Precisa mudar o comportamento alimentar e evitar a compulsão? Cartilha traz orientações

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Nesses vários meses de pandemia, a população começou a expor suas preocupações com a alimentação, pois muitas famílias que antes faziam as refeições fora de casa passaram a cozinhar em casa. Para ajudar nesse quesito, a aluna de pós-graduação Shauana Rodrigues Silva Soares, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, desenvolveu a cartilha Alimentação e comportamento alimentar diante da pandemia de covid-19. O intuito do material é apresentar recomendações nutricionais que incentivem a população a adotar uma alimentação mais adequada e saudável.

A cartilha foi elaborada como parte do estudo “O impacto do isolamento social causado pela covid-19 no comportamento alimentar e consumo de álcool em pessoas com e sem transtornos alimentares”, que é realizado pelo Grupo de Estudos do Comportamento Alimentar e Transtornos Alimentares (GeComTA) da EERP, com orientação da professora Rosane Pilot Pessa. De acordo com a professora, dados preliminares do estudo apontam que, devido à pandemia, as pessoas apresentaram significativas alterações na alimentação.

A professora Rosane afirma que não foram feitas análises estatísticas muito profundas, mas os dados obtidos mostram que as pessoas têm consumido mais alimentos processados fornecidos por delivery, ingerido menos água e que os distúrbios de ansiedade e compulsão estão provocando uma maior ingestão de comida.

Com isso, o estudo se mostrou importante por significar e responder sobre as mudanças que ocorrem no comportamento alimentar da população diante do isolamento social. De acordo com Shauana, a cartilha reforça a importância de compreender o momento presente e a necessidade de informações confiáveis baseadas em evidências científicas como forma de combate às doenças e notícias falsas que circulam nas mídias. “Por isso optamos por criar este material. A ideia é disponibilizar materiais educativos ao longo do desenvolvimento do estudo, a partir das informações obtidas pela coleta de dados.”

Segundo a estudante, o material foi montado com base na literatura científica sobre recomendações para uma alimentação saudável e comportamento alimentar consciente, além dos cuidados para a higienização e o armazenamento dos alimentos. Com o conteúdo definido, buscaram adequar a linguagem para um melhor entendimento do público, com imagens simples e atraentes.

A pesquisadora conta que foram muitos os desafios, como adaptar a linguagem para um público mais amplo, selecionar imagens que ilustrassem o conteúdo, construir uma identidade única para o material ao falar, por exemplo, das sensações de fome e saciedade, apresentar atividades práticas para definir a quantidade de comida a ser consumida de forma apropriada, e, ainda, encontrar referências de órgãos governamentais e instituições de renome.

Ainda assim, tanto Rosane quanto Shauana se orgulham do trabalho feito. “O material é o primeiro fruto da construção do meu mestrado. Me sinto grata por estar desenvolvendo um estudo de tamanha importância na USP, ao lado de pessoas que são referência para a continuidade de pesquisas sobre o comportamento alimentar e os transtornos alimentares. É preciso que nós, Universidade e pesquisadores, exerçamos nosso compromisso em contribuir para a melhora da qualidade de vida da população com a oferta de informações acessíveis e de qualidade”, diz Shauana.

A professora Rosane destaca que, em meio a um período tão singular, não há espaço para a falta de cuidado e a EERP se mostra um grande exemplo por produzir tantos materiais educativos, treinamentos, palestras e pesquisas sobre a pandemia.

 

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

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