Embrapa e Ufam participam da Feira da Laranja de Rio Preto da Eva levando tecnologias para a citricultura amazonense

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A Embrapa Amazônia Ocidental e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estarão presentes na 20.ª Feira da Laranja do Município de Rio Preto da Eva, AM (a 80 km de Manaus), apresentando novas tecnologias para a citricultura amazonense. Com informações a respeito dos novos portas-enxertos e copas de laranjeiras que poderão oferecer maior diversidade e produtividade aos plantios do estado do Amazonas, as instituições estarão participando com estande da feira dias 30, 31 de agosto e 1.º de setembro de 2019.

A laranja, no Estado do Amazonas, apesar de não figurar como principal cultura de importância econômica, tem ampliado áreas de cultivo já ultrapassando 4.000 hectares. Rio Preto da Eva figura como o município com mais de 30% da área plantada no Estado.

A parceria da Embrapa e Ufam está sendo realizada por meio do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado) que visa fortalecer e ampliar a formação de recursos humanos em nível de pós-graduação stricto sensu, além de apoiar, com recursos financeiros, a melhoria da infraestrutura de pesquisa de instituições vinculadas ao Governo do Estado do Amazonas.

O professor José Ferreira, da Faculdade de Ciências Agrárias da Ufam, explica que o trabalho começou em 2010, com três projetos que visam o desenvolvimento da citricultura no estado do Amazonas, que tem um problema sério que é de laranja pera sobre o porta-enxerto de limão cravo em praticamente toda a citricultura do Estado.

O que representa dois problemas muito sérios: porta-enxertos suscetíveis às doenças do declínio e da morte súbita, deixando o mercado consumidor no estado do Amazonas praticamente preso à laranja pera e o produtor ao uso do porta-enxerto que tem os problemas também de gomose, que é uma doença fatal aos citros.

Com esse problema em vista, as equipes da Embrapa e da Ufam começaram a implantar em 2013 o projeto de Pesquisa e Transferência de Tecnologias para o Desenvolvimento da Citricultura no Estado do Amazonas que iniciou em 2013 em parceria com a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ufam e Fapeam. Esse projeto que visa a diversificação de copas e de porta-enxertos como boas opções para o citricultor do Amazonas.

Os novos porta-enxertos e copas são provenientes da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA) foram plantados no Amazonas e agora está sendo colhendo a safra do quinto ano. Foi plantado em três propriedades de produtores parceiros: na Fazenda Panorama, em Rio Preto da Eva; Fazenda Canaã e o Brejo do Matão, em Manaus, estrada BR-174.

Essas três propriedades adotaram essas copas sobre porta-enxertos que estão dando bons resultados. Mas segundo José Ferreira, os resultados são preliminares por que ainda falta colher a safrinha, mas já poderiam ser indicados previamente as copas laranja pera, valência e rubi, por que dariam boa produção e boa produção. Quanto aos porta-enxertos, há três que estão se sobressaindo com bom desempenho sobre as copas: Riverside, o Índio e outro que está em processo de registro no Ministério da Agricultura. Esse conjunto de recomendações será indicado para o produtor amazonense em breve.

Essas combinações permitem a resistência doença e alta produtividade. O pesquisador Marcos Garcia, da Embrapa Amazônia Ocidental, informa que hoje com a copa da variedade pera, a produtividade média da laranja no Amazonas gira entre 17 a 20 toneladas por hectare, mas mesmo considerando essa mesma variedade, em um pomar bem conduzido, pode chegar a 30 toneladas por hectare.

O pesquisador ressalta que o mais importante das novas variedades de copa não é somente a produtividade, mas a possiblidade do agricultor cultivar variedades de citros com produção precoce, de meia estação ou tardia, garantindo safras durante todo o ano. Cita por exemplo, a variedade Rubi que é precoce, a Pera que é de meia estação e a Valencia que é tardia. “Então essas três variedades plantadas numa mesma área, proporcionará produção ao longo do ano inteiro”.

Com relação aos porta-enxertos, explica que também tem influência na produtividade a combinação da copa e porta-enxerto. Mas o aspecto mais importante é dar maior longevidade ao pomar, por que os pomares de laranja que são copas de laranja Pera enxertada em limão cravo tem uma longevidade máxima de 12 a 14 anos, pois começam a fase produtiva no quinto ano, então produzem frutos somente por cinco a seis anos. Por que à medida que vai envelhecendo, vai havendo mortalidade por doença, principalmente por gomose, morte súbita e declínio que o limão cravo não é resistente. Já os citradarins, que são os porta-enxertos Índio, Riverside e San Diego tem uma tolerância maior a essas doenças, além de manter a produtividade proporcionam pomares com vida útil maior.

A linha de pesquisa de diversificação de porta-enxerto e copa é apenas uma das linhas do projeto, que tem também por objetivo o aspecto do manejo do pomar.

O manejo do mato no pomar, segundo professor Ferreira já se conseguiu excelentes resultados com a adoção de plantas de cobertura, por que se diminui o uso de herbicida, recicla os nutrientes e diminuição da diversidade de plantas invasoras. Ele cita como exemplo, a braquiária resiliensis, que é uma planta de cobertura, testada no experimento em Iranduba durante três anos e que obteve um desempenho de 100% de eliminação do mato. Esse resultado animou um produtor de Rio Preto da Eva, que já semeou em seu pomar ano passado. “ É muito interessante ver o produtor usando o resultado da pesquisa”, comemora.

Essas informações fazem parte dos folhetos e materiais que estarão sendo expostos e distribuídos na feira mostrando os resultados de pesquisa ao longo desses anos.

Fonte – Embrapa Amazônia Ocidental

Foto – Divulgação

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