Projeto Terramz capacita profissionais do Juruá para uso de informações sobre solos

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Técnicos das prefeituras de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima e da Secretaria Estadual de Produção e Agronegócio do Acre (Sepa), na região do Juruá, participaram do curso “Uso de Mapas Pedológicos”, realizado pela Embrapa e Universidade Federal do Acre (Ufac), no período de 9 a 13 de março, como ação do projeto “Conhecimento compartilhado para gestão territorial local na Amazônia – Terramz”. A capacitação preparou diferentes atores para a interpretação e aplicação de informações sobre os solos da região na elaboração dos planos agrícolas dos municípios. A atividade contou com aulas teóricas, no auditório do Escritório de Transferência de Tecnologias da Embrapa, em Cruzeiro do Sul, e práticas em campo.

O mapeamento de solos no Juruá é realizado desde 2017, no âmbito da cooperação com as prefeituras dos cinco municípios da região. O trabalho, coordenado pela Embrapa, visa gerar informações detalhadas sobre os tipos de solos, hidrografia, relevo, vegetação e grau de ocupação da terra para subsidiar a elaboração de políticas públicas para desenvolvimento da produção local, incluindo os Planos Agrícolas. Em Cruzeiro do Sul o levantamento de dados foi finalizado em 2019 e os resultados sistematizados em mapas na escala de um para cem mil, serviram de base para a capacitação. Além de analistas e pesquisadores da Embrapa, o levantamento de campo conta ainda com a participação de técnicos das prefeituras e profissionais da Ufac.

A partir de metodologias de análises de dados que utilizam ferramentas de geoprocessamento de informações, entre outras tecnologias geoespaciais, o curso enfatizou a interpretação de características químicas, físicas e morfológicas dos solos e de aspectos das paisagens, entre outros dados reunidos nos mapas pedológicos gerados pela pesquisa, necessárias para um planejamento agrícola adequado à realidade de cada município.

Leitura de ambientes

De acordo com o pesquisador Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre e um dos instrutores da capacitação, esses conhecimentos são essenciais para a tomada de decisão sobre onde plantar e que cultura priorizar para melhorar a renda das famílias rurais e fortalecer a agricultura e a economia dos municípios. A ideia é que os participantes possam atuar como agentes multiplicadores de conhecimentos por meio da interpretação dos dados disponíveis sobre os solos do Juruá. Mas, a aplicação efetiva dos conhecimentos sobre os solos da região somente poderá ser possível por meio da leitura adequada dos mapas construídos.

“A compreensão de características e particularidades desse recurso permite, por exemplo, conhecer a aptidão agrícola do município e orientar o produtor rural sobre o que plantar em sua propriedade e o que precisa ser feito em relação ao manejo, calagem e adubação do solo, para produzir bem. Essas e outras informações podem ser extraídas na leitura de ambientes descritos nos mapas de solos. Esperamos que os profissionais capacitados para essa tarefa possam não apenas planejar ações estratégicas para o desenvolvimento da agricultura dos municípios, mas também avaliar e propor novas políticas públicas de âmbito municipal”, ressalta o pesquisador.

Segundo o secretário de agricultura, pesca e abastecimento de Cruzeiro do Sul, Genilson Maia, um dos participantes do curso, a construção dos mapas de solos do município foi um aprendizado contínuo para os técnicos que participaram das atividades de campo, e a capacitação complementa os conhecimentos adquiridos. “Aprender a interpretar os conteúdos dessas ferramentas é essencial para o uso de informações estratégicas na tomada de decisão na gestão pública. Por já contarmos com os mapas dos solos de Cruzeiro do Sul concluídos, com essa habilidade de leitura podemos avançar na construção do plano agrícola municipal, com a possibilidade de apropriação desses conhecimentos também para atendimento a outras demandas locais, incluindo o zoneamento agrícola”, enfatiza.

O mapeamento de solos é a base para o zoneamento pedoclimático para culturas, ferramenta de gestão territorial que visa diminuir riscos ambientais e econômicos na agricultura e silvicultura. A partir dos mapas gerados, é possível cruzar informações de solos com dados do clima de uma região e construir o zoneamento pedoclimático por cultura agrícola, considerando as exigências de cada cultivo. Como resultado prático dos estudos com solos no Juruá, em 2020 a Embrapa realizará o zoneamento pedoclimático para as culturas da cana-de-açúcar, café, açaí e pimenta-do-reino para a região, com o apoio do projeto Terramz.

Sobre o Terramz

Executado no Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Maranhão, a partir de demandas específicas de cada localidade, o projeto Terramz compõe o Projeto Integrado da Amazônia (PIA), financiado pelo Fundo Amazônia e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente.

Por meio de metodologias participativas, diferentes equipes atuam no levantamento, monitoramento e análise de dados geoespaciais sobre o uso da terra, degradação florestal, incêndios, queimadas e disponibilidade de recursos naturais, com a participação direta de produtores rurais, técnicos e outros atores, que também se tornam protagonistas no processo de geração de conhecimentos. Os mapas construídos visam agregar inovações na ocupação e gestão territorial de municípios, vilas e propriedades rurais, além de orientar as atividades produtivas nesses territórios.

 

 

Fonte – Embrapa

Foto – Divulgação

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