O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), foi apresentado na manhã desta segunda-feira (23) para representantes dos serviços veterinários de Rondônia, Acre, Amazonas, Mato Grosso, Bolívia e Peru. A proposta visa retirar a vacinação contra a febre aftosa em todo o país. O Plano Estratégico traçado para execução entre os anos de 2017 e 2026 começará pelos estados de Rondônia e Acre, que compõe o primeiro dos cinco blocos estabelecidados pelo MAPA.
De acordo com Guilherme Marques, diretor nacional do Departamento de Saúde Animal do MAPA, que apresentou o plano nacional, a escolha dos estados se deu em virtude das condições sanitárias, qualidade técnica dos profissionais veterinários, condições de fiscalização pela Agência de Defesa Sanitária, segurança das fronteiras e erradicação do vírus. “Todos estes fatores foram exaustivamente pesquisados e analisados colocando Rondônia e Acre na frente de trabalho do Plano Estratégico. É um trabalho gradativo que será efetuado em etapas, monitorando todos os dados e avaliando suas consequências, pois todo este trabalho tem um risco e precisamos ficar atentos. Estes estados estão no primeiro bloco por preencher todos os requisitos essenciais para a retirada da vacina da maneira mais segura possível. A previsão é que a última vacinação seja realizada em maio de 2019” explicou.
Marques reforçou que no país foram feitos 570 milhões de exames sorológicos para confirmar a não circulação do vírus. “Isso nos dá propriedade técnica para executar este plano estratégico, lembrando que os maiores exportadores de carne no mundo são países que retiram completamente a vacina de seus territórios como Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Japão. As carnes exportadas por estes países, por exemplo tem um retorno financeiro muito maior, pois eles agregam valor ao produto”, disse.
José Valterlis, Superintendente Federal de Agricultura SFA/RO MAPA, acrescentou que a retirada da vacina será feita em etapas com início em 2018. “A vacinação em Rondônia iniciou dia 15 de outubro e vai até dia 15 de novembro e todos os pecuaristas terão que cumprir o calendário de vacinas 2017. A retirada é gradual, iniciando por alguns pontos no próximo ano até a extinção do procedimento em 2019. Temos que lembrar que cada passo do plano deve ser seguido de modo estratégico porque todo esse procedimento não está isento de risco. O monitoramento por meio da agência de controle deve ser rigoroso para proceder as ações traçadas”, frisou.
O presidente da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), Anselmo de Jesus, lembrou que desde 2003 Rondônia possui certificado Livre de Aftosa com vacinação. “Agora precisamos vencer uma nova etapa que é conquistar o certificado Livre de Aftosa sem vacinação. Este status nos permitirá conquistar mercados melhores, com maior competitividade na exportação de carne e produções diversos de origem bovina”, pontuou.
O presidente da Idaron ressaltou ainda que o objetivo é no futuro conter possíveis focos da doença sem precisar retornar com a vacinação. “Estamos trabalhando para alcançar esta capacidade técnica. Para isso, precisamos cumprir as metas estabelecidas, que são muito rígidas, mas temos condições de alcançá-las. Nossos serviços veterinários e controle de fronteiras são destaque em nível nacional, caracterizando-se assim as competências e qualidade que o estado possui para erradicar a vacina a contra febre aftosa”, concluiu.
Fonte – O Rondoniense