O desenvolvimento das cooperativas de crédito necessita da propagação dos “sete princípios básicos”

Notícias

O cooperativismo traz em sua filosofia um valor caríssimo, que é a solidariedade. Ela é a base da confiança, que se estabelece quando alguém ou um grupo se importa com a condição ou a situação do outro. A motivação dos cooperados é uma força que deve ter bases no coletivo, e que comumente vemos no exemplo dos agricultores familiares no Brasil. Sozinhos, individualizados eles ficam enfraquecidos, mas, quando se reúnem, o grupo se conecta e fortalece, com base nos “sete princípios” do cooperativismo, os quais apresentarei adiante, refletidos numa problemática atual.

A difusão de princípios para cooperar atravessa a história, desde o berço do cooperativismo, em 1844, com os operários de Rochdale, em Manchester, na Inglaterra, passando pelo estabelecimento do número de sete como regente, em uma conferência internacional em 1995, até os dias de hoje. Apenas o Estado de Santa Catarina conta com 258 cooperativas, alta densidade para um Estado de 295 municípios.

Esta cultura é fundamentada em conhecimentos repassados pelos nossos antepassados e, enquanto ela existir, irá permear a nossa organização cooperativa e sustentar as bases de redes de apoio como o Sistema Cooperativista Nacional e do Serviço Nacional de Formação Profissional do Cooperativismo, o Sescoop.

Com toda a estrutura existente, o cooperativismo requer um olhar para o futuro. Juntamente com a especificação por ramos, como o escolar e o de planos de saúde ou o das cooperativas de crédito, pode-se observar um desvirtuamento dos princípios cooperativistas que segue o ritmo do capitalismo e das instituições financeiras, as que mais crescem no mundo. Temos observado uma multiplicação das cooperativas de crédito no Brasil, uma junção interessante do associativismo com o capitalismo. Todavia, sempre que nos afastamos dos valores e princípios a instituição vai deixando de ser verdadeiramente cooperativa.

Percebemos, nalgumas campanhas de marketing, no atendimento e na comunicação com os associados, que há certa tendência de afastamento, de desconhecimento ou esquecimento, até involuntário, dos princípios e valores de todas essas entidades e instituições. Isto pode fazer a nossa casa ruir.

Se, de associados, uma cooperativa financeira nos faz apenas clientes de uma empresa tão somente mercantil, nós perderemos as referências do voluntarismo, de trabalhar com e pelo outro, da soma de esforços para multiplicar o valor de um grupo ou comunidade e da essência em ser a parte ativa de um todo, agindo cooperativamente. Seremos apenas mercenários, em um sistema que massifica a comunicação entre as pessoas, distanciando-as dos seus pilares.

Aqui, então, nos cabe lembrar o que precisam ser propagados, os “sete princípios” do cooperativismo, sobre os quais cabe refletir em que nível estão sendo aplicados ou ignorados em cada ramo ou cooperativa em si.

O primeiro é a adesão livre e voluntária das pessoas. O segundo, gestão democrática, em que o voto é soberano. O terceiro ponto é a participação econômica dos membros, o que configura o papel do sócio como dono. O quarto princípio é a autonomia, a independência, em que a cooperativa é como uma universidade, que cria seus departamentos e cada qual responde segundo a legislação apropriada e específica.

Como quinto princípio, temos a educação, formação e informação às pessoas. Enquanto a educação começa em casa, na família e na comunidade, a cooperativa tem o compromisso de informar o cooperado para o mercado, para a sucessão familiar, para que obtenha os devidos benefícios e beneficie também a sociedade.

O sexto princípio é a intercooperação envolvendo todas as instituições cooperativas, um dos princípios com maior dificuldade para ser estabelecido, quando as cooperativas se enxergam e se tratam como simples concorrentes, por prestarem atenção apenas às leis do mercado. Em vez de educar, sob essa ótica, essas instituições apenas promovem uma deseducação financeira. Por fim, o sétimo princípio é o interesse pela comunidade.

Uma cooperativa não visa lucro, e sim fazer com que suas ações e seus resultados se transformem em sobras para os associados, o que é levado à assembleia. Esses associados estão na comunidade onde fica o retorno, engrandecendo a cooperativa. Esta é a diferença para uma empresa comercial normal, a ação com uma visão de futuro e não apenas a busca do lucro imediato.

Os sete princípios e uma série de valores vêm acoplados, vinculados à ideia do cooperar, porque as raízes da filosofia cooperativa são firmadas em mais do que regras simples. São os princípios e valores fundamentais, afinal, que nos orientam, seja para criar um filho, seja para reger uma sociedade.

 

 

Fonte – Administradores

Foto – Divulgação