Entre fontes qualificadas e polarização político-partidária, o jornalismo está em xeque

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Uma pesquisa recente da Pew Research Center revela que os norte-americanos dão crédito ainda maior a uma notícia a partir das fontes escolhidas para compô-la e que há polarização no consumo de matérias jornalísticas, de acordo com a posição política do veículo e dos próprios leitores, em específico entre democratas e republicanos.

Na coluna Horizontes do Jornalismo desta semana, o colunista, professor e jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva destaca que a preocupação dos norte-americanos com as fontes do jornalismo é importante, justamente pela pesquisa também apontar uma espécie de escassez de fontes e autoridades nos assuntos no modelo jornalístico atual. “O jornalista tem que escolher bem suas fontes, porque elas não podem ser desqualificadas e desconhecidas para o público”, ressalta o colunista. Para Lins da Silva, outro ponto a ser observado é a repetição de fonte, que pode gerar a notícia banal e despertar suspeitas no público sobre a relação de dependência entre o jornalista e a fonte.

Lins da Silva ainda enfatiza que os grupos partidários opostos dos EUA são constantes em pesquisas e debates. “Essa polarização entre os defensores de Trump e de qualquer outro líder, que não seja ele, se repete aqui no Brasil entre os defensores de Bolsonaro e qualquer outro líder que não seja ele”, explica o professor. E essas divergências políticas também são responsáveis pela forma como o jornalismo é feito. “Veículos e profissionais do jornalismo vão se posicionar de um lado e de outro, com a tendência de isso ser bastante extremado e radicalizado”, complementa. Por fim, Lins da Silva reforça que a situação para o jornalismo é preocupante, porque coloca em xeque a credibilidade, a reputação e o futuro do jornalismo.

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

 

 

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