Governo discute ações de fomento para Arranjos Produtivos Locais de todo o Brasil

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Nos próximos dias 7, 8 e 9 de novembro será realizada em Brasília a 8ª edição da Conferência Brasileira de Arranjos Produtivos Locais. O evento acontece a cada dois anos, e tem por meta mobilizar os segmentos produtivos e as principais instituições governamentais e não governamentais para o debate sobre a formulação de políticas públicas voltadas aos APLs. O tema central da conferência, que este ano será “APLs como Estratégia de Desenvolvimento: das condições necessárias às vantagens competitivas”, vai ser debatido por especialistas, gestores de arranjos, agentes financeiros, acadêmicos, parlamentares e representantes do governo e da sociedade civil.

Além disso, durante todos os dias do evento, haverá espaço para reuniões bilaterais, apresentações audiovisuais sobre a política de arranjos e estandes de APLs selecionados, onde os visitantes poderão conhecer melhor as atividades desempenhadas por cada um desses aglomerados. O público esperado gira em torno de mil participantes. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por qualquer interessado pelo site: www.conferenciabrasileiraapl.com.br

Os APLs são aglomerações de empresas que estão num mesmo espaço físico e que apresentam especialização produtiva semelhante, além de manterem vínculos de articulação, cooperação e aprendizagem entre si e com associações empresariais, instituições de crédito, de ensino e governo. O secretário de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e também secretário executivo do Grupo de Trabalho Permanente para APLs, liderado pelo MDIC, Igor Calvet, ressalta que “os arranjos empregam cerca de três milhões de trabalhadores e englobam 59 setores produtivos, o que é um reflexo da grande diversidade da economia do Brasil”.

Atualmente, há no país 677 Arranjos Produtivos Locais que geram emprego e renda em todas as cinco regiões brasileiras. Os APLs abrangem aproximadamente 40% dos municípios e reúnem cerca de 292 mil empresas, grande parte delas nas regiões Sudeste e Centro – Oeste.

Experiências exitosas

O APL Tic Vale, do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, criado em 2012, em São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo, englobava inicialmente 17 empresas. Hoje já reúne 77 e emprega mais de 1,6 mil pessoas. Com um faturamento anual estimado em R$ 267 milhões, as empresas do Tic Vale prestam serviços para todo o Brasil e também exportam tecnologia para outros mercados. Para se ter uma ideia, países como Estados Unidos, Equador, Chile e Espanha fazem parte do banco de clientes. O faturamento com a exportação de produtos e serviços gira em torno de R$ 10 milhões por ano. O gestor do Tic Vale, Marcelo Nunes, explica que “ter um plano de ação e uma coordenação em comum para geração de negócios aumenta as perspectivas de sucesso e a competitividade de cada empresa, mesmo com a similaridade de ofertas.”

No estado de Goiás um dos APLs de destaque é do ramo de confecções. Cerca de 300 empresas, distribuídas por seis municípios, geram 5 mil empregos diretos e fabricam peças de vestuário, roupa íntima, cama, mesa e banho pra revendedores de todo o país. Para o ano que vem a meta é começar a exportar a produção para outros países. A gestora do APL, Glady Duarte, citou a facilitação de acesso a linhas de crédito como uma das vantagens para as empresas que decidem fazer parte de um Arranjo Produtivo Local. Ela também destacou, como importante avanço para as atividades do arranjo de confecções, a montagem de seis laboratórios de costuras com equipamentos de última linha, vinculados aos institutos tecnológicos de Goiás. A aquisição dos laboratórios foi possível graças aos recursos disponibilizados pelo Programa Banco do Brasil Estruturante, direcionado para atender as empresas participantes das APLs e pelo Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (FUNCTEC). Cada laboratório recebeu R$ 1,5 milhão para sua construção.

No Rio Grande do Sul, o APL de Polo Naval e de Energia de Rio Grande e Entorno, que reúne cerca de 90 empresas, encontra na dinâmica de cooperação dos APLs uma forma de driblar a crise que assola o setor naval. O gestor do arranjo, Danilo Giroldo, conta que nos últimos anos houve uma “brutal diminuição” dos postos de trabalho nas empresas que prestam serviço ao setor, mas que “graças ao apoio governamental já há o início de uma reestruturação de vagas de emprego. Também é possível participar de cursos de qualificação de mão de obra ociosa, e estamos tendo mais facilidade em captar recursos para a compra de um simulador de manobras navais que, quando estiver em pleno funcionamento, vai gerar receita para as associações de empresas”, explicou Giroldo.

 

Fonte – MDIC

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