Com apoio do BC, cooperativismo enfrenta “oligopólio dos bancos”

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O sistema de cooperativismo de crédito responde por 8% do varejo bancário no Brasil e detém 3,7% do crédito total. E se dispõe a aceitar um desafio proposto pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para expandir sua participação no mercado para 20% nos próximos três anos. Uma missão audaciosa, pois as cooperativas levaram 20 anos para aumentar sua prsença no mercado de 0,3% para os atuais 8%.

A informação é de Marco Aurélio Almada, presidente do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), um banco múltiplo privado, cujo controle acionário pertence às cooperativas centrais de crédito do Sicoob. Almada participou nesta quinta-feira (12) em Goiânia do 3º Painel Cooperativismo Financeiro, em comemoração aos 18 anos do Sicoob Engecred Goiás.

O avanço dessas cooperativas, informou, já produziu um efeito positivo sobre o mercado financeiro. “Mostramos que esse avanço provocou uma queda de um terço no spread bancário”, disse em entrevista à Sagres 730 nesta quinta-feira (12). O spread bancário é a diferença entre a taxa que as instituições financeiras captam dinheiro e a taxa que elas cobram ao emprestar dinheiro.

O Brasil é um dos países que cobram um dos maiores spreads bancários no mundo. “A taxa no Brasil é em média 25% ao ano e gira entre 3% e 5% nos países desenvolvidos”, explicou o presidente do Bancoob. Especialistas apontam a falta de concorrência como uma das principais causas das altas taxas cobradas no Brasil. Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú detêm cerca de 70% do total de ativos do sistema. Ativo é tudo que uma empresa tem, pode ser um bem ou o direito de receber algum bem ou recurso.

De acordo com Almada, o presidente do Banco Central é um dos que defendem aumento da concorrência, daí fez o desafio ao sistema de cooperativa de créditos.

“O nosso papel, dentro do contexto geral, é tentar romper essa barreira (dos bancos) e tentar tornar o mercado financeiro brasileiro competitivo”, afirma. “Nós nos organizamos para enfrentar o oligopólio dos bancos há 22 anos. E nós estamos conseguindo romper, porque a gente tem encontrado um apoio muito grande do Banco Central”, complementa.

Para o presidente do Bancoob, quando maior a concorrência, menores são as taxas cobradas pelas instituições. “Quando tem pouco banco, tem pouca concorrência. Quando tem pouca concorrência, o serviço é caro. Vamos apoiar essas novas instituições financeiras para aumentar a concorrência”, afirma.

Fonte – Sagres

Fot – Divulgação

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