O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neuropsiquiátrica crônica caracterizada por sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Tradicionalmente associado à infância, o transtorno pode persistir na vida adulta e avançar para a velhice, impactando significativamente a qualidade de vida das pessoas idosas. No entanto, o reconhecimento do TDAH nessa faixa etária ainda é um desafio, devido à escassez de estudos sobre a prevalência, ao subdiagnóstico e à sobreposição dos sintomas com outras condições clínicas, muitas vezes associadas ao envelhecimento.
O diagnóstico do TDAH em pessoas idosas apresenta dificuldades específicas, uma vez que os critérios diagnósticos foram inicialmente desenvolvidos para crianças. Além disso, a sintomatologia pode se modificar ao longo da vida, tornando a hiperatividade menos evidente e destacando sintomas de desatenção e impulsividade. Um dos principais desafios diagnósticos é a diferenciação entre o TDAH e outros transtornos comuns no envelhecimento, como transtornos de humor, ansiedade e comprometimento cognitivo leve (Klen et al., 2019).
Muitas pessoas idosas com TDAH nunca receberam um diagnóstico formal na infância ou juventude, o que dificulta a confirmação retrospectiva do transtorno. A ausência de histórico diagnóstico pode levar a um subdiagnóstico significativo nessa população. Para o diagnóstico correto, é essencial a utilização de instrumentos validados para adultos e pessoas idosas, associado a uma avaliação clínica detalhada.
Os indivíduos idosos com TDAH enfrentam desafios que vão além da sintomatologia central do transtorno. Estudos indicam que o transtorno está associado a uma maior prevalência de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade (Arpawong et al., 2023). Além disso, a presença do TDAH pode impactar a funcionalidade e a capacidade das pessoas idosas em realizar atividades de vida diária, aumentando o risco de isolamento social e dificuldades em manter relacionamentos interpessoais.
O impacto do TDAH na velhice também está relacionado a variáveis sociodemográficas e cognitivas. Por exemplo, fatores como menor escolaridade, pior condição socioeconômica e acesso limitado a serviços de saúde mental podem contribuir para um pior prognóstico. Indivíduos com menor escolaridade podem ter mais dificuldades em compensar os déficits atencionais, e aqueles em situação de vulnerabilidade social podem ter acesso reduzido a diagnóstico e tratamento adequados.
Cognitivamente, o TDAH pode ser confundido com sintomas iniciais de doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer. No entanto, ao contrário das demências, os déficits cognitivos do TDAH tendem a ser mais relacionados as dificuldades de atenção sustentada e planejamento, sem o comprometimento progressivo da memória, por exemplo, sendo essa uma característica das doenças neurodegenerativas.
Estratégias de manejo devem ser adaptadas para a população idosa, incluindo abordagens farmacológicas seguras e intervenções psicoeducativas. Além disso, a inclusão de familiares e cuidadores no processo de tratamento pode favorecer a adesão terapêutica e o suporte emocional necessário para a pessoa idosa com TDAH.
Fonte – Portal do Envelhecimento
Foto – Helena Jankovičová Kováčová/pexel




