Cooperativas de crédito ampliam carteira para pequenas empresas

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A crise dos últimos anos foi um teste de fogo para o sistema cooperativo brasileiro.

Em um ambiente de restrição em que bancos fecharam as torneiras e chegaram a cortar até um quarto do crédito concedido a micro, pequenas e médias empresas entre 2014 e 2016, o sistema cooperativo viu sua carteira voltada à pessoa jurídica crescer até 26% no mesmo período.

A comparação dos sistemas é parte de um levantamento da consultoria Roland Berger.

Os juros cobrados pelos empréstimos a esse público também foram um diferencial entre as cooperativas.No cartão de crédito, por exemplo, a taxa média cobrada por cooperativas foi a metade do juro de bancos grandes e médios no ano passado. No cheque especial, a diferença em favor das cooperativas foi ainda maior.

Durante a crise, o estudo diz que bancos tradicionais reduziram o crédito a pequenas e médias empresas, buscando negócios menos arriscados e mais rentáveis.

Entre as cooperativas, as concessões subiram, mas não de forma indiscriminada. A previsão, diz a
consultoria, é que elas mantenham o ritmo mais forte também neste ano.

“As cooperativas têm um maior conhecimento dos clientes e seus riscos, por isso foi possível crescer
sem aumentar a inadimplência”, afirma Antonio Bernardo, presidente da Roland Berger.

Na Unicred, cooperativa focada em profissionais da área de saúde, por exemplo, a inadimplência está em 2,6%, em relação a uma média de 5% do setor bancário, diz seu presidente, Fernando Fagundes.

CONSOLIDAÇÃO

Segundo o estudo, uma fusão entre cooperativas teria o potencial de aumentar a competição no mercado de crédito, atendendo a um desejo do próprio regulador. De forma agregada, o sistema cooperativo é hoje o sexto maior banco brasileiro, com R$ 177 bilhões em
ativos.

A fusão, mostra o levantamento, poderia dar origem ao quinto maior banco. Hoje, Sicoob e Sicredi
respondem por 85% do segmento cooperativo. “Como não há a menor possibilidade hoje de ter um novo entrante no mercado bancário, a fusão de cooperativas pode ser a chance de dinamizar a concorrência”, diz o diretor financeiro da Roland Berger, Wander Azevedo.

Para a consultoria, a consolidação melhoraria aspectos do sistema cooperativo, como agências pouco
eficientes e baixa digitalização.

Fagundes, da Unicred, reconhece que os ganhos seriam enormes, em linha com o mercado internacional. O francês Crédit Agricole e o holandês Rabobank, por exemplo, nasceram de cooperativas. Mas a união,  diz Fagundes, estaria longe de acontecer no Brasil.

João Tavares, presidente do Sicredi, lembra que cada uma das cooperativas tem um jeito de atuar, com
estruturas de governança diferentes.

O assunto, no entanto, já é debatido no âmbito da OCB, a organização das cooperativas. Francisco
Reposse Júnior, diretor do Sicoob, revela que as primeiras ações nesse sentido devem ser de
compartilhamento de comunicação e de tecnologia.

Com 3,7 milhões de cooperados concentrados na área rural, o Sicoob é o maior sistema cooperativo do
país.

Em linha com o estudo, Reposse Júnior espera expansão de 9% do crédito em 2017. Além disso, diz ele,
desde junho de 2016, o Sicoob abriu 146 agências e prevê inaugurações em Minas, Paraná e Rio Grande do Sul.

MENOS IMPOSTOS

Assim como os bancos, o sistema cooperativo também é regulado pelo Banco Central, com peculiaridades. Para acessar as linhas de crédito e produtos oferecidos pelas cooperativas, o cooperado precisa comprar uma cota no negócio e participar das decisões de forma semelhante às reuniões de um condomínio —o que não é exigido por um banco comum.

O regime tributário das cooperativas também difere dos bancos. Elas não pagam tributos como PIS, Cofins e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).

No início do ano, o governo igualou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de cooperativas e
bancos.

Para Azevedo, da Roland Berger, a tributação diferenciada não seria o principal fator a permitir juros
menores entre cooperativas.

“Como elas não precisam dar retorno gigantesco porque não têm ações, conseguem adotar uma taxa mais ajustada para ter sustentabilidade do negócio.

 

Fonte – Brasil Agro

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