Bioinsumos podem ser aliados da produtividade em culturas orgânicas e convencionais

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O aumento da produtividade, aliado à redução de custos e ao desenvolvimento de sistemas de plantio baseados em recursos mais sustentáveis são alguns dos principais atrativos para o uso de bioinsumos, que vem crescendo a cada ano no Brasil. Tanto na agricultura orgânica como na convencional, produtores buscam cada vez mais esse recurso para a nutrição de fertilizantes no solo ou no controle de pragas que atacam a lavoura.

Há 30 anos, o produtor Joe Valle cultiva insumos biológicos em sua fazenda especializada em produção agropecuária de produtos orgânicos. Localizada no núcleo rural Lamarão, em Brasília, a fazenda tem 50 hectares de hortaliças e também produz frutas, leite, ovos e até carne orgânica.

Para ele, os bioinsumos facilitam a produção de orgânicos e proporcionam alimentos mais saudáveis para a sociedade. Ele destaca que os bioinsumos feitos na Fazenda são resultado de metodologias já consagradas. “Hoje, a maioria dos produtos usados nas lavouras são produzidos na própria fazenda. A cama dos animais da propriedade, por exemplo, é feita a partir de uma mistura de resíduos orgânicos com rochas remineralizadas”, esclarece.

Esta mistura passa por um processo de compostagem, com duas “reviragens” por dia, usando rochas sedimentares, com a adição de serragem, carvão e esterco. A mistura é processada e transferida para o processo de compostagem. Quando o composto está maduro, é utilizado como nutriente para as plantas.

A Fazenda também produz um chá composto feito por um pool de microrganismos para garantir o equilíbrio do ambiente e, assim, deixar as plantas mais fortes. “Trabalhamos com extrato de alga, extrato de peixe, melaço e uma fonte de carboidrato que é o polvilho. Assim, criamos essa quantidade de microrganismo composto benéfico, com bastante oxigênio, multiplicador, que serve de insumo no campo”, explicou.

Para Joe Valle, o Programa Nacional de Bioinsumos lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento há três meses, é o caminho do futuro. “É uma ferramenta fundamental para aumentar a escala de orgânicos no Brasil”, explica.

Mercado

Em 2019, o mercado de biodefensivos nacional movimentou R$ 675 milhões, crescimento da ordem de 15% em relação a 2018, e acima da média estimada de crescimento internacional. Os dados são da Croplife Brasil, associação que representa as indústrias de desenvolvimento e inovação nas áreas de biotecnologia, germoplasma, defensivo químico e biodefensivo. A média global de novos produtos biológicos registrados, por ano, aumentou de três para 11 na última década.

Ainda, de acordo com a associação, em 2018, o setor realizou uma pesquisa, envolvendo usuários de insumos biológicos em 15 estados e em 11 culturas diferentes. O estudo concluiu que 96% dos pesquisados acreditam que o uso (taxa de adoção) de biodefensivos irá crescer nos próximos cinco anos.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Mapa, conta com um extenso trabalho de pesquisa dedicado ao controle biológico. São 632 pesquisadores trabalhando em 73 projetos relacionados ao tema e distribuídos em 40 unidades.

Programa Bioinsumos

O objetivo do Programa Nacional de Bioinsumos é aproveitar o potencial da biodiversidade brasileira para reduzir a dependência dos produtores rurais em relação aos insumos importados e ampliar oferta de matéria-prima para setor.

O diretor de Inovação do Mapa, Cleber Oliveira Soares, ressalta que o programa é um dos pilares da visão de bioeconomia que a pasta está desenvolvendo para promover o acesso, o desenvolvimento e o uso sustentável da rica diversidade biológica brasileira. “O Brasil é responsável por abrigar a maior biodiversidade do mundo. Os bioinsumos contribuem para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, como também geram renda, riqueza e qualidade de vida para os produtores, inseridos nos diferentes elos das cadeias produtivas da agricultura”, avalia.

Pesquisas

A produção de insumos biológicos demanda conhecimentos técnicos e controle de qualidade durante as etapas de produção e do produto final para que possa promover os benefícios ambientais e econômicos.

Para o diretor do IMAmt (Instituto Mato-Grossense de Algodão), Álvaro Salles, a demanda por insumos biológicos para uso na agropecuária é cada vez maior na produção convencional. “Percorremos o Mato Grosso, Pará, Amazonas, Rondônia e Tocantins. Investimos em pesquisa contra fungos, vírus e bactérias para encontrar alternativas e usar bioinsumos que façam o controle biológico de fungos e praga”, explica.

O IMAmt investe no controle do bicudo, controle de lepidópteros, principalmente Spodoptera (que gradativamente vem aumentando a resistência), controle dos nematoides e controle da mosca branca, entre outras pragas.

“É necessário reduzir custos de produção, diminuir o impacto ao meio ambiente e buscar uma agricultura mais sustentável. Todos os trabalhos do IMAmt são voltados para a pesquisa e inovação, buscando a longevidade do sistema de cultivo Mato-Grossense”, conclui Salles.

Fonte – Mapa

Foto – Divulgação

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