Museu Nacional no Rio de Janeiro: uma tragédia anunciada

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Há pouco tempo, tivemos uma tragédia em São Paulo, quando um incêndio de grandes proporções derrubou o Edifício Wilton Paes de Almeida. O incêndio levantou vários questionamentos, principalmente depois da divulgação da notícia de que a origem foi devido a uma sobrecarga (muitos equipamentos conectados a uma única tomada) que ocasionou um curto-circuito e o consequente incêndio. Dois anos antes, em dezembro de 2015, outro incêndio
destruiu o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, este também teve início em um curtocircuito em uma lâmpada.

A tragédia no Museu Nacional do Rio de Janeiro, museu mais antigo do Brasil, cujo incêndio neste domingo, 02 de setembro, dizimou cerca de 20 milhões de peças preciosas de valor inestimável tanto financeiro, mas principalmente histórico, parece repetir o mesmo roteiro destes dois anteriormente citados.

Ainda não sabemos as causas, mas a falta de manutenção, principalmente na área elétrica aponta para uma tragédia anunciada. Talvez você não saiba, mas infelizmente, incêndios gerados por sobrecargas de energia são muito comuns. Somente no ano de 2017, segundo dados levantados com exclusividade pela ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, aconteceram 451 incêndios originados em curtos-circuitos, estes incêndios vitimaram 30 pessoas. O número é crescente: em 2015 foram 441 e em 2016, 448 incêndios. Outro dado relacionado é que destes 451 incêndios em 2017, 195 aconteceram em prédios públicos (igrejas, hospitais, escolas) e em comércios de pequeno ou grande porte, que podemos relacionar a este que aconteceu no Museu Nacional. Um dado ainda não divulgado, já mostra que a tendência continua em crescimento: somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2018 já aconteceram 48 incêndios por curto-circuito no Brasil, vitimando duas pessoas.

Estes dados fazem parte de um Anuário Estatístico que a entidade divulga há dois anos, mas desde 2008 são levantados números de acidentes envolvendo a eletricidade, principalmente choque elétrico e incêndio.

A falta de cuidado na manutenção destes prédios públicos é flagrante. E o resultado está aí; existe ainda um descaso e um desconhecimento muito grande por parte das autoridades e da própria população em relação à situação das instalações elétricas e os riscos que as mesmas oferecem.

Infelizmente, continua sendo necessário que tragédias como esta no Museu Nacional aconteçam para que uma voz se levante: é preciso conscientizar sociedade e, principalmente autoridades dos riscos que as instalações elétricas precárias podem causar, tanto em perdas de vidas como de patrimônio.

A Abracopel aconselha uma revisão nas instalações elétricas a cada 5 anos, no mínimo, sempre feita por um profissional capacitado. Conheça as ações da Abracopel e saiba mais sobre acidentes de origem elétrica no Portal da Abracopel:

Na região Norte no ano passado, aconteceram 56 incêndios e houveram 5 mortes de acordo com dados da entidade.

Fonte – Abracopel

Foto – Divulgação