Ciência e Tecnologia

Tecnologias digitais ajudam a envelhecer com mais autonomia, mostra estudo

O estudo acende um alerta para a necessidade de políticas e programas que incentivem o envelhecimento ativo com mais acesso e inclusão digital.
Celular, redes sociais e aplicativos não servem apenas para passar o tempo, eles estimulam a mente, fortalecem vínculos e ampliam horizontes.
O uso frequente de tecnologias digitais tem feito diferença na rotina de quem busca um envelhecimento ativo.

Envelhecer com autonomia é um desejo comum, e a tecnologia pode ser uma grande aliada nesse caminho. Uma pesquisa conduzida por López Moreno, Maria Celeste e equipe, em Mar del Plata, na Argentina, mostra que o uso de tecnologias está diretamente ligado ao envelhecimento ativo. Pessoas idosas que utilizam mais recursos digitais apresentam melhor desempenho cognitivo e maior independência no dia a dia.

O estudo, publicado na Revista Kairós-Gerontologia, analisou como as Tecnologias da Informação e Comunicação influenciam a memória, a atenção e a autonomia funcional. Em um mundo cada vez mais digital, entender essa relação deixou de ser curiosidade acadêmica e passou a ser uma necessidade social.

Foram avaliados 66 participantes, em sua maioria mulheres. A pesquisa mediu funções cognitivas, capacidade de realizar atividades diárias e a frequência de uso de tecnologias pessoais, domésticas e comunitárias. O contexto pós-pandemia também foi considerado, já que a digitalização avançou rapidamente, enquanto a exclusão digital continuou afetando muitos idosos.

Os resultados reforçam a importância da inclusão digital. Quem usa tecnologias com mais frequência tende a ter melhor desempenho em áreas como memória, atenção e fluência verbal. Além disso, essas pessoas demonstram mais independência para lidar com tarefas como organizar compromissos, administrar finanças e acessar serviços online.

A pesquisa também chama atenção para fatores sociais. Escolaridade e renda influenciam diretamente o acesso e a diversidade no uso das tecnologias. Quanto maior for o nível de instrução e melhores as condições econômicas, maior a familiaridade com o ambiente digital. Já a idade mais avançada aparece associada a uma redução no uso.

Outro ponto importante é a desigualdade de gênero. Mulheres idosas ainda utilizam menos tecnologias do que homens, reflexo de barreiras históricas que impactam o acesso e a confiança no mundo digital. Ao evidenciar esses dados, o estudo reforça que promover o envelhecimento ativo passa, necessariamente, por ampliar a inclusão digital e garantir que ninguém fique para trás.

Isso reforça que a inclusão digital não se limita ao acesso a dispositivos, que exige acompanhamento, formação continuada, ambientes seguros e tecnologias projetadas com acessibilidade universal. Essa perspectiva está alinhada ao conceito de “resiliência tecnológica”, entendido como a capacidade de aprender, adaptar-se, lidar com erros e encontrar sentido no uso das tecnologias ao longo da vida, algo diretamente afetado por políticas públicas, contextos socioeconômicos e oportunidades educacionais.

As autoras apontam que, na América Latina, a inclusão digital das pessoas idosas deve ser tratada como questão de equidade. Investir em alfabetização digital intergeracional, espaços comunitários de aprendizagem e tecnologias pensadas para diferentes perfis funcionais pode ampliar o protagonismo, fortalecer vínculos sociais e contribuir para a manutenção da cognição.

Mais do que correlacionar dados, o estudo provoca uma reflexão gerontológica: “que tipo de envelhecimento a sociedade digital está produzindo?”. Ao evidenciar que o uso das tecnologias pode apoiar a autonomia, favorecer a participação e ampliar horizontes cognitivos, a pesquisa convida a repensar políticas, programas e práticas de cuidado que valorizem a diversidade das velhices e o direito de todas as pessoas a participar da vida digital de forma plena e significativa.

 

 

LÓPEZ MORENO, Maria Celeste et al. Uso de tecnologías, desempeño cognitivo y actividades de la vida diaria en personas mayores argentinas: contribuciones para un envejecimiento activo. Revista Kairós-Gerontología, v. 28, n. 2, 2025.

Sob orientação de Beltrina Côrte – Jornalista, CEO do Portal do Envelhecimento. E-mail: beltrina@portaldoenvelhecimento.com.br

Edição – Coopnews

Foto – Pavel Danilyuk/pexels.

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