Ciência e Tecnologia

Quem cuida dos remédios da pessoa idosa? Um alerta para a Farmácia Clínica no Brasil

Farmácia Clínica ganha força ao integrar farmacêuticos às equipes de cuidado nos hospitais.
Acompanhamento próximo ajuda a reduzir riscos e promover o uso racional de medicamentos.
A rotina da pessoa idosa expõe desafios no uso correto e seguro de medicamentos.

O acompanhamento da medicação da pessoa idosa tem se tornado um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Com o aumento da longevidade e o uso frequente de múltiplos medicamentos, cresce a preocupação com erros de dosagem, interações medicamentosas e efeitos adversos. Nesse cenário, a Farmácia Clínica surge como uma estratégia essencial, aproximando farmacêuticos das equipes multiprofissionais dentro dos hospitais. A atuação direta junto ao leito do paciente permite um acompanhamento mais seguro e individualizado, contribuindo para o uso racional de medicamentos e para a redução de riscos associados à polifarmácia.

Hoje falaremos sobre Farmácia Clínica e sua história. Quando falamos sobre ela, muitas pessoas imaginam tratar-se de uma área recente criada para ampliar o campo de atuação do farmacêutico. Mas a sua origem conta uma história muito diferente.

Na década de 1960, especialmente nos Estados Unidos, a medicina vivia uma verdadeira revolução terapêutica. Novos medicamentos surgiam em ritmo acelerado. Os tratamentos tornavam-se mais complexos. As pessoas começavam a viver mais tempo e, consequentemente, utilizavam mais medicamentos ao longo da vida.

Ao mesmo tempo, aumentavam os relatos de reações adversas, interações medicamentosas, falhas terapêuticas e erros relacionados ao uso dos medicamentos.

Foi então que perguntas começaram a inquietar profissionais e instituições de saúde:

1) O que acontece com o paciente depois que ele recebe o medicamento?

2) Quem acompanha os resultados do tratamento?

3) Quem identifica precocemente os problemas relacionados à farmacoterapia?

4) Quem orienta o paciente diante das dificuldades do dia a dia?

5) Quem garante que o medicamento prescrito está sendo realmente eficaz e seguro?

A resposta para essas perguntas deu origem à Farmácia Clínica.

Pela primeira vez, o farmacêutico deixou de ter seu olhar direcionado exclusivamente ao medicamento e passou a acompanhar, de forma mais próxima, a pessoa que o utilizava. Aproximou-se dos leitos hospitalares, integrou-se às equipes multiprofissionais e assumiu um papel ativo na promoção do uso racional dos medicamentos.

Essa mudança representou muito mais do que uma evolução técnica. Representou uma mudança de propósito, pois o centro do cuidado deixou de ser o produto e passou a ser o ser humano.

Décadas mais tarde, essa visão se fortaleceu com o conceito do cuidado farmacêutico: a responsabilidade do farmacêutico pelos resultados da farmacoterapia, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente.

Hoje, diante do acelerado envelhecimento populacional, da presença crescente de doenças crônicas e da polifarmácia, a Farmácia Clínica talvez seja mais necessária do que nunca, já que não basta saber qual medicamento utilizar.

É preciso compreender quem é a pessoa que está diante de nós, quais são seus medos, suas limitações, seus objetivos e como o tratamento pode ajudá-la a viver melhor.

A história da Farmácia Clínica mostra que a evolução da profissão não aconteceu para ampliar espaços, mas para responder a uma necessidade do próprio paciente.

Porque, no fim das contas, o medicamento pode estar na prescrição, mas o propósito do farmacêutico clínico sempre será a pessoa.

E no Brasil, como caminha essa Farmácia Clínica?

Temos avançado. O farmacêutico clínico está cada vez mais presente em hospitais, ambulatórios, instituições de longa permanência para idosos, unidades básicas de saúde e consultórios farmacêuticos. O país reconheceu legalmente as atribuições clínicas do farmacêutico e abriu espaço para uma atuação mais próxima da população.

Mas ainda existem desafios importantes, citamos alguns:

1) Será que a Farmácia Clínica já está acessível a todos os brasileiros que dela necessitam?

2) Os serviços clínicos farmacêuticos estão estruturados de maneira uniforme em nosso sistema de saúde?

3) Os profissionais recebem formação prática suficiente para esse novo modelo de cuidado?

4) A equipe multiprofissional reconhece plenamente o potencial dessa atuação? E, talvez, a pergunta mais importante:

5) Quem está acompanhando os resultados dos medicamentos utilizados diariamente por milhões de brasileiros, especialmente os idosos, muitas vezes expostos à polifarmácia?

A história da Farmácia Clínica começou há mais de seis décadas, quando escolheu cuidar de pessoas. No Brasil, porém, talvez estejamos escrevendo agora os capítulos mais decisivos dessa trajetória.

E a forma como responderemos a essas perguntas definirá não apenas o futuro da profissão, mas, sobretudo, a qualidade do cuidado oferecido, especialmente aos pacientes idosos brasileiros.

 

Luiz Antonio da Assunção é farmacêutico clínico CRF 23.110. Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico. Pós-graduado em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. E-mail: luizclinicaassuncao@gmail.com. Insta: https://www.instagram.com/luizassuncaofarmaceutico/

 

Fonte – Portal do Envelhecimento

Texto com apoio da Inteligência Artificial/ Edição da Coopnews

Foto – Divulgação

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