Ciência e Tecnologia

Pesquisadores do Amazonas publicam artigo sobre situação epidemiológica do coronavírus

Conforme ressaltaram os autores Ananias Alves Cruz e Johnson Pontes de Moura no artigo intitulado: “considerações sintomáticas e medicamentosas a respeito do novo coronavírus: uma revisão da literatura sobre farmacologia, efeitos adversos, fisiopatogenia e formas de tratamento da covid-19”, a atividade pró trombótica atípica mais endotelite disseminada (cita o estudo que trouxe aqui recentemente no artigo) e, por conseguinte, os profissionais de saúde deverão atuar nestas duas frentes parece ser o caminho pra reduzir morbidade e mortalidade nos casos graves.

Johnson Moura também ressalta no artigo publicado que O SARS-CoV-2, diferentemente dos outros da mesma família (SARS-CoV e MERS), liga sua proteína Spike (S) a diversos receptores situados na membrana plasmática de células de vários tecidos e órgãos do corpo humano!!! Isso faz com que a sua ação atinja não apenas os pulmões (pneumonia e trombose – tempestade de citocinas ou ACE2), mas também de forma sistêmica no sangue e nos vasos sanguíneos (tecido endotelial).

Portanto, atua neste sentido no enfraquecimento da célula cardíaca (célula estriada cardíaca – discos intercalares), e também na redução no transporte de oxigênio pela molécula de hemoglobina, alterando a ligação do Ferro 2 para Ferro 3 que é altamente tóxico!!!

Além disso, o Sars-COV-2 altera a eficácia na redução de oxigênio na molécula de Hemoglobina, de forma a alterar o estado de oxidação de Fe2+ para Fe3+. Portanto, em decorrência dos argumentos elencados no artigo publicado, ocorre a sensação de falta de ar intensa nos casos em estado grave dos infectados pelo novo CoronaVirus.

Sete coronavírus causam doenças em humanos

Conforme o Médico Infectologista e Doutor em Epidemiologia (Sérgio de Andrade Nishiokaseu) retratou historicamente os tipos de Corona Virus no seu blog

“Realités biomédicales”, publicado no jornal francês Le Monde, o divulgador científico Marc Gozlan faz um relato dos 90 anos de história dos coronavírus e das doenças humanas e animais causadas por eles [1].

Foi observado que na década de 1930 que três doenças verificadas em animais eram causadas por vírus, sem que se estabelecesse que houvesse um parentesco entre eles. Foram esses vírus os causadores da bronquite infecciosa aviária, doença ainda hoje de grande importância econômica para os criadores de frangos, inclusive no Brasil, da gastroenterite suína transmissível, e da hepatite murina (de camundongos).

O primeiro coronavírus só foi descrito, contudo, em 1965, quando se verificou experimentalmente ser ele causador de resfriados em humanos.

O mesmo vírus foi isolado no ano seguinte e recebeu o nome de HCoV 229E, que foi a denominação que prevaleceu.

Outro coronavírus, o HCoV-OC43, foi isolado em 1967, e nos anos subsequentes ficou definida sua relação com resfriados em humanos. O nome coronavírus surgiu em 1969, e foi ainda naquela década que se estabeleceu que esses dois vírus causadores de resfriados em humanos pertenciam ao mesmo grupo de vírus causadores das doenças em animais citadas anteriormente.

Em 1975 foi criada a família Coronaviridae, que atualmente se compõe de quatro gêneros, os alfacoronavírus, betacoronavírus, gamacoronavírus e deltacoronavírus, sendo que os dois primeiros acometem sobretudo mamíferos, e os demais, aves.

Os morcegos são os principais reservatórios de alfa e betacoronavírus na natureza. Com o melhor conhecimento dos coronavírus foram desenvolvidos testes sorológicos para determinar a presença de anticorpos desenvolvidos em resposta às infecções por eles causadas.

Estudos soroepidemiológicos revelaram que infecções respiratórias humanas por coronavírus são, nos climas temperados, mais frequentes no outono e na primavera, que eles podem causar até um terço das infecções respiratórias em período epidêmico, que são responsáveis por cerca de 15% dos resfriados em adultos, e que podem infectar pessoas de todas as idades, mas principalmente crianças. Causam infecções respiratórias altas, em geral leves, mas podem ocasionalmente ser causa de pneumonia em crianças e adultos jovens.

Podem também desencadear crises de asma em crianças, e exacerbar a bronquite crônica em adultos e idosos. Note-se que em animais de criação é mais comum que infecções por coronavírus causem infecções gastrointestinais.

Por causarem apenas infecções leves e moderadas os coronavírus não suscitaram grande interesse nas comunidades médica e científica até o surgimento em 2002, na China, da síndrome respiratória aguda grave, mais conhecida pela sigla SARS, do nome em inglês desta síndrome, e o reconhecimento em 2003 de que ela era causada por um coronavírus até então desconhecido, que foi denominado SARS-CoV.

A epidemia de SARS se desenrolou de novembro de 2002 a julho de 2003, período no qual foram observados 8098 casos em 29 países, com 774 mortos. Não foram relatados mais casos desde então.

A transmissão desse vírus de seu reservatório natural, um morcego, para o homem se deu através de um pequeno carnívoro conhecido como civeta (Paguna larvata).

Numerosos coronavírus foram descritos desde que o interesse neles se renovou após o surgimento da SARS. Dois deles infectam o homem, o HCoV-NL63 e o HKU1, que foram isolados de pacientes que apresentaram infecções respiratórias altas ou baixas.

Em 2012 ocorreu no Oriente Médio um surto de uma nova infecção respiratória grave, denominada MERS, e causada por um coronavírus até então desconhecido, o MERS-CoV. Embora o primeiro caso de MERS tenha sido descrito na Arábia Saudita, retrospectivamente se verificou que existiram no mesmo ano casos anteriores na Jordânia em trabalhadores de saúde de uma unidade de terapia intensiva. Continuam até hoje a ser notificados casos de MERS naquela região, a grande maioria na Arábia Saudita, sendo que o total acumulado até janeiro de 2020 era de 2519, com 866 óbitos.

O principal reservatório animal do MERS-CoV é o dromedário, que também transmite este vírus para o homem, muito embora a maioria dos casos até agora conhecidos sejam de transmissão inter-humana em estabelecimentos de saúde.

Vale ressaltar que O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus que se sabe infectar o homem. A maioria desses sete, inclusive o MERS-CoV têm como ancestrais coronavírus de morcegos, sendo exceções o HCoV-OC43 e o HKU1, que parecem se originar de coronavírus de roedores. SARS-CoV-2, SARS-CoV, e MERS-CoV causam infecções graves e epidemias, enquanto que os outros quatro são causas comuns de resfriados e estima-se que causem de 10 a 30% das infecções respiratórias altas no adulto.

Não está estabelecido se infecções prévias por um ou mais desses quatro coronavírus pode ter alguma influência na resposta imunológica de uma pessoa infectada pelo SARS-CoV-2.

Confira na íntegra a situação atual da pandemia do Novo Coronavírus.

 

 

REFERÊNCIA

[1] Gozlan M. Il était une fois les coronavirus. Le Monde, 27.03.2020  – Disponível em

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

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