Ciência e Tecnologia

Março Azul reforça alerta sobre o câncer colorretal

Especialistas destacam que a doença também pode estar relacionada à microbiota intestinal e ao seu metaboloma, ampliando o debate sobre fatores de risco e cuidado.
Estudos indicam que probióticos podem colaborar durante ou após o tratamento do câncer colorretal, sempre com acompanhamento médico adequado.
A Campanha Março Azul chama atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer colorretal, um dos mais incidentes no país.

A Campanha Março Azul, realizada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Sociedade Brasileira de Coloproctologia e Federação Brasileira de Gastroenterologia, reforça o alerta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer colorretal. Também conhecido como câncer de intestino, esse tipo de tumor está entre os mais frequentes no mundo e exige atenção redobrada.

O movimento tem origem na campanha internacional National Colorectal Cancer Awareness Month, criada nos Estados Unidos no início dos anos 2000 com foco na prevenção e no diagnóstico precoce. Quando identificado nas fases iniciais, o câncer colorretal tem altas chances de cura. No Brasil, a estimativa mais recente do INCA aponta para 53.810 novos casos por ano no triênio 2026-2028, o que reforça a relevância da Campanha Março Azul.

Neste ano, o tema da Campanha é “Jornada da Vida”, com mobilização voltada a homens e mulheres entre 45 e 70 anos. A proposta é ampliar a detecção precoce e estimular cuidados simples, como a realização do teste FIT, exame que identifica sangue oculto nas fezes. Já a colonoscopia segue como padrão-ouro na identificação do câncer colorretal, por permitir a visualização detalhada do intestino e a detecção precoce de lesões.

Estudos recentes também ampliam o debate sobre fatores de risco. Pesquisadores japoneses revisaram evidências científicas sobre a relação entre microbiota intestinal e câncer colorretal. Segundo os cientistas, além de fatores genéticos e ambientais, como dieta, tabagismo e alterações no DNA, a microbiota intestinal também pode estar associada ao desenvolvimento da doença.

No campo científico, o artigo “Probiotics and cancer” destaca que probióticos podem contribuir para a saúde intestinal e para o fortalecimento do sistema imunológico. A revisão reúne informações sobre os benefícios e as limitações do uso dessas substâncias em pacientes com câncer, ampliando a discussão proposta pela Campanha Março Azul sobre prevenção, cuidado e informação qualificada.

Segundo os autores da revisão, os estudos já desenvolvidos mostram, por exemplo, que os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) produzidos pelas bactérias intestinais são a fonte de energia das células do cólon. Dessa forma, conseguem manter o ambiente ácido do intestino, inibindo a formação de altos níveis de ácidos biliares secundários e promovendo acidose e apoptose (morte celular programada) de células cancerígenas.

Ainda de acordo com esses cientistas, embora os AGCC sejam derivados da microbiota intestinal, devido a diferenças individuais, a quantidade produzida pode não ser suficiente para inibir o desenvolvimento do câncer colorretal. “Portanto, o consumo de probióticos pode ajudar a aumentar a produção diária de ácidos graxos de cadeia curta no intestino”, sinalizam.

Adjuvantes no tratamento

Em geral, a maioria dos casos de câncer de intestino é tratada com uma combinação de quimioterapia, cirurgia (colectomia), terapia direcionada a moléculas e imunoterapia. O tratamento mais prevalente, entretanto, é uma combinação de cirurgia e quimioterapia.

Embora seja uma terapia fundamental no tratamento, a quimioterapia pode trazer efeitos colaterais desconfortáveis que prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. “Estudos e dados clínicos mostram que a quimioterapia pode levar a complicações gastrointestinais como náuseas, refluxo ácido, dor abdominal, distensão abdominal, constipação e diarreia”, sinaliza a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil.

Um estudo desenvolvido na China avaliou os papéis potenciais do uso de probióticos no pós-operatório para atenuar as complicações gastrointestinais e da microbiota intestinal perturbada em pacientes com câncer colorretal submetidos à quimioterapia. Para o experimento, foram recrutados 100 pacientes tratados com cirurgia radical e que precisavam receber quimioterapia.

“Os resultados mostraram que a administração de probióticos poderia efetivamente reduzir as complicações gastrointestinais induzidas pela quimioterapia, particularmente na diarreia”, comenta a gerente da Yakult. Além disso, os autores do estudo mostraram que a quimioterapia reduziu os índices de diversidade bacteriana da microbiota intestinal em pacientes com CCR, o que poderia ser significativamente aumentado pela ingestão de probióticos.

No estudo ‘Probiotics in colorectal cancer prevention and therapy: mechanisms, benefits, and challenges’ (Probióticos na prevenção e terapia do câncer colorretal: mecanismos, benefícios e desafios), cientistas do Cazaquistão afirmam que os probióticos têm apresentado efeitos benéficos na saúde, como imunomodulação, atividade antioxidante, antagonismo contra espécies patogênicas, exclusão por adesão à barreira mucosa e produção de compostos antimicrobianos, como bacteriocinas.

“Ademais, os probióticos demonstraram exibir atividades anticarcinogênicas in vitro (laboratório) e in vivo (estudo com animais)”, relatam os autores. Além disso, também já foram demonstradas atividade anti-inflamatória e manutenção da barreira mucosa. Devido a essas qualidades funcionais ligadas direta ou indiretamente ao CCR, os cientistas acreditam que os probióticos poderiam ser uma terapia adjuvante adequada para o câncer colorretal.

De acordo com a gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil, Helena Sanae Kajikawa, o consumo de probióticos deve ser acompanhado pelo médico responsável pelo tratamento. Isso porque, apesar de auxiliarem na manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal, cada probiótico proporciona benefícios únicos e específicos da cepa. “Todos os estudos citados, assim como muitos outros, mostram que os probióticos possuem potencial para auxiliar no tratamento do câncer colorretal. Porém, é fundamental ressaltar que qualquer intervenção deve ser feita apenas com orientação e prescrição médica”, acentua.

 

 

Fonte – Ascom Yakult

Edição – Coopnews

Foto -Divulgação/Yakult

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