O cheirinho inconfundível de pão de queijo quentinho saindo do forno é um dos convites mais irresistíveis do cotidiano brasileiro. Celebrado anualmente em 17 de agosto, o Dia do Pão de Queijo presta homenagem a essa iguaria de casca dourada e interior macio que nasceu no coração de Minas Gerais e conquistou o status de verdadeiro patrimônio gastronômico nacional. O pãozinho é tão popular que figura entre os cinco tipos de pães mais consumidos no Brasil, movimentando cerca de 430 mil toneladas anuais nas padarias do país. Seja acompanhado por um café passado na hora, recheado com ingredientes doces ou salgados, ou na prática versão congelada que ganhou o comércio global, o quitute prova que a tradição e a inovação caminham juntas, transformando uma receita simples do século XVIII em um fenômeno de exportação e afeto.
Uma receita nascida do improviso e da história
Embora ninguém saiba a data exata em que o pão de queijo foi criado, historiadores e tradições orais apontam que sua origem remonta ao século XVIII, em pleno período colonial e da escravidão em terras mineiras. Naquela época, a farinha de trigo disponível nas fazendas era de baixíssima qualidade e de difícil acesso. Para substituí-la na hora de preparar os pães servidos aos senhores das terras, as cozinheiras recorreram ao polvilho, um derivado da mandioca herdado da cultura indígena.
À base de polvilho, as cozinheiras adicionaram ingredientes que sobravam e eram abundantes nas propriedades rurais: ovos, leite e pedaços de queijo endurecido. Assados originalmente em antigos fogões a lenha, esses primeiros bolinhos rústicos deram início a uma tradição de consumo irresistível que atravessaria gerações.
Do lanche de fazenda ao mercado internacional
Se no passado a receita ficava restrita ao ambiente doméstico e às fazendas de Minas Gerais, o cenário mudou drasticamente nas últimas décadas. A receita caseira da Dona Dalva, que fundou a Forno de Minas em 1990 ao lado de seus filhos Helder e Hélida Mendonça e do sócio Vicente Camiloti, foi um dos grandes motores dessa transformação. A empresa familiar de Contagem (MG) orgulha-se de ter sido a pioneira na comercialização do pão de queijo congelado no mercado brasileiro, assumindo o papel de guardiã da receita autêntica.
Atualmente, o pão de queijo não é apenas uma paixão nacional, mas também um produto de exportação altamente competitivo. A indústria mineira produz mensalmente cerca de 1.800 toneladas da iguaria — o equivalente a mais de 50 milhões de bolinhas de queijo — e exporta para 16 países, incluindo mercados como Estados Unidos, Canadá, Japão, Portugal, Emirados Árabes Unidos e China. “Fazemos questão de utilizar queijo de verdade – nada de aroma – produzido com todo o cuidado e sabor que os nossos clientes prezam”, destaca Helder Mendonça, CEO da Forno de Minas, reforçando que qualidade e tradição devem andar de mãos dadas.
Inovação e saudabilidade nas padarias brasileiras
A importância do quitute é referendada pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). De acordo com dados do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC), a categoria de “pães com queijo” representa 7,05% de todo o consumo de panificados no Brasil, ficando atrás apenas do tradicional pão francês e dos pães macios artesanais. Para o presidente da Abip, Paulo Menegueli, saborear um pão de queijo fresquinho é uma experiência indescritível, o que tem levado os panificadores a investirem cada vez mais em receitas diferenciadas e queijos especiais.
Essa busca constante por inovação transformou as padarias em verdadeiros laboratórios de sabor. Hoje, o Dia do Pão de Queijo é celebrado com criações audaciosas que vão muito além da receita convencional. É possível encontrar hambúrgueres que usam pão de queijo no lugar do pão tradicional, além de recheios que variam desde doce de leite, goiabada e chocolate até frango, carne bovina e carne de porco.
Essa incrível versatilidade culinária se soma a um forte apelo de saudabilidade. Por ser naturalmente livre de glúten (gluten-free), assado e livre de aditivos químicos, o pão de queijo se enquadra perfeitamente nas exigências modernas de alimentação saudável e equilibrada, sem abrir mão do sabor marcante que agrada a todas as idades.
Como celebrar este patrimônio gastronômico?
Não faltam motivos para participar das comemorações. Seja consumindo o quitute quente ou frio, no café da manhã ou no lanche da tarde, puro ou combinado com geleias, patês, café ou até mesmo um bom vinho, o importante é valorizar essa história. Ao visitar a sua padaria favorita neste Dia do Pão de Queijo, lembre-se de que cada mordida carrega séculos de cultura, criatividade e afeto moldados na identidade do povo brasileiro.
Fonte – Forno de Minas e ABIP
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – SindFast




