Turismo

Turismo com a força das comunidades – Cooperativas defendem desburocratização do Fungetur para alavancar destinos locais

Menos burocracia, mais impacto - Como a simplificação de garantias no fundo federal pode impulsionar pequenos empreendedores em todo o país.
Rumo à modernização - Audiência pública em Santa Catarina une parlamentares e setor produtivo para atualizar a legislação do crédito.
O poder do cooperativismo - Presença do setor eleva o PIB municipal e gera novos empregos formais na ponta do turismo.

Florianópolis (SC) sediou em julho um debate decisivo para o futuro do turismo nacional. Durante uma audiência pública promovida pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, lideranças do setor se reuniram para debater o aperfeiçoamento e a modernização do Fundo Geral de Turismo, o Fungetur. Representando o Sistema OCB, Rafaela Loezer Sanches, diretora de Turismo da Cooptur, defendeu mudanças urgentes na legislação para ampliar o acesso das cooperativas e dos pequenos negócios a esses recursos vitais. O encontro faz parte de uma rodada de seminários regionais focados em reduzir entraves operacionais e impulsionar o turismo regional e rural. Ao simplificar os trâmites de garantias e padronizar o atendimento dos agentes financeiros, a proposta busca garantir que o crédito chegue de forma rápida e justa a quem realmente faz a roda do turismo girar. Com dados robustos que comprovam o impacto do cooperativismo na geração de emprego e renda nas comunidades, o movimento se posiciona como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de destinos sustentáveis em todo o Brasil.


As cooperativas brasileiras já não são apenas participantes do mercado; elas atuam como verdadeiras forças de transformação social e econômica em seus territórios. No turismo, essa presença se dá de forma sistêmica, conectando elos essenciais que vão muito além da hospedagem convencional. As cooperativas movimentam o transporte de passageiros, oferecem crédito acessível, fortalecem a agricultura familiar, incentivam o artesanato, preservam a gastronomia típica e criam roteiros que valorizam a identidade cultural e as tradições de cada região.

Para se ter uma dimensão do impacto desse modelo nas comunidades, estudos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelam dados impressionantes: a atuação de uma cooperativa em um município é capaz de elevar o PIB per capita local em R$ 3,9 mil. Além disso, o cooperativismo gera uma média de 25,3 empregos formais adicionais para cada mil habitantes. Esses números deixam claro que investir no setor significa levar prosperidade direta e distribuição de renda para pequenos destinos que, frequentemente, ficam à margem dos grandes fluxos de investimento.

De olho nessa potência, o Sistema OCB lidera o Plano Nacional de Turismo Cooperativo. A iniciativa tem como meta integrar as ações das cooperativas no turismo sustentável, organizando e fortalecendo a oferta de experiências turísticas locais. O plano posiciona o setor como um motor de inclusão social, mostrando que o desenvolvimento econômico pode caminhar de mãos dadas com a valorização cultural.

As Barreiras que Travam o Crédito e o Fungetur

Apesar de todo o potencial transformador, a jornada dos empreendedores e cooperativas em busca de recursos financeiros ainda é marcada por obstáculos desnecessários. Durante a audiência pública, Rafaela Loezer Sanches alertou que muitas cooperativas e pequenos negócios esbarram em verdadeiras barreiras burocráticas ao tentar acessar as linhas do Fungetur.

Entre os principais entraves apontados estão as exigências de garantias desproporcionais — muitas vezes incompatíveis com a realidade das pequenas empresas —, a lentidão nos trâmites processuais e a falta de padronização nas regras de atendimento das diferentes instituições financeiras que operam o fundo. Além disso, há um desconhecimento generalizado por parte dos próprios empreendedores sobre as linhas de crédito disponíveis no programa.

Para superar esses limites, o cooperativismo defende uma reforma estrutural e contínua na gestão do Fungetur. A proposta apresentada prioriza a integração do fundo a novos mecanismos garantidores, a simplificação e agilidade dos procedimentos operacionais, a ampliação de campanhas informativas e a humanização do atendimento, assegurando que as cooperativas e os pequenos negócios tenham o suporte necessário para crescer.

Uma Legislação Moderna para o Turismo do Futuro

A urgência de modernizar o Fungetur é defendida de forma unânime por lideranças do setor e parlamentares. Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, destaca que garantir o acesso das cooperativas ao crédito é investir em um modelo econômico sustentável que gera benefícios duradouros para as populações locais. Facilitar a inovação e o investimento em infraestrutura para as cooperativas significa enriquecer o turismo de todas as regiões brasileiras.

Esse desejo de mudança encontrou eco no Legislativo. A deputada Daniela Reinehr (SC), presidente da Comissão de Turismo e integrante da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), garantiu que os seminários regionais servirão de base para construir uma nova proposta de atualização da lei do fundo. O compromisso assumido busca criar uma legislação moderna e desburocratizada, focada em tornar as garantias mais viáveis e em facilitar a distribuição de recursos para quem faz o turismo acontecer na prática.

A mesa de debates reuniu importantes forças do cenário nacional, como o Ministério do Turismo, a Caixa Econômica Federal, o Badesc, a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Fecomércio-SC e a Sociedade Rural Brasileira. O amplo engajamento sinaliza que a desburocratização do Fungetur é o caminho ideal para que o turismo e o cooperativismo alcancem o fôlego necessário para impulsionar a economia brasileira.

 

 

 

Fonte – OCB

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – CNM

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