Características dos ambientes podem contribuir para o envelhecimento cognitivo

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A prevenção de perdas cognitivas geralmente considera hábitos de vida privada, mas a presença de equipamentos públicos comerciais e culturais na vizinhança passou a ser visto como um fator igualmente importante para dimensionar sua importância. Um conceito denominado Cognabilidade, aplicado por pesquisadores americanos em “Classificação de bairros por fatores cognitivos de saúde: explorando o impacto do ambiente cotidiano no risco de demência”, procura investigar até que ponto uma comunidade apoia a saúde cognitiva através de locais para praticar exercícios, conectar-se com outras pessoas e manter ativas as mentes das pessoas idosas.

A prevenção e a mitigação do envelhecimento cognitivo são uma grande preocupação para os idosos. Foram identificados vários fatores modificáveis para a doença de Alzheimer e demência – muitos dos quais se concentram em estilos de vida ou comportamentos individuais (por exemplo, tabagismo, dieta, exercício, depressão, saúde física, níveis de educação, etc.). No entanto, os pesquisadores voltaram a sua atenção para a forma como os ambientes construídos e sociais podem influenciar estes fatores individuais. Por exemplo, é mais fácil comer de forma saudável e fazer exercícios se você mora perto de supermercados e parques públicos de alta qualidade.

O encontro entre os sujeitos é um dos fatores que definem ambiências para o bem-estar de pessoas em quaisquer idades, mas é na fase do ciclo de vida quando há maior tempo livre que se torna ainda mais importante. A qualidade desses encontros depende diretamente do ambiente construído, que promove a construção de vínculos que estabelece o senso de pertencimento na comunidade.

Este é um dos primeiros estudos a examinar como características específicas dos ambientes construídos e sociais podem contribuir para (ou mitigar) o envelhecimento cognitivo. Os pesquisadores cunharam este conceito “Cognabilidade” para indexar o quanto uma vizinhança apoia a saúde cognitiva e o envelhecimento em idades mais avançadas. (…) O local onde vivemos é muito importante para a nossa saúde e verifica-se que certos fatores podem ser mais eficazes do que outros na promoção de um envelhecimento positivo.

Morar implica em viver no espaço privado, mas também no social, quando há encontros com vizinhos, com prestadores de serviço e um público flutuante que frequenta espaços públicos, desde abrigos de ônibus até centros comerciais e culturais. O protagonismo possibilita a tomada de decisões, definição de agência, e por consequência a construção do pertencimento ao lugar, adquirindo senso de comunidade. Parece lógico que haja, sim, impactos significativos no envelhecimento cognitivo quando o isolamento torna o indivíduo distante dessas vivências positivas. Portanto, é ainda mais importante que o envelhecimento na comunidade se consolide, garantindo qualidade de vida.

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

 

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