Centro de Aquicultura do Inpa foca em capacitação e desenvolvimento de ração experimental para peixes nativos

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Área estratégica para a economia do Amazonas, a piscicultura ganhou nesta quarta-feira (21)
um reforço com a inauguração da Revitalização de Centro de Aquicultura do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). No novo espaço foram instaladas a fábrica de ração e
uma sala de aula para 30 pessoas, onde será possível melhorar as pesquisas na área de
nutrição de peixes nativos, produzir ração experimental de melhor qualidade e capacitar
produtores e técnicos do setor.

“Temos aqui um tipo de pesquisa com possibilidade de agregar e ter produtos voltados a toda
a uma cadeia produtiva que atende diretamente a sociedade, mas hoje também temos a renovação
de parceria que são tão importantes para as nossas instituições”, destacou o diretor do
Inpa, o pesquisador Luiz Renato de França.

O centro de Aquicultura é parte de um complexo de prédios da Estação Experimental em
Piscicultura do Inpa. Criada em 1976, a estação possui uma área de quatro hectares no campus
III (V8), localizado no conjunto Morada do Sol, Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus. As obras
da revitalização foram planejadas pelo setor de Engenharia e Arquitetura do Inpa.

“Hoje estamos realizando um sonho antigo. A fábrica de ração já existia, mas numa estrutura
precária e que não atendia as nossas necessidades. Agora, essa fabrica é o primeiro passo
para que possamos modernizar também os equipamentos”, disse a pesquisadora do Inpa Elizabeth
Gusmão, líder do Grupo de Pesquisa Aquicultura na Amazônia Ocidental.

Na fábrica de ração há uma extrusora, um equipamento de grande porte que por anos ficou
acomodada em um espaço inadequado, e que está passando por um processo de manutenção, com
apoio do edital Pró-equipamentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas
(Fapeam). A extrusora monorosca possui a capacidade de produzir até 400 quilos de ração por
hora.

Atualmente são desenvolvidas formulações utilizando vísceras e carcaças de aruanã, já que do
peixe é comercializado principalmente o filé, e farinha de inseto à base da mosca soldado
negro. Essa mosca na fase larval é muito rica em proteína. As larvas da mosca são produzidas
pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“Das vísceras e carcaças podem ser feitos subprodutos para inserir na ração. E com a compra
de um novo equipamento que ainda vai chegar – uma extrusora a frio – poderemos fazer ração
para atender desde a fase larval do peixe até a fase do reprodutor com a produção de peletes
maiores (granulometria maior), o que a gente não podia fazer”, disse a pesquisadora do Inpa
Lígia Uribe.

A revitalização do Centro é um investimento do Projeto “Implantação de Unidades
Demonstrativas Agroflorestais na Amazônia (IUDAA)”, subprojeto Aquicultura, coordenado por
Elizabeth Gusmão. A coordenação geral é da titular da Coordenação de Tecnologia Social
(Cots/Inpa), Denise Gutierrez. O IUDAA conta com recursos da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep) e atua nas áreas de piscicultura e plantios agroflorestais.

De acordo com o presidente da Fapeam, Édson Barcelos, a piscicultura é uma prioridade do
Governo do Amazonas para financiamento e investimento em pesquisa. “Sem conhecimento não tem
como ter uma piscicultura competitiva e precisamos fazer isso de forma sustentável
contribuindo para a manutenção dos estoques pesqueiros naturais”, destacou. “Estamos
trabalhando para termos um edital Pró-Estado grande para apoiar a piscicultura. Nossa meta é
ter projetos de cinco, dez anos”, adiantou.

Na sala de aula serão ministrados cursos de extensão, com aulas práticas podendo contar com
os laboratórios e os equipamentos do Centro de Aquicultura. As aulas são ministradas pela
equipe de Aquicultura e parceiros do projeto IUDAA – Universidade Federal do Amazonas e
Universidade Nilton Lins, que possui o curso de Pós-Graduação em Aquicultura (Mestrado e
Doutorado) em ampla associação com o Inpa.

Piscicultura no Amazonas

Atividade emergente no Amazonas, mas com intenso potencial de crescimento, a piscicultura
sofre com problemas cruciais. Um deles é o custo da ração, que responde de 75% a 85% da
produção. Em Rondônia, um saco de 25 quilos de ração com 25% de proteína custa de R$ 30 a R$
32, aqui sobe para R$ 39 a R$ 46.

“Gerar conhecimento e tecnologias voltadas as nossas espécies nativas é fundamental nesse
processo para que tenhamos vantagem competitiva”, destacou o secretário executivo adjunto de
Pesca e Aquicultura, Geraldo Bernardino.

Conforme Bernardino, por ano, são comercializados no estado cerca de 50 mil toneladas de
pescado advindo da piscicultura, metade é oriunda de Rondônia e Roraima. Das 25 mil
toneladas produzidas no Amazonas, especialmente nos municípios próximos de Manaus, o
tambaqui representa 90% e o restante é composto por matrinxã, pirapitinga e pirarucu.

 

Fonte – Inpa

Foto – Divulgação

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