Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado foi tema do XI Fórum da Longevidade

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No cenário da longevidade, onde a busca por um envelhecimento ativo e saudável ganha cada vez mais relevância, o Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) realizou o XI Fórum Internacional da Longevidade cujo tema foi “Desenvolvendo uma Cultura do Cuidado”. O evento ocorreu entre 28 a 30 de novembro de 2023, no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, IAMSPE, em São Paulo, um centro reconhecido por sua excelência no cuidado com a saúde das pessoas idosas. A decisão de realizar o Fórum no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) destaca o compromisso com a oferta de cuidados de alta qualidade à população idosa.

O evento foi liderado por Alexandre Kalache, médico e gerontólogo de renome internacional, presidente do ILC-BR e codiretor da Age Friendly Foundation. Kalache traz consigo uma vasta experiência e um histórico de liderança no Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sua visão enriqueceu sobremaneira a experiência do Fórum.

O XI Fórum Internacional da Longevidade reuniu uma gama de especialistas influentes no campo, os quais abordaram temas cruciais para compreender e promover a longevidade, incluindo geriatria, nutrição, psicologia, vacinação, tecnologia e inovações em cuidados, mercado de trabalho e aspectos legais. Representou uma oportunidade única para profissionais, acadêmicos e todos os interessados no campo da longevidade para trocarem conhecimentos e experiências, debaterem os desafios e oportunidades relacionados ao envelhecimento populacional.

Destaques

O XI Fórum Internacional da Longevidade trouxe consigo uma riqueza de conhecimento e experiência apresentada por palestrantes renomados, todos profissionais do IAMSPE, casa que abrigou o grande acontecimento. Segue breve relato de alguns painéis apresentados:

No primeiro dia do evento, Maurício Ventura abordou os aspectos médicos do envelhecimento, mas também enfatizou a importância de abraçar esse estágio da vida com sabedoria e preparação. Marisa Teresinha Patriarca falou sobre o envelhecimento feminino, focalizando no climatério. Sua palestra não só ofereceu informações cruciais sobre as mudanças hormonais nas mulheres maduras, mas também destacou a necessidade de cuidados específicos nessa fase da vida. Inês Maria Correa abordou o cuidado multidisciplinar, compartilhando insights sobre a importância do papel da enfermagem no suporte abrangente aos idosos, destacando ainda a colaboração necessária entre profissionais de saúde para proporcionar um cuidado integral.

Já Pe. Júlio Lancellotti, figura proeminente e reverenciada nacionalmente por sua atuação em defesa da população que vive em situação de rua, merece especial destaque pelo papel crucial desempenhado no Fórum Internacional da Longevidade. Como líder religioso dedicado, sua abordagem única e compassiva em relação à essa população tem sido uma fonte constante de inspiração. Ele ofereceu uma perspectiva incomparável sobre o cuidado, ampliando sua concepção para integrar aspectos espirituais e humanos. Sua apresentação foi mais do que uma reflexão, foi um convite à comunidade global para enxergar o envelhecimento não apenas como uma questão médica, mas também como uma jornada espiritual e emocional.

O segundo dia do XI Fórum Internacional da Longevidade proporcionou uma jornada única de conhecimento e reflexão sobre todas as fases do ser humano: da primeira infância ao envelhecimento. Margareth Dalcolmo fez uma profunda reflexão sobre a Cultura do Cuidado à luz das lições extraídas da pandemia, revelando uma combinação única de visão crítica e experiência prática. Ao colocar em destaque a importância fundamental de repensar e fortalecer os sistemas de saúde, ressaltou o papel vital da prevenção e do cuidado contínuo na promoção de uma sociedade mais saudável e resiliente. Sua abordagem incisiva e comprometida com o bem-estar coletivo enriqueceram o Fórum, inspirando todos os presentes a considerarem, de maneira mais profunda, os caminhos para a construção de um futuro mais seguro e saudável para as gerações vindouras.

Silvana Vertematti, especialista em 1ª Infância, trouxe uma perspectiva única ao explorar como o envelhecimento começa mesmo antes do nascimento. Sua apresentação destacou a influência crucial dos primeiros anos de vida na determinação do curso do envelhecimento, ressaltando a importância de cuidados e estímulos desde os estágios iniciais. Amena Ferraz, Ines Rioto e Marcos Fontoura falaram sobre a transição para a idade adulta, apontando a necessidade de se construir condições propícias para um envelhecimento saudável, e enfatizando escolhas de estilo de vida e cuidados preventivos.

Gilberto Natalini, Luísa Beatriz de Oliveira Santi e Gabriela Santos abordaram a sustentabilidade do planeta. Instigaram uma reflexão profunda sobre o impacto das escolhas humanas no meio ambiente e como essas decisões moldarão o futuro das gerações mais velhas. Mônica Perracini ofereceu insights sobre a prevenção de quedas ao longo da vida, destacando como uma queda pode ter repercussões significativas. Enfatizou estratégias eficazes para reduzir os riscos e promover a segurança dos idosos. Milton Crenitte abordou o climatério, menopausa e andropausa, oferecendo uma compreensão aprofundada das mudanças hormonais que ocorrem durante essas fases da vida e como lidar com essas transições de maneira saudável.

A velhice masculina foi discutida por Valmir Moratelli, que trouxe à tona questões de gênero e como a sociedade molda as percepções da velhice em homens. Sua apresentação ofereceu uma visão crítica sobre estereótipos que afetam os homens durante o processo de envelhecimento. Enquanto que a empregabilidade após os 50 anos foi o tema abordado por Tim Driver e Morris Litvak, cuja discussão explorou a necessidade de reinvenção profissional e como as empresas precisam e estão evoluindo em um mundo em que a diversidade geracional e a experiência devem ser valorizadas. Já Fernando Aguzzoli abordou a importância da longevidade, mas também destacou o poder transformador da solidariedade em prol de uma causa tão nobre como a conscientização sobre a demência. Sua fala serviu como exemplo de como a ação coletiva pode impactar positivamente a promoção da longevidade e a solidariedade global.

No último dia do Fórum, Terry Fulmer, presidente da John A. Hartford assinalou a importância da integração de diversos setores para garantir que os ambientes sejam adaptados para atender às necessidades de uma população que envelhece. Cristina Hoffmann provocou reflexões profundas sobre o cuidado, abordando não apenas quem receberá os cuidados, mas também quem será responsável por fornecê-los. Sua palestra trouxe à tona a importância de considerar as complexidades do ato de cuidar, tanto para o receptor quanto para o provedor de cuidados.

Elisa Monteiro compartilhou sua experiência como cuidadora. Sua apresentação trouxe à luz as histórias inspiradoras que muitas vezes se escondem por trás do ato de cuidar, ressaltando a importância de reconhecer e valorizar os cuidadores. Karla Giacomin abordou a delicada questão do cuidado institucional, explorando estigmas, preconceitos e a necessidade de um compromisso firme com os mais vulneráveis entre os vulneráveis. Sua palestra provocou reflexões sobre como a sociedade pode criar ambientes mais inclusivos e compassivos.

José Carreira, que vem desempenhando um papel de destaque no combate ao idadismo, falou sobre o Movimento ibero-americano StopIdadismo, ressaltando a relevância e o protagonismo dessa iniciativa, cujo impacto transcende fronteiras. Kalache reforçou a importância de combater o idadismo ao falar sobre o “Manual Anti-idadista”. Sua palestra incentivou a audiência a adotar uma abordagem mais inclusiva e respeitosa em relação ao envelhecimento.

Alexandre Alcântara, Joana Aroso e João Iotti destacaram os desafios legais do envelhecimento, destacando a importância de uma compreensão aprofundada dos aspectos jurídicos relacionados à longevidade e como eles podem impactar a qualidade de vida das pessoas idosas. Fábio Ferrari, Felomenia Pinho e Marcela Cypel falaram sobre a comunicação sem barreiras, destacando a importância de garantir que todos tenham acesso à comunicação, independentemente das barreiras físicas ou cognitivas que possam surgir ao longo da vida.

O encerramento do Fórum Internacional da Longevidade foi marcado pela reflexão de Drauzio Varela, respeitado por seu compromisso com a educação em saúde e por sua capacidade de tornar temas médicos mais acessíveis ao grande público. Sua visão visionária e humanitária serve como um farol, iluminando o caminho para uma sociedade mais compassiva e atenta às necessidades de todas as gerações. Sua contribuição no encerramento do fórum não apenas encapsulou os temas discutidos, mas também incentivou uma reflexão profunda sobre a responsabilidade coletiva de construir um futuro onde o cuidado e o respeito à longevidade sejam prioridades inegociáveis.

Apesar de ter sido diagnosticada com uma doença degenerativa aos 30 anos, e andar em uma cadeira de rodas desde 2007, Mona Rikumbi afirmou que a doença não foi o bastante para interromper seu amor pela vida e pela arte. Em sua palestra explorou as interseções entre a pandemia e as questões de gênero, raça e etnia. Sua apresentação esteve centrada na crise e como esta revelou desigualdades sistêmicas e a necessidade premente de abordar as disparidades de maneira mais abrangente.

O XI Fórum Internacional da Longevidade não foi apenas um evento, foi uma experiência transformadora que inspirou e deixou uma marca indelével em todos os participantes. Reuniu profissionais, acadêmicos e todos os interessados nessa temática crucial e emergiu como um marco no calendário internacional, destacando-se por uma agenda diversificada que abordou os desafios e oportunidades do envelhecimento populacional de maneira abrangente.

Que as reflexões e aprendizados compartilhados continuem a ecoar e inspirar ações concretas em prol da melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas em todo o mundo.

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

 

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