Um posicionamento técnico que defende o potencial do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (MFCF) para a Amazônia será apresentado durante um painel na AgriZone, assinado pelo IFT, CIFOR-ICRAF e Embrapa.
Belém, novembro – O papel do MFCF na conservação da Amazônia, na justiça climática e no desenvolvimento social e territorial será tema do painel Floresta é alimento, casa e saúde: Manejo Florestal Comunitário e Familiar para o Bem-Viver Amazônico, marcado para 19 de novembro, das 12h40 às 13h55, na AgriZone, espaço oficial da COP30 sediado na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém.
Aberto ao público, o painel propõe uma reflexão crítica e propositiva sobre os caminhos do MFCF na Amazônia brasileira e reunirá representantes de comunidades tradicionais, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e organizações da sociedade civil.
Durante o evento, organizado pelo CIFOR-ICRAF, Embrapa Amazônia Oriental, Instituto Floresta Tropical Johan Zweede (IFT) e com participação da Rede Mulher Florestal (RMF), será lançado um posicionamento técnico que reforça a importância e o potencial do MFCF para o futuro da floresta e das comunidades amazônicas.
“Vamos juntos discutir e fortalecer o manejo florestal comunitário e familiar como solução concreta para a conservação da sociobiodiversidade frente às mudanças climáticas, à degradação florestal e à injustiça social”, afirma Alison Castilho, Coordenador Pará do CIFOR-ICRAF Brasil.
As áreas de uso comunitário na Amazônia
Unidades de Conservação de Uso Sustentável (federais e estaduais), territórios quilombolas e assentamentos rurais (individuais e diferenciados) somam cerca de 37 milhões de hectares de florestas na Amazônia, área próxima ao dobro do tamanho do território da Noruega. Especialistas apontam esse mosaico como um grande potencial social, econômico e ambiental para ampliar o Manejo Florestal Comunitário e Familiar no Brasil.
O MFCF fortalece a gestão territorial e o uso sustentável dos recursos pelas próprias comunidades, gera renda local e ajuda a conter a degradação florestal e o desmatamento com benefícios climáticos e de conservação da biodiversidade.
Enquanto nas concessões florestais o Estado outorga a empresas o direito de explorar de forma sustentável florestas públicas, no uso comunitário (não onerosa), a gestão e as decisões sobre o território e seus recursos são conduzidas pelas comunidades e povos residentes.
Estratégia climática e social
Para Marco Lentini, secretário executivo do IFT, discutir o impacto do Manejo Florestal Comunitário e Familiar é urgente dada a relevância ambiental da agenda para o enfrentamento das mudanças climáticas. “É uma estratégia que permite a conservação e o uso sustentável dos recursos florestais, mantendo a biodiversidade e contribuindo para a regulação climática”, afirma.
“As boas práticas do manejo florestal sustentável assegura a conservação da biodiversidade, condição imprescindível à Saúde Única para esta e futuras gerações“, afirma Milton Kanashiro, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. “Saúde única é a interdependência da saúde humana, saúde animal, saúde das plantas e saúde ambiental” complementa o pesquisador.
O painel na AgriZone abordará os avanços, desafios e invisibilidades políticas enfrentadas por comunidades tradicionais e agricultores familiares que fazem da floresta sua morada e fonte de sustento. De acordo com Ana Luiza Violato Espada, esse debate reforça a urgência de ampliar o financiamento, a assistência técnica e o reconhecimento institucional desse modelo de uso da terra que alia conservação, justiça climática, equidade e desenvolvimento social e territorial.
Convidada do painel, Karolina Matos, liderança e manejadora comunitária da Reserva Extrativista (Resex) Arióca-Pruanã, vai tratar da integração socioambiental entre modos de vida locais, manejo florestal sustentável e políticas públicas – com foco na conservação das florestas, geração de renda e trabalho digno. “O manejo florestal comunitário e familiar é transformador de vidas. Aqui na nossa comunidade, na nossa Resex, muitas famílias que dependiam da comercialização de madeira ilegal hoje, com o nosso plano de manejo madeireiro, têm outra visão de mundo e de sustento: participam de todas as etapas da exploração, cumprindo a legislação e em conformidade com os órgãos ambientais. Vemos que a nossa Resex tem tudo a ver com isso – e não só ela, mas o planeta – porque desenvolver a comunidade de forma econômica e sustentável é exatamente o que o mundo precisa”, afirma.
Complementarmente, Milton Kanashiro traz o debate da Saúde Única, destacando a importância da conservação da biodiversidade no uso sustentável das florestas e do MFCF alertando sobre o papel das boas práticas e da biodiversidade e a interdependência entre saúde humana, animal e ecossistemas; Marco Lentini, com o tema políticas públicas, conservação e clima; e Ana Luiza Violato Espada, do Conselho Diretor da Rede Mulher Florestal, que vai abordar como o MFCF fortalece coletividade com participação de mulheres e governança participativa.
Chamado para a ação
O documento “Manejo Florestal Comunitário e Familiar para o Bem-Viver Amazônico e Climático”, que será lançado durante o painel da AgriZone, que acontece na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), posiciona o Manejo Florestal Comunitário e Familiar (MFCF) como uma estratégia central e indispensável para a agenda climática brasileira e o desenvolvimento da sociobioeconomia. Protagonizado por povos tradicionais, comunidades locais e famílias agricultoras, o MFCF é apresentado como uma solução concreta de mitigação e adaptação, contribuindo diretamente para reduzir a pressão sobre a floresta e combater o desmatamento, que é responsável por 46% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil.
O documento é um chamado para governos, setor privado e sociedade civil organizada a assumirem um compromisso histórico: ampliar o papel dos povos tradicionais, comunidades locais e famílias agricultoras como protagonistas da transição climática justa.
Fonte – Embrapa Amazônia Oriental
Foto – Arquivo IFT




