Carteira de crédito comercial aumenta 46,3% em 2018 da região Centro Norte do Pará

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Para abrir o negócio, comprar insumos, pagar despesas fixas, impostos e os funcionários, reformar ou ampliar as instalações, o empresário precisa de dinheiro. O problema é que nem sempre possui recursos próprios para isso. É quando recorre às instituições financeiras para tomar crédito e assim dar fôlego ao caixa da empresa e cumprir prazos de entrega de produtos ou serviços. Prova de que o Sicredi é parceiro dos empreendedores é que a carteira de crédito comercial para pessoas jurídicas na região Centro Norte – que abrange os estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre – atingiu R$ 1,493 bilhão em agosto, expansão de 46,3% em relação ao montante registrado em igual mês de 2017, quando somou R$ 1,020 bilhão.

Investimento, capital de giro e antecipação de recebíveis estão entre as linhas de crédito mais acessadas pelos empresários. Dependendo do momento vivenciado pela empresa, cada uma delas é contratada com o objetivo de auxiliar o andamento e crescimento dos negócios, sendo que há casos em que o empresário contrata mais de uma linha, sempre respeitando sua capacidade de pagamento. A consultora de Negócios Pessoa Jurídica da Central Sicredi Centro Norte, Kely Freitas, afirma que a instituição financeira cooperativa atende empresários de diferentes portes, desde o microempreendedor individual, passando pelo pequeno e médio empresários até o grande.

Atende diferentes públicos de empresas, independentemente do faturamento ou ramo de atividade. Nas agências, os associados têm atendimento personalizado, conforme sua necessidade, seja para investir, para capital de giro ou antecipar o recebimento de suas vendas. “Às vezes o empresário tem dinheiro para montar a loja e para pagar os funcionários, mas não tem recursos para comprar novas mercadorias, justamente por causa do descasamento entre as datas da compra e de pagamento do fornecedor e as datas venda e de recebimento das vendas feitas aos clientes. Neste caso, o Sicredi pode ajudar com linhas de crédito para capital de giro e ajudar a fazer o negócio andar”, ressalta Kely.

Ela observa que, se o perfil da empresa é outro, com o negócio já consolidado e com projeto de expansão, o empresário tem à disposição crédito para compra de máquinas e equipamentos, ou mesmo para ampliar a estrutura física do empreendimento, o que dará uma nova roupagem ao negócio, favorecerá o crescimento do associado e da comunidade, uma vez que esse estabelecimento tende a movimentar outros segmentos e gerar novos empregos na região.

E este é o plano da Cooperativa dos Produtores Rurais de Santarém (Cooprusan) que atualmente reúne 90 cooperados que produzem frutas como goiaba, abacaxi, melancia, mamão, maracujá, acerola, caju, cupuaçu, banana, jerimum, tubérculos como a macaxeira e hortaliças em geral. O presidente da cooperativa, Cidinei Nunes, conta que a Cooprusan foi fundada em 2009 e aos poucos foi se desenvolvendo e agregando mais produtores.

Em 2012, além de produzir os cooperados decidiram expandir os negócios com o processamento das frutas e produção de poupas. Para isso iniciaram a construção de uma indústria para atender o mercado local. Em 2014, com a obra quase finalizada, receberam uma visita do Sicredi e se tornaram associados, fortalecendo a intercooperação e os negócios. Ele lembra que a parceria foi fundamental para que a indústria iniciasse a produção. “Quando inauguramos a indústria já não dispúnhamos de tantos recursos. Foi quando o Sicredi nos ofereceu uma linha de crédito para capital de giro no valor de R$ 50 mil. Parte do montante usamos para pagar a máquina poupadeira e a outra parte para a compra de frutas para processar. Ganhamos um fôlego e daí não paramos mais”.

Segundo o presidente, a produção atual da indústria é de 15 toneladas de poupa de frutas por mês em um único turno de trabalho. Com três turnos, a produção pode chegar a 45 toneladas, mas o incremento vai depender da demanda do mercado e da capacidade de produção dos cooperados. “E isso temos certeza que vai aumentar porque no próximo mês vamos agregar mais 160 produtores daqui de Santarém, de Belterra e de Mojuí dos Campos. Com a inclusão desses novos cooperados a produção de frutas vai aumentar e a nossa capacidade de atendimento também”, diz Nunes ao contar que a indústria tem o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que permite a exportação da produção. Atualmente a indústria atende supermercados, lanchonetes, prefeituras, padarias, atacadistas e até hospitais.

Com o aumento na produção e industrialização das frutas, a cooperativa estima elevar o faturamento. Atualmente, a receita gerada com as vendas varia de R$ 70 mil a 80 mil por mês e a expectativa é chegar a R$ 150 mil mensais. “O aporte do Sicredi lá atrás foi fundamental para a engrenagem da indústria. Conseguimos honrar nossos compromissos e aumentar a produção. Nosso próximo passo é aumentar ainda mais e chegar a um faturamento de 300 mil no início de 2019, gerando emprego e renda para os produtores de frutas e hortaliças do Pará”.

É justamente o efeito sobre a comunidade que o presidente da Central Sicredi Centro Norte, João Spenthof, destaca ao se referir à parceria entre a instituição financeira cooperativa e os empresários. Ele reforça que o Sicredi está sempre ao lado dos empreendedores, sejam eles pequenos, médios ou grandes, sendo referência principalmente naquelas localidades mais distantes das grandes cidades, onde é a única a oferecer produtos e serviços financeiros na comunidade. “A nossa presença nesses locais reforça o compromisso que o Sicredi tem com o desenvolvimento local, em fortalecer os negócios e oferecer crédito com taxas mais competitivas em relação ao mercado financeiro tradicional. Com isso, as empresas dos nossos associados crescem, geram mais emprego e renda, e beneficia toda a comunidade”.

Vilão ou aliado?

O crédito contratado em uma instituição financeira é um importante aliado do empresário. Diferentemente do que muitos imaginam, o empréstimo não é um vilão e sim uma oportunidade para o crescimento do negócio. A afirmação é do analista técnico responsável pelo Núcleo de Orientação ao Crédito do Sebrae MT, Fábio Apolinário, ao comentar que esse conceito deve ser interpretado de forma diferente em cada fase da vida da empresa.

Ele explica que para o potencial empresário, por exemplo, aquele que ainda vai abrir o negócio, o relacionamento com o banco será diferente da relação mantida entre uma empresa consolidada no mercado. “É importante que o empresário escolha uma instituição financeira para ser sua parceria no negócio. Não buscá-la apenas quando precisa. E nós do Sebrae indicamos que ele avalie todas as opções existentes no mercado, seja pública, privada ou uma cooperativa de crédito, e depois escolha a que se encaixa melhor ao seu perfil. O relacionamento e a movimentação financeira devem ser iniciados antes de a empresa precisar do crédito”, aconselha.

Apolinário orienta ainda que, antes de buscar o recurso, é importante que o empresário olhe para dentro da empresa e analise a gestão para verificar se realmente precisa de crédito ou se é necessário melhorar a administração. O objetivo é evitar o endividamento desnecessário e o comprometimento de uma fatia da receita que poderia ser destinada a outras finalidades. “O crédito bancário é igual remédio. Se tomar pouco não sara a doença e se tomar muito pode levar à morte”, compara.

Erros mais comuns

– Buscar recurso sem verificar se na empresa já não o possui.

– Procurar a instituição financeira só quando a empresa precisa.

– Se descapitalizar. Muitos fazem investimento apenas com recursos próprios e quando acaba é que se procura a instituição financeira, sendo que nesta situação crédito será mais caro.

– Usar capital próprio para fazer a empresa crescer, em vez de usar a instituição financeira.

– Microempreendedores individuais têm medo de informar sobre a empresa e o faturamento. Agindo assim, muitas vezes terão acesso a um crédito inferior ao que poderiam contratar.

– Não entender que o banco é um fornecedor. As instituições financeiras são fornecedoras de recursos e devem ser tratadas como tal, mantendo relacionamento constante e saudável.

Fonte: Sebrae MT

Foto – Divulgação