destacando a importância da gratuidade do serviço para quem vive com o orçamento apertado.
O cenário das favelas em Manaus exige um olhar que vá além do estigma da ilegalidade. Como define o próprio IBGE, essas são áreas onde as políticas públicas e os investimentos foram insuficientes ou inadequados ao longo das décadas. Regularizar a moradia é, portanto, o primeiro passo para integrar essas comunidades à malha formal da cidade, permitindo que o crescimento territorial, que já dura quase 40 anos, seja acompanhado por dignidade humana e justiça social. O desafio é grande, mas a mobilização institucional e a resiliência dos moradores mostram que o caminho para transformar favelas em bairros com plenos direitos está sendo pavimentado.
Fonte – IBGE e MapBiomas
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
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