Trabalho em excesso pode causar doenças graves

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Emoção à flor da pele, frequentes dores de cabeça e musculares, esgotamento físico e mental. Ultimamente, essas têm sido as queixas mais recorrentes de milhares de trabalhadores no mundo inteiro, segundo pesquisa recente feita International Stress Management Association (Isma), organização internacional que estuda o impacto do estresse na vida dos profissionais das mais diversas áreas de atuação. Dentre os problemas mais evidentes, a chamada Síndrome de Burnout afeta cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros, segundo o levantamento.

A psicóloga Joelina Abreu, do Hapvida Saúde, avalia que isso é consequência de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, com atual índice de demissões que, de tão elevado diante de crises e mais crises, pressiona os profissionais, cobrados diariamente por melhores qualificações e resultados. “Por sentirem-se pressionadas, as pessoas assumem altas cargas de trabalho para superar as expectativas das empresas”, afirma a psicóloga.

A especialista explica que esses profissionais vivem para trabalhar e, quando não conseguem o reconhecimento esperado, perdem o estímulo para desempenhar a função. “Esta desmotivação advém da falta de reconhecimento, ou seja, o trabalhador obstinado, que faz de tudo para se destacar em seu emprego, doa-se, procura dar o seu melhor e sua meta é ser o melhor, sua vida se torna seu trabalho. Sua obstinação é tanta que passa a medir sua autoestima pela capacidade de sucesso profissional, mas não se sente valorizado como gostaria”, revela Joelina.

Com tanto esforço, é natural que em algum momento o estresse aumente e o corpo adoeça, podendo mudar o percurso e chegar a um nível severo de depressão. “Após tanto se doar, a sua capacidade física e mental começa a ficar debilitada, cansada, com estresse em fase aguda, o que afeta a mente, o psicológico e o corpo literalmente adoece, pois toda essa situação diminui a imunidade”, afirma.

Síndrome e outras doenças

A intensidade da Síndrome de Burnout varia de acordo com a carga a que cada pessoa se impõe e nas suas cobranças internas. Algumas profissões, como é o caso de bombeiros, policiais, professores, bancários, médicos e enfermeiros, exigem mais dos trabalhadores e estão entre as que mais afetam o profissional com a síndrome de Burnout. Segundo a psicóloga, as possibilidades de tratamento variam de acordo com o estágio da doença, pois em alguns casos o problema só poderá ser resolvido com medicamentos.

Entre as doenças que podem ser adquiridas no exercício profissional, a Lesão por Esforço Repetitivo (LER) ou os Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho (DORT), que englobam cerca de 30 tipos de doenças, são as mais comuns. “É importante frisar que a LER pode ser contraída em qualquer ambiente. As causas mais comuns são o estresse, a má postura ou até mesmo o uso excessivo de computador. Já a DORT, é quando o paciente contrai a doença por esforço repetitivo, ocasionado pelas tarefas da sua função”, explica a médica do trabalho, Graziela Medeiros, também do Hapvida Saúde.

Além das LER/DORT, os trabalhadores estão vulneráveis a outras doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade ou dores na coluna, e àquelas que afetam o psicológico, como a depressão, a síndrome do pânico e os distúrbios de ansiedade. Em todos os casos, somente um especialista da área da saúde poderá indicar o melhor tratamento.

“Qualquer sintoma deve ser comunicado ao médico. O trabalhador/paciente deve buscar um profissional que irá lhe indicar o tratamento específico para aquela doença. O uso dos remédios é sempre em último caso. O recomendado é que se faça a prevenção com os alongamentos durante o dia, a reeducação postural e um reforço muscular específico sempre que possível”, completa a médica do trabalho.

Prevenção

Para diminuir os riscos, o fundamental é trabalhar em um local que proporcione satisfação. “Trabalhar é bom, mas ficar doente por causa do trabalho não é nada saudável”, lembra a psicóloga Joelina Abreu. Para reduzir o número de casos de doenças ocupacionais e até evitar muitas delas, são indicados diversos procedimentos, como a ginástica laboral. A técnica envolve uma série de exercícios físicos realizados no ambiente de trabalho, durante a jornada, com o objetivo de melhorar a saúde e evitar lesões dos funcionários por esforço repetitivo e outros problemas de saúde.

Além disso, é importante que os trabalhadores se sintam confortáveis no exercício das funções que exercem, por isso, o olhar sensível e perspicaz do gestor é fundamental, na hora de observar as aptidões dos funcionários e determinar quem irá fazer o que. “Uma escolha equivocada pode sacrificar o trabalhador e até mesmo fazê-lo perder a motivação diária para o trabalho, o que é ruim para os dois lados”, conclui a psicóloga Joelina Abreu.

 

Fonte – Ascom 

Foto – Divulgação

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