Ciência e Tecnologia

Pesquisadores do Inpa conquistam apoio nacional para ampliar estudos sobre estresse climático

Projetos voltados ao estresse climático reforçam a importância da ciência produzida na Amazônia para enfrentar desafios ambientais globais.
Mais de 400 propostas de pesquisadores em início de carreira foram avaliadas, destacando a competitividade do processo seletivo.
Dois cientistas da instituição estão entre os selecionados na 9ª Chamada Serrapilheira, uma das mais disputadas do país.

A produção científica da Amazônia ganhou novo reconhecimento nacional. Dois pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) foram contemplados na 9ª Chamada Pública de Apoio à Ciência, promovida pelo Instituto Serrapilheira. A seleção reuniu mais de 400 propostas de cientistas em início de carreira de todo o Brasil e premiou projetos inovadores, incluindo pesquisas relacionadas ao estresse climático, tema estratégico para compreender os impactos das mudanças ambientais e fortalecer soluções baseadas em ciência.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) terá dois novos projetos financiados pelo Instituto Serrapilheira, na 9ª Chamada Pública de Apoio à Ciência. Dos 404 projetos inscritos, apenas 10 foram selecionados. O resultado coloca a Amazônia no centro de duas apostas de alto nível competitivo em ecologia e comportamento animal.

“O estresse climático de longo prazo pode causar uma espécie de “dendropausa”, na qual árvores amazônicas gigantes param de produzir hormônios‑chave e se tornam mais propensas à morte?”, proposta do pesquisador do Inpa, Israel de Jesus Sampaio Filho, vai investigar se o estresse climático de longo prazo pode causar uma “dendropausa” – situação em que árvores amazônicas gigantes param de produzir hormônios-chave e ficam mais vulneráveis à morte.

O projeto vai medir hormônios de estresse em folhas de árvores gigantes sob seca natural e experimental, unindo ecohidrologia de campo, fisiologia e análises fitohormonais em laboratório, com parcerias da Universidade do Estado Amazonas (UEA) e instituições nacionais e internacionais.

“Estou muito feliz em estar entre os contemplados. Esse apoio representa uma grande oportunidade para meu início de carreira como líder de projeto, com uma equipe de grande peso. Vamos testar uma pergunta de alto risco com potencial de abrir um caminho novo na ciência da Amazônia”, diz Israel.

“Tartarugas que ‘conversam’: comunicação acústica na Amazônia”, do biólogo Gabriel Jorgewich Cohen, também pesquisador do Inpa, vai desenvolver, ao longo de cinco anos, um estudo sobre flexibilidade da comunicação acústica em quelônios, com foco na tartaruga-da-Amazônia.

De acordo com o pesquisador, a hipótese é que ambientes e interações sociais diferentes influenciam a complexidade dos sons emitidos. “Existe uma teoria de que quanto mais complexas são as relações sociais, mais complexo tende a ser o repertório acústico. Queremos entender se isso se aplica às tartarugas e quais fatores – isolamento geográfico, ambiente ou aprendizado – influenciam essas variações”, explica.

O estudo combina experimentos de campo e cativeiro, incluindo playbacks e testes de interação entre populações. Além do avanço em biologia evolutiva, a pesquisa pode subsidiar conservação de espécies ainda pouco estudadas.

“Fiquei muito feliz. É um sinal de que existe interesse da comunidade científica no que estou desenvolvendo. Esse apoio dá um impulso não só financeiro, mas também um impulso moral”, relata Gabriel.

Também chegaram ao processo final da Chamada Pública, as pesquisadoras do Inpa, Aline Martins (que trabalha com ecologia evolutiva e biogeografia, com ênfase em abelhas) e Dirce Komura (das áreas de genética e micologia, especialmente a diversidade de fungos). Elas ficaram entre os 40 finalistas que participaram da etapa da entrevista.

Os projetos de Israel e Gabriel começam em 2026, com duração de cinco anos. O Serrapilheira investe até 700 mil reais por projeto, com foco em ciência de fronteira minimizando burocracias de execução.

Pioneirismo feminino

O INPA soma agora quatro pesquisadores financiados pelo Instituto Serrapilheira. Fernanda Werneck foi a pioneira, com o projeto sobre impactos das mudanças climáticas na megadiversidade neotropical, usando lagartos do gradiente Amazônia-Cerrado para testar adaptação evolutiva e risco de extinção local. Seu trabalho foi contemplado em 2019 e, durante anos, foi o único projeto da região norte apoiado pelo Programa Ciência do Serrapilheira.

“Fiquei muito feliz de ver dois novos colegas contemplados. Quatro novos pesquisadores foram classificados para fase final – a vontade era que todos/as tivessem conseguido o financiamento! Isso mostra, e muito, a excelência e competência das pesquisas que nós aqui no Inpa fazemos, nas mais diversas áreas do conhecimento.”

Werneck complementa dizendo que a oportunidade trouxe várias possibilidades para o desenvolvimento das suas pesquisas, além de toda rede de apoio e iniciativas inovadoras no cenário científico nacional que o Serrapilheira oferece, um suporte essencial para pesquisadores em início de carreira. A pesquisadora do Inpa mantém uma parceria com o Instituto até hoje.

Mais recentemente, a engenheira florestal Lydiane Lucia foi contemplada com seu projeto de IA aplicada a sementes nativas, usando raio-X e machine learning para prever a viabilidade de sementes de 200 espécies amazônicas, reduzindo tempo de laudo e apoiando a cadeia de restauração. A pesquisadora reitera a qualidade dos pesquisadores e dos trabalhos desenvolvidos no Inpa:

“A pesquisa do Inpa só tem a ganhar com esses financiamentos do Serrapilheira. Projetos incríveis e inovadores vão ganhar o incentivo que precisavam para alavancar a ciência amazônica! Além disso, ter vários projetos do Inpa aprovados nesta chamada, mostra o alto nível das nossas pesquisas, uma vez que esse edital é um dos mais concorridos do mundo!”, comemora.

 

 

 

Fonte – INPA

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Carol Sackser

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