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Número de pessoas desaparecidas cresce no Brasil e no mundo

A Cruz Vermelha registrou 284 mil casos de desaparecimento no mundo em dezembro de 2024, um aumento de 70% em cinco anos.
Os números chamam atenção pela velocidade do avanço e reforçam a urgência de políticas eficazes de busca e prevenção.
No Brasil, só em 2024, foram 81 mil registros de pessoas desaparecidas.

Na coluna desta semana, o professor Pedro Dallari abordou o avanço no número de pessoas desaparecidas no mundo, com base em dados da Cruz Vermelha e do Ministério da Justiça. O assunto foi debatido em uma conferência no Instituto de Relações Internacionais (IRI), no início de novembro, que contou com a participação de Nicolas Olivier, chefe da Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Brasil e os países do Cone Sul.

Segundo Dallari, a Cruz Vermelha Internacional segue como uma das principais referências em ação humanitária. Ele lembra que, todos os anos, o IRI recebe representantes da organização em um curso coordenado pelo professor e ex-reitor Jacques Marcovitch, onde são discutidos os desafios atuais da Cruz Vermelha e do direito humanitário. O professor também destaca a proximidade entre o instituto e a entidade, já que a Cruz Vermelha é uma das poucas organizações internacionais que recrutam profissionais diretamente no Brasil, ao contrário de outras instituições que concentram seleções nos Estados Unidos, na Europa ou no Canadá.
Segundo ele, no evento deste ano, a agenda da organização da Cruz Vermelha deu especial atenção a um tema que é pouco visível: o número crescente de pessoas desaparecidas no Brasil e no mundo. “Trata-se de um fenômeno que tem muitas causas, como conflitos armados, perseguição política, rotas migratórias perigosas, mas também causas que estão mais diretamente relacionadas à realidade brasileira, como o desaparecimento por tráfico de pessoas, por crime organizado, mas também por desajustes familiares e problemas de saúde mental”, considera Dallari.

O professor explica que, na semana passada, se realizou, em Genebra, na Suíça, a 4ª Conferência Internacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas, entre os dias 11 e 13 de novembro. “A Cruz Vermelha tem um site muito atualizado, embora com dados que ela própria reconhece como subestimados, mas que apontavam que, em dezembro de 2024, foram registrados 284 mil casos de desaparecimento, o que representa crescimento de 70% nesse número no espaço de apenas cinco anos. No Brasil, um esforço articulado com esse da Cruz Vermelha vem sendo feito pelo Ministério da Justiça, que também tem hoje uma consolidação de dados muito importante, embora também possam ser considerados subestimados, mas que, por exemplo, no ano de 2024, indicaram 81 mil pessoas desaparecidas, com a localização de apenas 55 mil, ou seja, um saldo assombroso de 26 mil casos de desaparecidos no Brasil sem qualquer solução. É um dado bastante alarmante do ponto de vista dos direitos humanos”, considera.

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação/USP

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