O cenário das franquias foi de aumento das vendas e lucro com aporte em inovação

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Do desenvolvimento de novos produtos e sistemas de gestão até o uso de tecnologias como realidade virtual e internet das coisas, a inovação está cada vez mais presente no dia a dia das franquias. O movimento é hoje um dos pilares do crescimento do franchising, contribuindo inclusive na melhoria da rentabilidade das marcas.

O cenário fica evidente em estudo recente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que mostra que mais de 91% das franqueadoras investiram em novos produtos e serviços no período de 2014 a 2017. Além disso, outras 86% afirmam que introduziram inovações em termos de equipamentos e softwares e 90% na técnica de gestão.

“A maioria das redes implantou alguma inovação significativa para o mercado nos últimos anos. Mesmo durante a crise, as franquias mostraram uma alta disposição para investir”, resume o assessor econômico da Confederação Nacional dos Serviços (CNS), Fernando Garcia Freitas. A entidade foi responsável, em parceria com a ABF, pelo levantamento “Inovação nas Franquias Brasileiras”, divulgado no início deste mês.

Um exemplo que ilustra bem a disposição das empresas do setor para inovar é o da Odontoclinic, rede de clínicas odontológicas. Em 2016, a marca criou um centro de inovações dentro da companhia, para trabalhar no desenvolvimento de produtos, serviços e novas tecnologias para ajudar na gestão do negócio.

De acordo com o CEO da companhia, Carlos Leão, a divisão já conta com 12 funcionários dedicados exclusivamente à função, divididos em duas verticais. “Temos duas frentes na área, uma voltada para desenvolvimento e melhoria do nosso software de gestão e outra para a criação de novos produtos”, diz.

A segunda vertente foi responsável, ainda em meados de 2016, pelo desenvolvimento de uma nova solução de ortodontia digital, que basicamente tornou mais rápido o processo de planejamento e posicionamento do aparelho de ortodontia.

Leão diz que a nova ferramenta permitiu diminuir a duração do processo de quatro para apenas uma sessão, com uma redução de 25% do tempo médio do tratamento. “Escaneamos a boca do paciente com uma espécie de caneta e em oito minutos temos a imagem 3D. Em seguida, um software recebe a fotografia e desenvolve o processo que o cliente terá que seguir para chegar no resultado”, explica.

A aposta tem rendido frutos. Só no ano passado, quatro mil tratamentos do tipo foram vendidos, contribuindo de forma decisiva para o aumento do faturamento – que cresceu 16%, na comparação com 2016. Os ganhos com a inovação não se deram apenas nas vendas da rede, mas também na rentabilidade. O novo produto, somado ao investimento na melhoria do sistema de gestão da empresa, contribuiu para um crescimento de mais de 5% na margem de lucro.

O aumento da rentabilidade é justamente um dos principais resultados obtidos pelas redes de franquias com o investimento na inovação, segundo o estudo da ABF. Mais de 43% dos entrevistados concordaram plenamente com a afirmação de que a inovação gerou um aumento da rentabilidade, enquanto outros 41,8% disseram concordar parcialmente. O investimento gerou ainda, para 79,4% das franquias, a ampliação da participação de mercado – um reflexo direto da alta no faturamento (veja no gráfico).

Novas tecnologias

Além da criação de novos produtos e da melhoria nos sistemas de gestão, as franquias têm investido também no uso de tecnologias inovadoras, como a realidade virtual (VR) e a internet das coisas. A iGUi, franquia de venda de piscinas, é um bom exemplo. Há cerca de dez meses a rede começou a trabalhar com óculos de realidade virtual no processo de venda, o que vem contribuindo no desempenho.

“Fotografamos o ambiente da casa do cliente e trazemos as imagens para o escritório. Desenvolvemos digitalmente a piscina dentro daquele espaço para que o consumidor consiga enxergar, com os óculos de realidade virtual, como a piscina ficaria na casa dele”, explica o fundador da iGUi, Filipe Sisson. O empresário acrescenta que a rede fornece o serviço de forma gratuita e que a solução tem contribuído muito nas vendas.

O investimento faz parte de um projeto maior da rede com foco na inovação em todos as áreas da companhia. A principal, no entanto, é a de desenvolvimento de novos produtos. Uma das novidades mais importantes lançadas recentemente, de acordo com Sisson, foi o Eletronic System – sistema que conecta o filtro da piscina ao celular dos consumidores.

Na prática, a solução permiti que todas as funções da piscina (como filtragem, aquecimento e iluminação) sejam controladas por um aplicativo para smartphone. A funcionalidade seria um exemplo da chamada internet das coisas. “Além da piscina, o cliente pode automatizar mais cinco canais da casa, como o portão eletrônico ou o sistema de som ambiente”, completa o presidente da rede.

No caso da iGUi Piscinas, o investimento em inovação garantiu a manutenção do faturamento durante a crise. “O que posso dizer é que esse investimento nos ajudou a sobreviver na recessão. De 2012 até hoje o faturamento ficou praticamente estável, o que considerámos saudável dentro do contexto.”

A contribuição da inovação para o desempenho das empresas ocorreu em praticamente todo o setor, afirma o presidente da ABF, Altino Cristofoletti Júnior. Segundo o dirigente, não fosse a disposição das redes para investir em novidades, seja em produtos, softwares ou tecnologias, o setor teria sentindo muito mais os efeitos da crise. “Sem sombra de dúvidas, se não tivéssemos investido na revisão dos processos de gestão ou em novos formatos e produtos, os resultados seriam piores”, diz.

A Calçados Bibi, rede de lojas de sapatos infantis, é outra prova da importância de inovar para a sustentação do negócio. A empresa criou um “ninho de inovação” dentro da empresa, para discutir com os funcionários, franqueados e fornecedores formas de trazer novidades nos produtos e no operacional.

A iniciativa rendeu resultados expressivos, com o lançamento de quatro novas linhas de calçados nos últimos anos, e com aumento do faturamento e da margem de lucro. “Os lançamentos ajudaram a aumentar as vendas e as novas tecnologias contribuíram na redução de custos, aumentando a eficiência interna”, ressalta o presidente da Bibi, Marlin Kohlrausch.

Em termos de faturamento, a rede cresceu 12% nas lojas, 20% nas exportações e 6% no resultado global do grupo em 2017. Já em relação ao lucro, o empresário afirma que houve melhora na última linha do balanço, em comparação com 2016 (decorrendo de um aumento das margens), mas que a empresa não abre o valor exato do avanço.

Dois lançamentos recentes, destacados pelo executivo, foram o modelo display e multiatividades. O primeiro conecta o tênis ao celular, permitindo que a criança digite uma frase que será exibida no sapato, enquanto o segundo serve para todas as atividades, desde ir a escola até a prática de esportes. Apesar da importância da inovação para suprir as necessidades do cliente, o presidente da Bibi faz um alerta que parece refletir a visão do setor: “São importantes, mas se não derem resultado para o negócio, não servem de nada.”

 

Fonte – DCI

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