Captação de recursos e difusão do voluntariado ainda são desafios para o 3º setor no Brasil

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Um debate promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, (Idesam) sobre o terceiro setor em Manaus, na quinta-feira (31/jan), reuniu estudantes, representantes de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e órgãos públicos de assistência social. Além de tratar das práticas de gestão, temas como meios de captação de recursos e importância do voluntariado foram colocados em pauta e discutidos com os participantes.

O diretor-técnico do instituto, Carlos Koury, pôde compartilhar a sua experiência em uma viagem por quatro cidades dos Estados Unidos da América (EUA), para conhecer o International Visitor Leadership Program (IVLP), um Programa de intercâmbio profissional financiado pelo Bureau norte-americano de Assuntos Educacionais e Culturais. Na comitiva de 11 ONGs brasileiras, o Idesam foi a única representante do Norte do País.

O programa possui cerca de 5 mil participantes de diversos países e, em 2018, o Idesam teve a oportunidade de acompanhar a visita à 22 organizações sem fins lucrativos e aprender um pouco mais sobre a experiência americana com o terceiro setor. Entre as organizações visitadas, estão ONGs que trabalham em defesa de direitos sociais, meio ambiente, respeito e igualdade de mulheres, contra novas formas de escravidão, educação especial e tráfico humano, para citar apenas alguns nichos de atuação.

Koury pontuou em sua apresentação que o terceiro setor americano se destaca pelo elevado nível de organização e planejamento, sempre utilizando planos de captação de recursos, com definição de metas, além de uma forte especialização de atuação em rede e parcerias. O maior envolvimento da própria sociedade civil americana e pouca captação com o governo foram apontadas como particularidades do segmento naquele País.

Este foi um dos pontos ressaltados por boa parte dos presentes, incluindo o diretor financeiro do Instituto Autismo do Amazonas (IAAM), Joaquim Melo, que atua na organização que há oito anos atende crianças e adolescentes. Com cerca de 200 atendimentos mensais, o IAMM assiste diretamente pelo menos 60 jovens. “Quem está aqui e trabalha com esse público sabe a dificuldade de conseguir recursos para manter o projeto, então uma das saídas que encontramos é sempre tentar trabalhar em campanhas que possam sensibilizar o público”, ressalta.

A sensibilização é necessária, na visão da coordenadora executiva adjunta da Fundação Vitória Amazônica, Ana Cristina de Oliveira. Segundo Oliveira, o fortalecimento do conceito de responsabilidade social entre empresas privadas no Brasil é proeminente, mas as OSCs ainda são alvo de bastante desconfiança por parte da população. Ela também salienta a importância de se fortalecer o voluntariado no País, outra lição que pode ser exportada do terceiro setor nos EUA.

Mas além da relevância do voluntariado responsável no terceiro setor, as entidades presentes levantaram a questão de administração e boa gestão das OSCs, algo que muitas vezes pode impedir o acesso a recursos por meio de editais. “Percebo que as instituições querem participar (dos editais), mas muitas vezes não estão organizadas para receber esses recursos. É muito comum presenciar a recusa do acesso ao recurso por falta de documentação”, destacou a presidenta do conselho municipal de assistência social, Jaqueline Santos Ferreira.

Representante da Associação de Donas de Casa do Amazonas (ADCEA), Neuda Maria de Lima compartilhou sua experiência de mais de 20 anos no terceiro setor, afirmando que um dos erros é não pensar com cautela nos custos de manutenção jurídica, o que pode ser um desafio para os gestores no futuro.

O evento organizado pela assistente social do Idesam, Marilete Chota, aconteceu no auditório da Reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e contou com um time de peso para dividir sua expertise com os presentes. Além dos já citados, também participaram do debate representantes da Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (SEAS) e a representante do consulado norte-americano, Sherre Prince Nelson.

O que é o Terceiro Setor:

Terceiro setor é formado por associações e entidades sem fins lucrativos. O termo é de origem americana, Third Sector, muito utilizado nos Estados Unidos, e o Brasil utiliza a mesma classificação.

A sociedade civil é dividida em três setores. O primeiro setor é formado pelo Governo, o segundo setor é formado pelas empresas privadas, e o terceiro setor são as associações sem fins lucrativos. O terceiro setor contribui para chegar a locais onde o Estado não consegue chegar, fazendo ações solidárias.

Existem várias organizações que fazem parte do terceiro setor, como as ONGs (Organizações Não Governamentais) e OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). O terceiro setor é composto em sua maioria por mão-de-obra voluntária, pessoas que trabalham e não recebem remuneração para isso.

O terceiro setor é mantido com iniciativas privadas e até mesmo incentivos do Governo, com repasse de verbas públicas. As entidade do terceiro setor têm como objetivo principal melhorar qualidade de vida dos necessitados, sejam ele crianças, adultos, animais, meio ambiente, e etc.

As fundações, associações, instituições do terceiro setor estão muitas vezes envolvidas com obras de filantropia. É importante referir que as empresas que têm responsabilidade social também podem contribuir para uma sociedade mais equilibrada e justa.

Terceiro setor e serviço social

O terceiro setor está intimamente relacionado com a área de serviço social, sendo que muitas vezes os assistentes sociais desempenham um papel fundamental na atuação dos elementos do terceiro setor na sociedade. Assim, é possível afirmar que o terceiro setor é responsável pelo desenvolvimento social.

Terceiro setor no Brasil

No Brasil, o terceiro setor não está tão forte como em países como os Estados Unidos da América, que tem várias instituições e uma vasta rede de voluntários.

 

Fonte – Idesam

Edição – Coopnews 

Foto – Divulgação