No Amazonas – agricultores ribeirinhos participaram do II Fórum de Discussão sobre Comércio Justo e Ético

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A Associação dos Agricultores Familiares do Alto Urupadi (AAFAU), de Maués (AM), participou no início de dezembro do 2º Fórum de Comércio Justo e Ético – uma iniciativa da União Europeia para identificar e compartilhar as melhores práticas do tema, além de oferecer maior variedade de produtos aos importados europeus. A ação é promovida pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), com o intuito de estimular o comércio e o consumo de produtos da agricultura familiar, ao incentivar a participação dos agricultores em eventos e feiras.

A AAFAU beneficia 30 famílias ribeirinhas e indígenas, produz culturas como abacaxi, banana, batata, cará, farinha de mandioca e, principalmente, o guaraná nativo, em pó e em bastão. A produção é totalmente praticada sob o sistema tradicional, é um cultivo sustentável com baixo impacto para o meio ambiente. “Tivemos a oportunidade de contar as histórias tradicionais dos nossos produtos da Amazônia. E isso abriu as portas para 2019, com maior expectativa de exportação do nosso produto guaraná urupadi e outros da biodiversidade da nossa floresta”, afirmou o agricultor presidente da AAFAU, José Cristo.

Já para a agricultora Ednamar de Oliveira, é uma grande satisfação poder participar do fórum. Para ela “representa novos canais de comércio e novos parceiros, o que faz expandir o alcance da produção, melhorando a qualidade da vida dos produtores.”

Uma das lutas desses produtores é a busca por um mercado que oferte o preço justo para o guaraná orgânico e seus derivados. Além disso, garantir que haja mercado para a produção é fundamental para assegurar o sistema agrícola tradicional de produção do guaraná, visando a conservação da floresta, a segurança alimentar e a geração de renda.

Para José Cristo de Oliveira, as ações da Sead incentivam parcerias comerciais. “Eles têm sido primordiais para a resistência e para a melhoria na qualidade de vida e dos produtos cultivados pela agricultura familiar, sempre agregando valor e preço justo para a produção”, acrescentou.

Cultura do guaraná

Nativo da Amazônia, o guaraná (Paullinia Cupana var. Sorbilis) foi uma espécie domesticada há séculos pelo povo indígena Sateré Mawé na região que atualmente compreende o município de Maués. Assim, são eles os inventores da cultura do guaraná e os primeiros a fazer o processo de beneficiamento e comercialização desse produto, algo registrado desde o período colonial. Essa foi uma atividade que rompeu as barreiras do tempo e que ficou como legado para os não indígenas que atualmente predominam no cultivo do guaraná no município de Maués.

 

Fonte – MDA

Foto – Divulgação