Cooperativa de detentas do Pará, é selecionda para receber investimentos através da Brazil Foundation órgão da Onu

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A Cooperativa Social de Trabalho Arte Empreendedora (Coostafe), que reúne mulheres custodiadas pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), foi pré-selecionada pela Brazil Foundation para receber incentivos financeiros que garantirão mais investimentos em matéria-prima, qualificação profissional e melhor estrutura de trabalho dentro do Centro de Recuperação Feminino (CRF) de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, onde a atividade ocorre. A Coostafe é a primeira cooperativa do Brasil formada exclusivamente por mulheres presas.

A Brazil Foundation é vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por mobilizar recursos para ideias e ações transformadoras, a partir do trabalho com líderes e organizações sociais e uma rede global de apoiadores, promovendo igualdade, justiça social e oportunidade para os brasileiros.

Nesta etapa de análise, o projeto recebeu a visita do analista de Projeto Bruno de Souza Faria, da Brazil Foundation, que esteve no Pará para conhecer de perto o trabalho das internas na elaboração de peças artesanais, bonecas de pano e enfeites com garrafas PET, e decoração de sandálias com miçangas.

Critérios – Neste ano, 1.500 projetos foram enviados à organização, e a Coostafe está classificada entre as 50 finalistas. O anúncio das 30 instituições que serão contempladas com o recurso financeiro será no início de 2018. Entre os critérios que fazem parte da avaliação, estão a localização geográfica, área temática e finalidade do projeto.

Após a aprovação, a equipe gestora passará por capacitação, para aprender a lidar com indicadores de resultados e métricas financeiras, para posteriormente receber a verba, que poderá ser de R$ 10 mil ou R$ 30 mil. A parceria tem duração de seis meses a um ano, podendo ser renovada.

Estrutura – O analista Bruno Faria afirmou que a Coostafe é uma forte concorrente ao investimento. “Fiquei muito impressionado com o projeto, com a estrutura que o CRF tem. Já visitei várias unidades carcerárias brasileiras, inclusive no Rio de Janeiro, mas aqui é um cenário completamente diferente. É possível perceber que o semblante das mulheres que trabalham dentro da cooperativa é diferente. O projeto é muito bom, tem grande potencial de crescimento, e nós estamos muito empolgados com a possível parceria”, afirmou.

Cinquenta internas do CRF de Ananindeua trabalham por ano na cooperativa, e obrigatoriamente estão matriculadas em um curso educacional. Kátia Cilene Ferreira é interna do CRF e uma das primeiras a participar da Coostafe. Fazer parte da cooperativa está fazendo com que ela melhore a vida da família, aprenda a empreender e concretize sonhos.

“Pra mim é muito gratificante, porque entrei aqui sem saber fazer nada, e eu sempre sonhei em aprender a costurar. Hoje eu até ensino quem tá chegando. Uma vai ensinando pra outra. Eu comecei fazendo canetas decoradas com biscuit, depois bichinhos de pelúcia, e hoje eu faço um pouquinho de cada coisa. Eu junto o dinheiro, ajudo minha família e, quando sair, quero abrir uma lojinha pra eu mesma vender. Eu tenho duas filhas, e com isso que faço aqui dá pra dar um futuro melhor para elas”, declarou Kátia Ferreira.

Benefícios – Gerar conhecimento, ocupar o tempo ocioso, contribuir para a remição da pena, ampliar as expectativas de futuro e reduzir a reincidência criminal são alguns dos benefícios da participação das mulheres na Coostafe.

Para a diretora do CRF e idealizadora da cooperativa, Carmem Botelho, estar entre os 50 projetos finalistas no Brasil já é motivo de alegria e reconhecimento. “É sempre uma expectativa muito boa, porque precisamos de investimento e investidores. Só de participar e ser selecionado já é um diferencial. Estamos mostrando aos futuros empreendedores, colaboradores e parceiros que temos todo o potencial de formalizar essa parceria. Participar e ser selecionado neste edital é o reconhecimento ao trabalho sério, que vale a pena continuar. Ver que pessoas de fora do Brasil estão reconhecendo quem sabe uma possível solução ou o início de uma solução para o sistema carcerário, já é o maior prêmio que a gente pode receber. Eu nunca imaginei que o projeto ia ter a dimensão que hoje ele tem”, concluiu a diretora.

 

 

Fonte – Governo do Pará

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