Viver mais já não é o único objetivo — a busca agora é por qualidade de vida ao longo dos anos. E, para alcançar o envelhecimento saudável, é necessária uma verdadeira mobilização individual e coletiva. A ideia vai além de escolhas pessoais e passa também por mudanças estruturais na sociedade. Segundo o especialista Egídio Dorea, cuidar da saúde envolve decisões do dia a dia, como manter uma boa alimentação e praticar exercícios regularmente, mas também depende de políticas públicas que garantam condições adequadas para isso. Em um cenário de envelhecimento populacional, o desafio é coletivo. Afinal, viver bem não deve ser privilégio, mas uma realidade acessível a todos.
O envelhecimento saudável e com qualidade de vida tem se tornado pauta em diversas áreas da sociedade. Esse crescimento acontece em meio a um movimento recente e de grande importância: a Segunda Revolução da Longevidade. A revolução busca aliar as inovações tecnológicas ao processo natural e humano de envelhecer.
O movimento contribuiu para uma mudança nos paradigmas e critérios do envelhecimento. Egídio Dorea, médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, comenta que se notam grandes inovações científicas nos últimos anos. “Pesquisas em biotecnologia e medicina regenerativa, como terapias genéticas e tratamentos para retardar o envelhecimento celular, por exemplo, estão avançando rapidamente.”
Avanços na saúde
A Primeira Revolução da Longevidade corresponde ao aumento da expectativa de vida no século passado e no atual. Avanços na saúde, como a descoberta de vacinas, antibióticos, melhores condições de saneamento e nutrição são fatores que marcaram o crescimento. Em 1900, a média mundial de expectativa de vida girava em torno de 31 anos. Em 2020, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa de vida global era de 71,4 anos.
“Avanços médicos, queda da mortalidade infantil, acesso à educação e qualidade de vida urbana foram alguns fatores que contribuíram para esse aumento ao longo do tempo”, diz o médico.
Expectativa de vida x qualidade de vida
Uma das principais mudanças provocadas pela Segunda Revolução da Longevidade está na diferenciação entre expectativa de vida e qualidade de vida. Enquanto a primeira diz respeito ao tempo médio que uma pessoa vive, a expectativa de vida saudável, segundo a OMS, é o tempo que um indivíduo vive sem limitações graves causadas por doenças ou incapacidades. De acordo com o médico, em 2019, foi registrada uma expectativa de vida saudável mundial de 63,5 anos, quase dez anos a menos do que a expectativa de vida registrada no ano seguinte.
“Viver mais nem sempre significa viver bem. Os dados mostram que, em média, passamos cerca de uma década lidando com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou problemas articulares. Envelhecemos, mas nem sempre com saúde”, afirma Dorea.
Mobilização coletiva
Para a consolidação da revolução, acima de tudo, é necessário mobilização individual e coletiva, segundo o médico. Manter-se ativo, incentivar uma boa alimentação e promover políticas públicas que promovam cidades mais amigáveis para idosos, com transporte acessível e espaços para exercícios são medidas essenciais.
“Não é só sobre ciência, a Segunda Revolução depende de nós. Adotar hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, exercícios regulares e sono de qualidade podem aumentar nossa expectativa de vida saudável, além de cuidados com a saúde mental”, defende Dorea.
Fonte – USP
Texto com apoio da Inteligência Artificial e edição da Coopnews
Foto – Marcos Santos/USP Imagens




