Ciência e Tecnologia

Revisão Sistemática dos Métodos de Detecção do Novo Coronavírus

No final do ano de 2019, na China, apareceram os primeiros casos de pacientes infectados pelo SARS-COV-2. O que parecia ser apenas um surto, foi rapidamente se transformando em uma epidemia e logo chegou à uma pandemia. Até o momento, nenhuma terapêutica precisa foi determinada para o tratamento da doença. Este artigo tem como objetivo revisar todas as terapêuticas que estão sendo estudadas para combater o coronavírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o novo coronavírus poderá nunca desaparecer do planeta, tornando-se uma realidade de longo prazo em nossas vidas. Dois exemplos são marcantes. O HIV está entrando em sua quinta década e hoje não causa mais tanto pânico porque existem formas de controlá-lo com métodos de prevenção e medicamentos. Já a varíola, que teve sua vacina desenvolvida em 1796, foi erradicada somente em 1980, após 184 anos. Outro ponto a ser destacado é que temos vacinas eficazes para doenças que até hoje não foram erradicadas. Basta observar os recentes surtos de sarampo em todo o mundo.

Segundo pesquisadores da FAPESP a variedade do novo coronavírus atual predominante no mundo é ligeiramente diferente daquela identificada em dezembro em Wuhan, na China, e possivelmente capaz de infectar as pessoas com mais facilidade. Essas conclusões foram apresentadas por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido em um manuscrito depositado em 30 de abril no repositório de artigos científicos bioRxiv. No trabalho, ainda não publicado em revista científica nem avaliado por especialistas, a equipe coordenada pela bióloga Bette Korber, do Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL), nos Estados Unidos, analisou 6.346 genomas do vírus Sars-CoV-2 provenientes do mundo todo, armazenados em uma base de dados genéticos alemã. Na análise do material genético das diferentes variedades do novo coronavírus que surgiram desde o começo da pandemia, os pesquisadores identificaram 14 alterações no gene que codifica a proteína S das espículas, estruturas pontiagudas que recobrem o vírus e o ajudam a aderir às células das vias respiratórias e invadi-las.

Os pesquisadores identificaram uma alteração em especial: a D614G. Ela identifica uma cepa do Sars-CoV-2 que surgiu no final de janeiro e sofreu a troca de apenas uma de suas quase 30 mil bases nitrogenadas, as unidades formadoras do material genético do vírus. Em um trecho específico do gene da proteína S, a base nitrogenada adenina (A) substituiu a guanina (G) original da variedade do vírus identificada em Wuhan em dezembro de 2019. Vale ressaltar que neste estudo não é possível saber se a cepa D614G surgiu na China ou na Europa, mas, segundo os autores do estudo, foi a partir do continente europeu que ela rapidamente ganhou o mundo. Ela foi identificada na China e na Alemanha quase simultaneamente nas últimas semanas de janeiro. Logo depois estava na Itália e na costa leste dos Estados Unidos. No final de março, a cepa D614G já teria se tornado a mais comum no mundo: era a variedade dominante em 13 dos 14 países dos quais vinham os genomas virais analisados.

Em conforme pesquisas atuais destes cientistas que esta nova variedade do SARS-COV-2 seja mais contagiosa do que as outras porque, em todos os locais em que apareceu, ela logo se sobrepôs às cepas iniciais e em semanas tornou-se a mais comum. Por ora, não há indícios de que a cepa D614G cause uma doença mais grave do que as outras variedades do Sars-CoV-2 nem que seja mais difícil de combater. Os pesquisadores também não sabem se essa mutação seria a única responsável por tornar o vírus mais contagioso – algumas vezes, ela era acompanhada de duas outras alterações, em genes codificadores de outras proteínas virais.

Portanto, conforme estes estudos realizados, a mutação D614G preocupa os autores da pesquisa porque a proteína S está sendo usada na produção de compostos candidatos a vacina contra o novo coronavírus. Também é contra essa proteína que agem alguns anticorpos que pesquisadores buscam para neutralizar o vírus. Caso as vacinas em desenvolvimento tenham sido produzidas apenas a partir das cepas iniciais do vírus, é possível que não gerem a proteção desejada em um cenário em que a variedade D614G seja predominante. A proteína S das primeiras variedades pode ser muito diferente da encontrada na D614G, e as vacinas podem estimular a produção de anticorpos que não a reconhecem. O mesmo pode acontecer com os anticorpos que alguns pesquisadores tentam gerar em laboratório contra o Sars-CoV-2. Se tiverem sido produzidos contra o vírus das cepas antigas, podem não ser capazes de inativar o da D614G.

Em outra pesquisa, publicada em 5 de maio na revista “Infection, Genetics and Evolution”, cientistas da França e do Reino Unido compararam 7.666 genomas do novo coronavírus e encontraram ao menos 198 mutações que apareceram de modo recorrente. Segundo o trabalho, coordenado pelo biólogo François Balloux, da University College London, cerca de 80% das alterações induziam à troca de aminoácidos, a unidade formadora das proteínas – a mudança de um aminoácido pode alterar a estrutura tridimensional de uma proteína e modificar sua função. Na opinião dos pesquisadores, isso sugere “uma possível adaptação em curso do Sars-CoV-2” aos hospedeiros humanos. Quatro genes, três que codificam proteínas internas e um com a receita da proteína da espícula, sofreram um número elevado de mutações (mais de 15). “Monitorar o acúmulo de mutações e os padrões de diversidade genética do Sars-CoV-2 tem o potencial de informar alvos para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas”, escreveram os autores.

Os imunoensaios são testes químicos usados para detectar ou quantificar uma substância específica, em uma amostra de sangue ou de fluido corporal, usando uma reação imunológica altamente sensível e específica. Sua alta especificidade resulta do uso de anticorpos e antígenos purificados como reagentes. Um anticorpo é uma proteína (imunoglobulina) produzida pelos linfócitos B (células imunes) em resposta à estimulação por um antígeno. Desta forma, imunoensaios medem a formação de complexos antígeno-anticorpo e os detectam através de uma reação indicadora.

Neste contexto, os imunoensaios são baseados nos princípios de que antígenos específicos estimularão respostas imunes muito específicas; um anticorpo, que se liga a uma proteína específica do vírus em um paciente, adicionando uma proteína repórter adicional, é possível detectar um sinal imunológico específico do vírus para confirmar a presença de infecção viral em andamento (IgM ou IgA) ou infecção viral antiga (IgG e status imune).

Ao contrário do RNA, os anticorpos são duradouros e podem persistir na corrente sanguínea por muitos anos após a infecção. Assim, os imunoensaios nos permitem identificar pacientes que tiveram COVID-19, retrospectivamente (IgG positiva – imunidade). O tipo de anticorpo e seus níveis relativos também podem ser usados para indicar o estágio da infecção e estimar o tempo desde a exposição para rastreamento do contato.

Vale ressaltar que os testes com anticorpos também têm suas limitações. Com os estudos que temos até agora, parece que a resposta inicial de anticorpos IgM ou IgA (infecção aguda) não atinge o pico até ~ 9 dias após a infecção inicial e a resposta do anticorpo IgG não atinge o pico até o dia ~ 11, no entanto, esses dados estão mudando constantemente, pois estamos falando de um novo vírus.

Quando realizada a amostragem aleatória de anticorpos do público em geral (conhecido como serosurvey), os órgãos de saúde pública poderiam estimar melhor os verdadeiros níveis de exposição e a imunidade da população resultante. Para a COVID-19, isso seria um divisor de águas, pois a transmissão verdadeira poderia ser calculada para prever a intensidade e a longevidade da pandemia para direcionar a tomada de decisões. Também vale refletir que ao identificar potenciais “hot-spots” geográficos de baixa imunidade populacional, os sistemas de saúde poderiam alocar melhor os recursos para impedir ou gerenciar a transmissão.

Confira outras informações.

 

 

Teste da COVID-19- Ação de enfrentamento ao novo Coronavírus promovido pela Fundação de Vigilância em Saúde na Universidade Estadual do Amazonas (UEA, MAIO DE 2020).

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