No contexto dos sistemas de energia, a resiliência significa a capacidade de uma rede de resistir a eventos climáticos extremos e se recuperar o mais rápido possível caso ocorra uma interrupção no fornecimento de energia. Para garantir essa capacidade, os países investem em melhorias, dependendo das condições a que as redes estão sujeitas, como o frio, o calor, a neve, o vento e as tempestades. Segundo o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, essa característica tem se tornado uma prioridade global para garantir a segurança energética.
Conforme o docente, em regiões sujeitas a frio extremo, como áreas árticas e subárticas, e em países com clima tropical, como o Brasil, a adaptação da infraestrutura elétrica é crucial para evitar apagões e minimizar os impactos de eventos severos. Nas áreas congeladas, as tempestades de inverno e acúmulo de gelo sobre linhas de transmissão podem causar rupturas e colapso de estruturas.
“Empresas do setor têm investido em tecnologias inovadoras, como linhas que eliminam o gelo acumulado e revestimentos especiais para evitar sua formação. Além disso, as redes inteligentes, conhecidas como smart grids, monitoram e corrigem falhas automaticamente, enquanto baterias de grande escala armazenam energia para uso em emergências”, exemplifica Caneppele.
Investimentos
Segundo o especialista, no Chile as condições de neve, particularmente nas regiões andinas, apresentam desafios semelhantes e, para enfrentá-los, o país tem reforçado sua infraestrutura elétrica e implementado sistemas de alerta precoce. Ele explica que as linhas de transmissão desse local são projetadas para suportar grandes cargas de neve, e o monitoramento constante permite prever os impactos de tempestades. Além disso, o Chile tem investido na diversificação energética, expandindo o uso de fontes renováveis, como a solar e a eólica, para reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
Por outro lado, o Brasil enfrenta desafios distintos devido à sua localização tropical. Tempestades, inundações, secas severas e incêndios florestais ameaçam a infraestrutura elétrica de maneira diversa. Caneppele conta que as tempestades costumam derrubar árvores sobre linhas de transmissão, enquanto inundações podem submergir subestações, interrompendo o fornecimento de energia em larga escala. A seca, por sua vez, afeta diretamente a produção de energia hidrelétrica, principal fonte energética do País.
Para mitigar esses impactos, o Brasil tem investido em energia solar e eólica que, além de reduzir emissões de gases de efeito estufa, tornam a rede elétrica mais resiliente. O País também tem reforçado o planejamento de contingências e promovido treinamentos regulares para equipes de emergência. Conforme o professor, essas ações tentam responder de forma eficaz às crises energéticas provocadas por desastres climáticos.
Soluções
Tanto no Brasil quanto no Chile, políticas públicas desempenham papel essencial na modernização da infraestrutura elétrica. No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza fiscalização contínua e exige que concessionárias elaborem planos detalhados de contingência. Já no Chile, a Comissão Nacional de Energia (CNE) incentiva o uso de tecnologias resilientes e a integração de fontes renováveis.
Para Fernando de Lima Caneppele, a troca de experiências entre Brasil, Chile e outros países com diferentes condições climáticas é vital para a inovação e implementação de soluções eficazes. Enquanto o Brasil lida com desafios tropicais, o Chile avança em sua adaptação às nevascas, mas ambos os casos destacam a importância de uma abordagem global e integrada para garantir a segurança energética e a sustentabilidade.
“A conscientização pública também é fundamental. Campanhas educativas ajudam a população a entender a importância da resiliência das redes elétricas e a adotar medidas para mitigar os impactos de eventos extremos. Ao unir esforços locais e globais é possível construir sistemas energéticos mais robustos e preparados para enfrentar os desafios climáticos do futuro”, conclui.
Fonte – USP
Foto – gov.br/aneel