Pesquisa propõe soluções para recuperar uma das áreas de ocupação mais antigas da Amazônia

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A publicação Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim: Desafios Ambientais e Perspectivas Agrícolas, que acaba de ser lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apresenta alternativas agrícolas para a recuperação de áreas alteradas em 12 municípios do Nordeste Paraense, uma das áreas de ocupação mais antigas da Amazônia.

“Transformar as margens desmatadas, com solos de baixa fertilidade natural, com séculos de uso, como prevê o Novo Código Florestal, é desafiante em termos econômicos, financeiros e de ciência agronômica e florestal”, destaca um dos autores da obra, Alfredo Kingo Oyama Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

O autor enfatiza que recuperar áreas degradadas ou o passivo ambiental representado pelas Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas de Reserva Legal (ARL) implica em gastos financeiros, havendo necessidade de dar sentido econômico para essa recuperação.

A publicação elenca um conjunto de atividades que possibilita ao mercado participar dessa recuperação em médio e longo prazo. “A recente promulgação da Lei 14.119, de 13 de janeiro de 2021, que cria a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), pode dar nova configuração a esta proposta”, lembra o pesquisador.

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Sentido de pertencimento

Unidos pelo mesmo rio, cerca de meio milhão de habitantes vivem nesse território, composto pelos municípios de Castanhal, Curuçá, Igarapé-Açu, Magalhães Barata, Maracanã, Marapanim, Santo Antônio do Tauá, Santa Izabel do Pará, São Caetano de Odivelas, São Francisco do Pará, Terra Alta e Vigia.

Com uma população expressiva como essa, a recomposição da Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim constitui um desafio prático para a atual e futuras gerações também em termos culturais. Cada um ali sabe que “esse rio é minha rua” e que “pois é, pois é… eu não sou de igarapé”, tal como na música do compositor paraense Ruy Guilherme Paranatinga Barata (1920-1990) e seu filho Paulo André Barata (1946), citada pelo autor Alfredo Homma para ilustrar a importância do Marapanim na vida das pessoas.

“Mas é preciso fortalecer o sentido de pertencimento ao território, valorizando o rio como área de lazer e atividade produtiva, com margens preservadas, como garantia de abastecimento de água para consumo humano, irrigação e pesca, entre outras possibilidades”, exemplifica Alfredo Homma.

Soluções propostas

A obra Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim: Desafios Ambientais e Perspectivas Agrícolas, está disponível no Portal Embrapa de duas formas: por meio do link que leva direto à obra e do que leva ao repositório de publicações da Embrapa (Infoteca-e). São também autores os pesquisadores da Embrapa Adriano Venturieri e Moisés Cordeiro Mourão de Oliveira Júnior, além dos analistas Antônio José Elias Amorim de Menezes e João Paulo Castanheira Lima Both.

A publicação reúne soluções tecnológicas de várias naturezas. Além do reflorestamento, constam a criação de animais (avicultura, pecuária leiteira ou de corte, suinocultura) e atividades agrícolas como o cultivo de dendê e pimenta-do-reino. A fruticultura é representada pelo açaí, cupuaçu, bacuri, bananeira, laranjeira, limão, mamão, maracujá, pupunha, abacate, mangostão, pitaya, abricó, graviola e taperebá. . Todas estas atividades já são desenvolvidas pelos produtores da região.

O jambu aparece entre as hortaliças. As culturas anuais elencadas são o arroz, feijão, milho e soja. As culturas industriais são o cacau, café, coco, mandioca, seringueira e urucuzeiro, alguns com grande importância no passado. O cumaruzeiro e o puxurizeiro foram incluídos como potenciais, pois são cultivados com sucesso em outras partes do Estado do Pará. A obra trata ainda da disponibilidade de insumos agrícolas e do aproveitamento da parte orgânica do lixo urbano.

“A rigor, todos teriam condições de contribuir para um local mais sustentável para viver, por exemplo, não jogar lixo na rua, evitar desmatar margens de rios, evitar desperdício de água. Este é o desafio: todos podem dar a sua parcela de contribuição em prol da recuperação da Bacia do Rio Marapanim e da Amazônia”, sintetiza o pesquisador Alfredo Homma.

Vitrine tecnológica

Para tornar o rio Marapanim um ente familiar social e familiar, visando à sua recuperação, em 2017 foi criado o Comitê da Bacia do Rio Marapanim, com a participação de várias instituições. Coube à Embrapa disponibilizar tecnologias que permitissem a recuperação das margens e pudessem também gerar renda.

Como parte desse compromisso, em 6 de dezembro de 2019 a Embrapa Amazônia Oriental inaugurou o Centro de Referência em Tecnologias Agropecuárias e Florestais Sustentáveis “Eurico Pinheiro” (CRT), localizado na Rodovia Curuçá-Castanhal, Km 32, município de Terra Alta, que reúne em um mesmo espaço um complexo para formações teóricas e práticas, com sala de aula, alojamento e uma vitrine tecnológica de diversos sistemas produtivos.

“São tecnologias com possibilidades de adoção imediata, que atendem as questões ambientais e podem garantir o sustento dos produtores e moradores dos municípios que compõem essa bacia”, destaca o pesquisador e também autor Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental.

Já está em andamento a implantação de uma “vitrine tecnológica” das práticas sustentáveis disponíveis no portfólio da Embrapa Amazônia Oriental, que servirá de mostruário aos técnicos da Emater-PA e das secretarias municipais de Agricultura e/ou Meio Ambiente e aos produtores locais.

Parcerias

O estudo sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Marapanim contou com a parceria de inúmeras instituições, como: Emater-PA, Núcleo de Meio Ambiente (Numa/UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Embrapa Amazônia Oriental, Corpo de Bombeiros, Governo do Estado, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) – Campus Castanhal, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), entidades da sociedade civil organizada de cada município, igrejas, lideranças sindicais e de produtores, entre outras.

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

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