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O legado e a força das mulheres 60+ no Dia Internacional da Mulher

Apesar das conquistas, as bandeiras do 8 de março, Dia da Mulher, não trazem as demandas das velhices prolongadas, como o cuidado, nem o idadismo.
As mulheres 60+ representam uma parcela significativa da população e desempenham papéis importantes em suas famílias.
Vale ressaltar e valorizar o papel fundamental das mulheres com mais de 60 anos nesse cenário.

As principais bandeiras deste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, continuam sendo a luta contra o feminicídio, pela legalização do aborto, por salários dignos, contra a precarização do trabalho, a fome, a violência policial, o racismo e a luta pela democracia. Infelizmente, questões que envolvem o envelhecimento e as demandas de velhices prolongadas, como o cuidado que recai sobre as mulheres, não fazem parte ainda das bandeiras, muito menos o idadismo cometido contra nós.

No Brasil, as mulheres 60+ representam uma parcela significativa da população e desempenham papéis cruciais em suas famílias, comunidades e na sociedade em geral. Somos 17,9 milhões de mulheres acima de 60 anos, representando 55,7% do total de pessoas idosas no país. Muitas de nós, como eu, continuam ativas no mercado de trabalho, seja por necessidade financeira ou por desejo de nos mantermos produtivas e engajadas.

No entanto, nós também enfrentamos desafios específicos, como o preconceito etário, a discriminação de gênero e a falta de acesso a serviços sociosanitários e bem-estar adequados. A violência física, psicológica e financeira são outras realidades que afetam muitas mulheres idosas no país.

Neste dia, 8 de março, o foco recai sobre as lutas e desafios enfrentados pelas mulheres mais jovens, mas é crucial reconhecer e valorizar o papel fundamental das mulheres com mais de 60 anos nesse cenário. Essas mulheres, muitas vezes invisibilizadas pela sociedade, carregam consigo um legado de experiências, sabedoria e resiliência que moldaram o mundo em que vivemos. Elas foram pioneiras em diversas áreas, desde a luta por direitos básicos até a conquista de espaços de liderança e reconhecimento profissional.

Origens e história

As raízes do Dia Internacional da Mulher remontam ao início do século XX, um período marcado por intensas mobilizações femininas em busca de melhores condições de trabalho, direito ao voto e igualdade de gênero. Alguns dos eventos que contribuíram para a criação da data incluem:

– Greve das operárias de Nova York (1857): Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova York realizaram uma greve em protesto contra as péssimas condições de trabalho.

– Incêndio na Triangle Shirtwaist Factory (1911): Em 25 de março de 1911, um incêndio em uma fábrica de roupas em Nova York resultou na morte de 129 trabalhadoras, evidenciando as condições precárias e a falta de segurança no ambiente de trabalho.

– Celebração do primeiro Dia Nacional da Mulher (1909): Nos Estados Unidos, o primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909, em homenagem às operárias que lutavam por seus direitos.

– Instituição pela ONU (1975): Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Atualmente, o 8 de março é um dia de Reflexão, Reconhecimento, Reivindicação e Celebração. As conquistas das mulheres ao longo da história são vastas e multifacetadas, abrangendo diversos campos da sociedade. Aqui estão algumas das principais:

Direitos políticos e civis

Direito ao voto: Uma das conquistas mais emblemáticas, permitindo que as mulheres participem ativamente da vida política de seus países.

Acesso à educação: A luta pelo direito à educação abriu portas para o desenvolvimento intelectual e profissional das mulheres.

Igualdade perante a lei: A busca por leis que garantam a igualdade de direitos entre homens e mulheres em todas as esferas da vida.

Mercado de trabalho e economia

Acesso ao mercado de trabalho: A inserção das mulheres no mercado de trabalho, superando barreiras e preconceitos, impulsionou a economia e transformou as relações sociais.

Direito à igualdade salarial: A luta por salários justos e igualitários, combatendo a disparidade salarial entre homens e mulheres.

Empreendedorismo feminino: O crescimento do empreendedorismo feminino, com mulheres criando e liderando seus próprios negócios.

Saúde e direitos reprodutivos

Acesso à saúde: A luta por acesso a serviços de saúde de qualidade, incluindo saúde sexual e reprodutiva.

Direitos reprodutivos: A busca pelo direito de tomar decisões sobre o próprio corpo e a própria fertilidade.

Combate à violência contra a mulher: A luta contra a violência doméstica, o assédio e outras formas de violência de gênero.

Outras conquistas relevantes

Participação na ciência: A presença crescente de mulheres na ciência, quebrando estereótipos e contribuindo para o avanço do conhecimento.

Liderança em diversos setores: A ascensão de mulheres a cargos de liderança em empresas, governos e organizações da sociedade civil.

Expressão artística e cultural: A valorização da produção artística e cultural feminina, reconhecendo a importância da voz das mulheres na arte e na cultura.

A luta pela igualdade de gênero ainda não acabou. Em muitos lugares do mundo, as mulheres ainda enfrentam discriminação, violência e desigualdade. No entanto, as conquistas alcançadas até o momento são um testemunho da força e da resiliência das mulheres, e um incentivo para continuarmos lutando por um futuro mais justo e igualitário.

Conquistas e desafios no Brasil

Apesar dos obstáculos, as mulheres 60+ têm conquistado cada vez mais espaço e reconhecimento no Brasil. Elas estão presentes em movimentos sociais, organizações não governamentais, universidades e centros de pesquisa, contribuindo com sua experiência e conhecimento para a construção de um país mais justo e igualitário.

As mulheres idosas no Brasil enfrentam uma série de desafios complexos e interligados, que refletem as desigualdades de gênero e etárias presentes na sociedade. Alguns dos principais desafios incluem:

Discriminação e preconceito – Etarismo: A discriminação com base na idade é um problema sério, que se manifesta em diversas formas, desde a exclusão do mercado de trabalho até a invisibilidade social. Discriminação de gênero: As mulheres idosas enfrentam uma dupla discriminação, por serem mulheres e por serem idosas, o que agrava as desigualdades.

Violência e abandono – Violência: Infelizmente, muitas mulheres idosas ainda sofrem diversas violências, muitas delas dentro de seus lares, seja por parte de seus parceiros, familiares ou cuidadores. A violência financeira vem se destacando entre as violências. Abandono familiar: O abandono e negligência familiar é uma realidade triste e crescente, que deixa muitas mulheres idosas em situação de vulnerabilidade. Violência institucional: O Estado, ou seja, o descumprimento do que consta no Estatuto da Pessoa Idosa, tem sido um dos maiores violadores. Muitas mulheres idosas enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde de qualidade, especialmente em áreas rurais e periféricas. A falta de espaços de convivência pode levar muitas mulheres idosas ao isolamento social, assim como a falta de políticas públicas pode levar a problemas de saúde mental.

Condições econômicas – Aposentadoria e renda: muitas mulheres idosas dependem de aposentadorias baixas, o que dificulta o acesso a bens e serviços essenciais. Mercado de trabalho: A dificuldade de se manter ou retornar ao mercado de trabalho, devido ao preconceito etário, gera insegurança financeira.

Exclusão digital – Acesso à internet: A falta de estrutura, acesso e familiaridade com a internet dificulta o acesso a informações, serviços e comunicação, aumentando o isolamento social.

Falta de políticas públicas adequadas – Políticas de cuidado: A falta de políticas públicas que incentivem e apoiem os cuidados de longa duração, especialmente para mulheres que cuidam de outros idosos ou pessoas com deficiência. Políticas de combate à violência: A necessidade de políticas públicas eficazes para prevenir e combater a violência contra a mulher idosa.

É fundamental que a sociedade brasileira reconheça e enfrente esses desafios, promovendo políticas públicas e ações que garantam os direitos e o bem-estar das mulheres idosas, valorizando sua experiência e contribuição para a sociedade.

Celebrando o legado e construindo o futuro

Neste Dia Internacional da Mulher, é essencial reconhecer e celebrar o legado das mulheres 60+. Suas histórias de vida, suas lutas e suas conquistas são um patrimônio que deve ser valorizado e transmitido às futuras gerações.

Ao mesmo tempo, é preciso continuar lutando por políticas públicas e ações que garantam os direitos, a dignidade de suas vidas cada vez mais longevas e o bem-estar, combatendo o preconceito e a discriminação e promovendo o envelhecimento digno.

Nós, mulheres 60+, somos muito mais do que avós, donas de casa ou aposentadas. Somos mulheres fortes, frágeis, independentes, dependentes…, que continuamos a escrever nossa história e a construir um mundo melhor, afinal, o futuro é velho!

 

Fonte – Dino

Foto – Divulgação

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