Censo Agro 2017 mostra aumento da agropecuária amazonense

Notícias

O aumento do número de estabelecimentos agropecuários, o crescimento da área desses locais, a predominância das grandes áreas agrícolas localizadas nos municípios do sul do Estado; são resultados trazidos pelo Censo Agropecuário 2017, divulgado pelo IBGE. Além disso, a pesquisa mostra o aumento de pastagens plantadas, do número de pessoas ocupadas na atividade; o crescimento da mecanização e do efetivo bovinos; são outras informações importantes na divulgação dos resultados do Censo. Embora o IBGE informe que as críticas qualitativa e quantitativa dos dados ainda não foram concluídas, razão pela qual os resultados ora apresentados são preliminares, estando, portanto, sujeitos a alterações posteriores.

O Censo Agropecuário de 2017, em seus Dados Preliminares, revela que houve evolução no número de estabelecimentos agropecuários no Amazonas em relação ao Censo anterior. Mesmo considerando algumas mudanças metodológicas ocorridas, a quantidade de estabelecimentos passou de 66.784 em 2006 para 80.914 em 2017, em onze anos a evolução foi de 21%. Desde de 1975 os Censos Agropecuários do IBGE vêm demonstrando o quantitativo de estabelecimentos no estado. A menor quantidade ocorreu em 2006 (66.784) e a maior em 1985 (116.302 estabelecimentos). A partir da década de 1980, com a diminuição da população rural, o número entrou num processo de declínio, recuperando-se somente agora em 2017.

O Censo Agro de 2017 considerou como estabelecimento agropecuário toda unidade de produção ou exploração dedicada, total ou parcialmente, a atividades agropecuárias, florestais e aquícolas; tendo como objetivo a produção, seja para venda (comercialização da produção) ou para subsistência (sustento do produtor ou de sua família). Assim, entre os municípios amazonenses, São Gabriel da Cachoeira com 3.904 estabelecimentos, liderou o número de unidades, superando inclusive aqueles que possuem maior população. Juntamente com Boca do Acre, Parintins, Manicoré e Autazes formam o grupo que lidera os estabelecimentos.

Sobre a área do estabelecimento, o produtor informou a extensão de terras próprias, de terras arrendadas, de terras em parceria e de terras ocupadas, isto é, pelas quais nada pagará por seu uso. Com isso, a área dos estabelecimentos no Amazonas passou de 3.688.753 em 2006 para 4.042.318 hectares, um aumento de 10% em relação ao Censo anterior.

Entre os dez municípios que concentram as maiores áreas no estado, seis estão localizados no sul do Amazonas. Lábrea, Apuí, Boca do Acre, Carauari e Manicoré são os cinco principais em áreas de estabelecimento agropecuário, indicando que a concentração de grandes áreas agrícolas está nestes municípios.

Quanto a utilização das terras, 65% das áreas dos estabelecimentos ainda são ocupadas por matas naturais (2.529.517 hectares). As áreas utilizadas por pastagens plantadas são 20% (795.593 hectares), ocupando a segunda posição. A terceira maior utilização dada à terra são as pastagens naturais com 9% (346.836 hectares). Lavoura temporária e lavoura permanente com 3,1% e 2,7% respectivamente, ocupam a terceira e quarta posição. As matas naturais sempre foram as maiores áreas das unidades agrícolas do estado. Mas, as pastagens plantadas passaram a ser superiores às pastagens naturais só a partir do Censo Agro 2006.

Entre os municípios amazonenses com maiores áreas de pastagens plantadas, destaque para Lábrea, Boca do Acre, Apuí, Manicoré, Canutama e Novo Aripuanã.

O número de pessoas ocupadas nas atividades agropecuárias em todo o Estado foi de 329.932 pessoas. Os números de 2017 são bem superiores aos do último Agro de 2006, o aumento foi de 23,7% (63.265 pessoas). Em 1985 foi o ano em que a pesquisa mostrou o maior quantitativo de pessoas trabalhando no campo (545.077), a partir daquele ano, os números vinham caindo até 2017 quando voltou a aumentar. Considerando que a população na força de trabalho do último trimestre de 2017 foi de 1.784.000, a agricultura foi responsável por 18,5% da força de trabalho do Estado.

Entre os municípios, São Gabriel era aquele que mais ocupava pessoas nas atividades agropecuárias (14.243). Tefé (11.688), Parintins (11.413), Manicoré (10.790) e Itacoatiara (10.420) formavam o grupo com maior número de ocupados.

A mecanização evoluiu bastante se comparada com censos anteriores. Em 1955 o Amazonas contava com 102 tratores, no penúltimo censo em 2006 eram 751, em 2017 a pesquisa encontrou 2.435 tratores. A evolução se comparada com o penúltimo levantamento foi de 224%.
A presença de tratores e máquinas é mais percebida nos municípios vizinhos à capital, e naqueles que possuem grandes áreas de exploração agrícolas. Iranduba com 299 unidades, lidera o contingente de tratores no estado, vindo a seguir, Presidente Figueiredo (227), Lábrea (220), Rio Preto da Eva (200) e Manaus (191).

Efetivo de animais

Bovinos são os animais com maior presença na agropecuária amazonense, o rebanho encontrado pelo Censo Agro foi de 1.253.852 cabeças; essa quantidade supera o número encontrado o Censo anterior em 83.214 cabeças, um aumento de 7,1%; foi o maior rebanho bovino pesquisado desde o primeiro censo, em 1975.

Entre os municípios, Lábrea lidera a criação de gado com 219.429 cabeças. Boca do Acre possui o segundo maior rebanho do estado com 202.553 cabeças, em seguida, Apuí (137.231), Manicoré (122.305) e Parintins (62,231); São estes os 5 maiores criadores do estado do Amazonas.

A criação de bovinos no estado é bastante diversificada, são 14.654 estabelecimentos criadores, sendo a maioria (91.361) formada por pequenos produtores com menos de 50 cabeças. Mas os municípios líderes na produção de bovinos possuem característica inversa, predominando aí os grandes produtores. Lábrea possuía 584 estabelecimentos agropecuários criadores de bovinos, sendo 397 (68%) com mais de 50 cabeças. Apuí possuía 897 estabelecimentos, sendo 640 (71%) com mais de 50 cabeças.

No período de referência que compreendeu entre 1° de outubro de 2016 e 30 de setembro de 2017, nos estabelecimentos agropecuários com mais de 50 cabeças de bovinos predominou a criação para abate. Esse grupo de estabelecimentos vendeu 138.475 cabeças, o que gerou uma receita de 214.604.000 reais. Lábrea, Manicoré e o Boca do Acre lideraram esse tipo de comercialização.

As aves fazem parte de outro grupo importante na produção animal do Estado. Em 2017 a pesquisa do IBGE encontrou 4.279.000 cabeças contra 2.551.000 cabeças encontradas o penúltimo Censo em 2006, o que representou um crescimento de 67%. Os ovos de galinha também experimentaram crescimento em 2017, passando de 17.722 mil dúzias em 2006 para 42.069 dúzias, um crescimento de 137% entre os dois censos. O município de Manaus lidera com folga a produção de aves, seguido por Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. Quanto aos ovos de galinha, Manaus também lidera a produção, seguida de Iranduba, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Careiro.

Agroindústria

O produto mais importante da agroindústria amazonense é a farinha de mandioca. No período de referência do Censo Agro (01.10.2016 a 30.09.217) foram produzidas 98 milhões de quilos de farinha em 56,4 mil estabelecimentos. A farinha é um item tão importante na agroindústria amazonense que 67,2% dos estabelecimentos agrícolas a produzem. O segundo maior produto agroindustrial é a goma ou tapioca, foram produzidas 5,8 milhões de quilos em 25,9 mil estabelecimentos no período de referência da pesquisa. Carvão vegetal (3,2 milhões de quilos) e polpa de frutas com uma produção de 3 milhões de quilos produzidos em 4.914 estabelecimentos.

Lavoura Temporária

A mandioca continua sendo o principal produto da lavoura temporária, no período de referência do Censo Agro foram colhidas 403,3 milhões de quilos de mandioca em 57,9 mil estabelecimentos onde a cultura ocupou 45,1 mil hectares. O segundo produto desse grupo foi a cana-de-açúcar com uma produção de 267,2 milhões de quilos em 5,8 mil estabelecimentos ocupando área de 4,5 mil hectares. O terceiro maior produto foi a melancia com 10,1 milhões de quilos em 8,3 mil estabelecimentos. O abacaxi ocupou a quarta posição entre os produtos da LT com 22,8 milhões de quilos em 13.5 mil estabelecimentos.

Lavoura Permanente

Entre os produtos da lavoura permanente, a banana possuía a maior quantidade de pés na data de referência do Censo (30.09.2017), eram 10,4 milhões de pés em 37,6 mil estabelecimentos. Entre os estabelecimentos com mais de 50 pés, a quantidade produzida foi de 70 milhões de quilos (70 mil toneladas). O açaí foi a segunda cultura com 7,4 milhões de pés existentes em 18,1 mil estabelecimentos. Nas propriedades com mais de 50 pés (8,4 mil) a produção alcançou 20,8 milhões de quilos (20,8 mil toneladas). Cupuaçu (2,02 milhões de pés) em 18,4 mil estabelecimentos e o Guaraná (2,01 milhões de pés) em 1,9 mil estabelecimentos, foram respectivamente o terceiro e o quarto mais importante produto da lavoura permanente.

Variáveis categorizadas

Ainda dentro dos dados preliminares e sujeitos a alterações, o Censo Agro 2017 divulga algumas variáveis categorizadas dos estabelecimentos agropecuários do Amazonas: 31,5% (25.463) declararam possuir telefone; 1,6% tinham e-mail, 10,7% (8671) acessavam a internet onde 10% era por banda larga, 2% discada e 92% internet móvel.

A escolaridade do produtor também foi investigada. A maioria (26%g) tinham o equivalente ao ensino fundamental ou 1º grau; 20% nunca havia frequentado escola; 14,8% possuíam o ensino regular médio ou 2º grau; 13% haviam frequentado a classe de alfabetização e 12,2% o antigo primário. Somente 3% possuíam curso superior e 0,1% mestrado ou doutorado.

Quanto a forma de obtenção das terras, 26,9% declararam ter adquirido por herança ou doação; 26,3% disseram ter comprado; 14% era de concessão de terra indígena e 12,2% tinham a posse não titulada, entre outras.

A pesca é muito comum na zona rural amazonense, 55,2% dos estabelecimentos informaram ter pescado no período de referência do Censo Agro; entre eles 86% pescavam para comer e 18% pescavam exclusivamente para vender. 98% da pesca era feita de forma artesanal. Dos 44,6 mil estabelecimentos que declararam pescar, 23,2% admitiram vender o pescado.

Fonte – IBGE

Foto Divulgação

Deixe uma resposta