Discernir entre uso e abuso de jogos de azar pode ser caminho para tratamento e evitar a dependência

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Projetos de lei para a regulamentação de jogos de azar e a criação de cassinos no Brasil, como o PLS 186/2014 e o PL 2648/2019, tramitam no Congresso Nacional. Parlamentares favoráveis às propostas defendem que a legalização de apostas esportivas, jogo do bicho, bingo e jogos de cassino pode trazer ganhos econômicos para o País.

Especialistas da área de saúde, entretanto, ressaltam os riscos do vício em jogos de azar e apostas, cada vez mais comuns também na internet. “Muita gente acha que é só diversão, mas tem um perigo por trás que ninguém fala”, alerta Maria Paula de Oliveira, psicóloga e supervisora do Programa Ambulatório do Jogo Patológico (PRO-Amjo) do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Maria conta que há quem consiga jogar por lazer, mas esse não é o caso dos mais de dois milhões de brasileiros com transtorno do jogo compulsivo. “O grande fator de risco é pensar em voltar a apostar para recuperar aquilo que eu perdi”, afirma Maria sobre a predisposição.

Segundo a psicóloga, o quadro de transtorno do jogo é muito semelhante ao vício em drogas. “Ele atinge, no cérebro, os sistemas que estão ligados com a recompensa e a dificuldade de parar, pensar e escolher; normalmente são pessoas muito impulsivas.”

O transtorno causa uma série de danos que prejudicam diferentes aspectos da vida do indivíduo. “A pessoa vai ficando endividada, se afasta e passa a ter muitos conflitos familiares”, conta Maria. Também são comuns sintomas de depressão e ansiedade, problemas no trabalho e o vício em substâncias como o álcool.

Diagnóstico e tratamento

O tempo de jogo, a quantidade de dinheiro investida e as tentativas frustradas de largar as apostas são alguns dos fatores para o diagnóstico em transtorno do jogo compulsivo.

Discernir uso, abuso e dependência, de acordo com a psicóloga, é uma tarefa difícil. Por isso, ela orienta que tanto jogadores quanto amigos e familiares se mantenham atentos aos sinais de alerta e sejam compreensivos com quem sofre do transtorno. “A família acaba sentindo os prejuízos associados ao comportamento, e aí muitas vezes eles ficam com raiva”, conta.

No Brasil, é mais comum a atuação de grupos de jogadores anônimos. O tratamento com profissionais, como ocorre no PRO-Amjo, consiste principalmente na psicoterapia. “A pessoa aprende quais são os gatilhos que a fazem jogar, aprende a criar uma disciplina […] e lidar melhor com as próprias emoções.”

“Apesar de parecer difícil, se faz o tratamento, o jogador se recupera. Fica bem e se dá conta de um monte de coisas que não percebia antes, vale a pena investir e buscar ajuda”, conclui Maria.

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

 

 

 

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