Inflação e recessão econômica corroem rendimento salarial do trabalhador

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Os efeitos da inflação no Brasil aparecem, também, no quanto o salário dos trabalhadores rende. Segundo boletim, dois terços dos reajustes salariais ficaram abaixo da inflação, sendo que apenas 9,5% das negociações trabalhistas resultaram em ganhos reais, ou seja, acima da inflação.

A taxa da inflação não consegue ser enfrentada pelos reajustes das empresas, que também não vendem o suficiente para compensar. “Dez por cento é uma coisa muito grande para ser atendida”, afirma o professor Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador do Projeto Salariômetro.

Outro problema aparece na desocupação: atualmente, 14,1 milhões de pessoas estão sem trabalho, às quais se somam cerca de 5,4 milhões sem sequer buscar novas oportunidades, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Temos uma inflação muito alta e uma recessão que enfraquece o lado dos trabalhadores na negociação”. Os reajustes salariais estiveram, em média, dois pontos percentuais abaixo da inflação.

A retomada da ocupação ainda é tímida: “A criação de empregos com carteira assinada vai continuar, mas não no ritmo que esperamos”. Zylberstajn também lembra que, para cada três ocupações criadas (foram criadas três milhões de um semestre para outro, em 2021), duas delas foram sem carteira assinada, indicando a prevalência do trabalho informal entre as novas oportunidades, as quais se caracterizam como ocupações de baixa qualidade.

O número de novas ocupações necessárias para atingir o patamar do pleno emprego é de dezesseis milhões.Tal cenário é possível, mas também depende de um crescimento econômico do País. Porém, Zylberstajn lembra que a Selic, taxa básica de juros, ainda está abaixo da inflação e, por isso, deve aumentar nos próximos meses. O resultado pode ser um Produto Interno Bruto (PIB) negativo para 2022.

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

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