Comunidade indígena é beneficiada com painéis de energia solar para auxiliar no atendimento de telemedicina

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A comunidade indígena Três Unidos, do povo Kambeba, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus, foi beneficiada com a instalação de placas de energia solar que, entre outros benefícios, fortalecerão o serviço de telemedicina diminuindo os impactos da Covid-19 e melhorando o atendimento de saúde na região.

A instalação das placas é resultado de uma parceria da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e a Embaixada da Irlanda no Brasil. No local, há um posto de saúde que funcionava apenas com um gerador de energia, movido a combustível, o que gerava diversos problemas e insegurança no atendimento à saúde. Além disso, o restante da comunidade não tem acesso à energia elétrica e não é beneficiada pelo programa Luz Para Todos (LPT).

Com o novo sistema de energia solar, o trabalho dos profissionais de saúde será facilitado e os moradores poderão evitar de se deslocar até a cidade para garantir atendimento médico. De acordo com uma das responsáveis pelo projeto, Jousanete Dias, a energia limpa fortalecerá o serviço de saúde indígena, vai gerar redução de custos e promoção de renda para a comunidade.

“Os painéis de energia solar ampliarão a geração de renda, porque na comunidade Três Unidos já existe um banco expresso. Então, a energia solar atenderá as demandas da saúde, os pequenos negócios e o turismo local”, disse Dias.

Covid-19

O Amazonas apresenta um dos maiores índices de casos confirmados da Covid-19 em povos indígenas, segundo dados das autoridades estaduais de saúde. A população da Comunidade Três Unidos não escapou das estatísticas e também foi impactada com muitos casos do novo coronavírus. Para Jousanete, o projeto da FAS e da Embaixada da Irlanda chega em um momento de extrema importância. “Porque quando você fortalece um ponto de teleatendimento de saúde, isso estreita a relação do paciente com o profissional, gerando mais confiança e alívio para a comunidade”, afirma.

Há mais de 12 anos, a FAS articula diversos trabalhos em parceria com lideranças da Comunidade Três Unidos. Portanto, o projeto com a Embaixada da Irlanda auxilia na complementação das ações da instituição, além de valorizar as comunidades tradicionais e indígenas. “Isso faz com que os moradores entendam que não estão sozinhos, que existem parceiros dispostos a ajudá-los em sua retomada econômica e no fortalecimento da comunidade”, comentou Dias.

O tuxaua Kambeba, Walter Silva, 42 anos e que há 28 anos vive na comunidade, afirmou que a maioria dos moradores utiliza motor de combustível para gerar energia em suas casas. Para ele, a instalação das placas de energia solar será fundamental para todos, principalmente para realização das consultas online de saúde. “Também vai ajudar as pessoas, que vão economizar dinheiro. Porque não vão precisar comprar tanta gasolina para o motor de combustível, que gera bastante poluição para natureza. Vai gerar ainda oportunidades para quem vende produtos, pois tem muitas pessoas vendem açaí, polpas de frutas e outras coisas. Agradeço por esse projeto, que beneficia os indígenas da nossa comunidade”, declarou.

Próximos passos

Como estratégia de comunicação, também foram produzidos vídeos e outdoors informativos, nos idiomas do povo Kambeba, sobre prevenção contra o coronavírus. A próxima etapa será a instalação de outro sistema de energia fotovoltaica. Dessa vez, para beneficiar 900 famílias do povo Munduruku, na comunidade Kwatá e outras localizadas no entorno da Terra Indígena (TI) Munduruku, no município de Borba, a 326 quilômetros de Manaus. Kwatá também possui apenas um posto de saúde, que funciona com um gerador de energia a combustível.

Com duração de seis meses, o projeto da FAS e Embaixada da Irlanda também prevê a compra de aparelhos de pressão, oxímetros e termômetros digitais para os profissionais da saúde, além de apoio logístico no transporte de 1100 cestas básicas e matéria-prima para os grupos de mulheres costureiras das comunidades Três Unidos e Kwatá. As costureiras vão confeccionar mil máscaras de proteção facial.

Sobre o projeto

Com a pandemia e a carência na infraestrutura do sistema de saúde pública, houve a necessidade de articular estratégias para reduzir o risco de contágio da Covid-19 entre as populações indígenas. Para evitar que as pessoas se desloquem até as cidades próximas, a FAS tem oferecido, em parceria com a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), o serviço de telemedicina para a realização de consultas virtuais com médicos de Manaus e de diversas especialidades. Os profissionais também são responsáveis por informar a população sobre as formas de prevenção da doença e os sintomas mais comuns.

A parceria da FAS e Embaixada da Irlanda faz parte da estratégia da “Aliança Covid-Amazonas dos povos indígenas e populações tradicionais e organizações parceiras para o enfrentamento do coronavírus”. É um projeto coordenado pela FAS com o apoio de 98 parceiros, prefeituras e instituições. A “Aliança” prioriza, durante o período de pandemia, comunidades ribeirinhas e povos indígenas que vivem em locais de difícil acesso. A APA Rio Negro é gerenciada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).

 

 

Fonte – FAS

Foto – Divulgação

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