Ciência e Tecnologia

Mudanças climáticas elevam riscos e colocam a rentabilidade do campo em alerta

As mudanças climáticas estão transformando o dia a dia no campo. Oscilações de temperatura, chuvas irregulares e gastos extras com replantio ameaçam o calendário agrícola e reduzem os lucros das safras.
Estudos apontam que o Brasil pode perder até 18% do PIB até 2050 se não agir contra os efeitos do clima — um alerta que reforça a urgência de adaptação e sustentabilidade no agronegócio.
Para enfrentar esse cenário, o crédito estruturado tem se mostrado um importante aliado, oferecendo fôlego financeiro ao produtor diante das instabilidades climáticas.

Segundo Victor Lemos Cardoso, head comercial da Agree, os produtores que se antecipam aos desafios do campo têm mais chances de manter bons resultados. Ele explica que o crédito estruturado dá fôlego para o produtor equilibrar o fluxo de caixa em momentos de instabilidade, enquanto o seguro agrícola atua como uma proteção essencial contra perdas inevitáveis. “São ferramentas que ajudam o produtor a atravessar períodos difíceis sem colocar em risco a continuidade da produção”, destaca.

Estudos recentes reforçam a urgência desse cuidado no campo. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), publicada na revista Nature Communications, apontou que o desmatamento da Amazônia é responsável por 74,5% da redução de chuvas e por 16,5% do aumento da temperatura nos meses de seca. O impacto chega também às finanças. “A irregularidade das chuvas pode exigir replantio, elevar custos com insumos e atrasar o ciclo produtivo. É nesse momento que o planejamento e o crédito estruturado fazem diferença”, explica Cardoso.

Outro levantamento, da Embrapa, indica que até culturas sensíveis como a alface podem se tornar inviáveis em campo aberto nas próximas décadas. As sementes exigem temperaturas abaixo de 22°C para germinar, e as projeções indicam, no cenário mais pessimista, elevação de até 4,3°C até o final do século. Para Cardoso, dados como esses mostram que os impactos climáticos já estão sendo sentidos no campo. “Não são apenas as grandes commodities que sofrem, mas também alimentos do dia a dia. O produtor precisa considerar esses cenários na hora de organizar seu caixa e desenvolver estratégias”, comenta.

No âmbito econômico, a preocupação também é global. Um estudo do Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Universidade de Cambridge, estima que o Brasil pode perder até 18% do PIB até 2050 em decorrência da inação climática. A América Latina, na totalidade, teria retração de 14%. “Essas projeções evidenciam que o desafio climático ultrapassa a esfera ambiental e se torna também um risco econômico, capaz de afetar diretamente a produtividade, a competitividade e a renda do setor agropecuário”, finaliza Cardoso.

 

 

Fonte: Ovosite

Foto – Sindsegsp

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