Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu o sinal de alerta para a competitividade dos negócios no Brasil. Metade das indústrias brasileiras que ainda compram eletricidade de distribuidoras tradicionais — o mercado cativo — não sabe se tem o direito de migrar para o Mercado Livre de Energia. O desconhecimento é um obstáculo crítico, já que 83% das empresas apontam a energia elétrica como decisiva para sua competitividade. Paralelamente, 67% das indústrias viram suas despesas infladas pelas oscilações nas tarifas nos últimos 12 meses. Essa barreira de informação impede que pequenos e médios negócios acessem uma economia real, que atinge até 20% para quem já realizou a transição. Diante de um mercado aberto desde janeiro de 2024 para consumidores de média e alta tensão, desmistificar as regras de migração tornou-se urgente para impulsionar a eficiência do setor industrial.
A Barreira Invisível da Informação
No dia a dia de uma fábrica, cada centavo conta. Mas enquanto empresários buscam cortar custos em insumos e logística, um ralo financeiro silencioso continua aberto devido à falta de informação. Segundo a Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, realizada pela CNI com federações estaduais, a instabilidade tarifária do sistema tradicional continua a assombrar o setor. Cerca de 67% das indústrias brasileiras relatam impactos em seus custos de produção por conta das variações nas contas de luz no último ano.
A grande ironia é que a solução para essa instabilidade já está disponível, mas permanece desconhecida por metade de quem mais precisa dela. O Mercado Livre de Energia, ou Ambiente de Contratação Livre (ACL), surge como o principal caminho para escapar do monopólio das distribuidoras regionais. Nesse modelo, a empresa assume as rédeas, podendo escolher diretamente seu fornecedor de eletricidade e negociar preços, prazos, formas de pagamento e até optar por fontes de geração limpa e renovável.
Economia Real no Chão de Fábrica
Os benefícios para quem supera a barreira do desconhecimento são imediatos. O levantamento da CNI aponta que 73% das indústrias que migraram para o Mercado Livre de Energia conseguiram reduzir suas despesas tarifárias. Para quase um quarto dessas empresas (23%), o alívio no bolso ficou entre 10% e 20% de economia. Não por acaso, o planejamento estratégico de 30% da indústria nacional coloca a migração como a principal ferramenta para blindar o caixa contra os aumentos do setor elétrico.
A diferença na adesão, no entanto, escancara uma desigualdade de porte. Enquanto 63% das grandes indústrias já negociam sua própria energia no ambiente livre, apenas 22% das pequenas indústrias deram esse passo.
Para Sérgio Pataca, coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, essa disparidade custa caro. “A energia elétrica é um insumo crítico para a produção”, destaca. Pataca explica que, quando uma pequena ou média indústria deixa de migrar por falta de conhecimento técnico ou regulatório, ela abre mão de recursos cruciais que poderiam financiar a geração de empregos e a modernização do seu negócio.
Regras Claras e Caminho Simplificado para as PMEs
A falta de conhecimento regulatório é um dos maiores mitos que cercam o Mercado Livre de Energia. Muitos empresários de menor porte ainda acreditam que o ambiente livre é exclusivo para gigantes de consumo massivo. No entanto, desde janeiro de 2024, a Portaria Normativa nº 50/2022 do Ministério de Minas e Energia (MME) democratizou as regras. Qualquer empresa do Grupo A (conectada em média ou alta tensão) tem permissão legal para escolher seu fornecedor, independentemente do volume de consumo mensal.
Na prática, a migração preserva a estabilidade física da empresa. A distribuidora local continua responsável por manter a fiação, os postes e a infraestrutura que transporta a eletricidade. O cliente paga a ela pelo serviço de transporte físico, mas o valor da energia consumida é pago diretamente ao fornecedor escolhido no mercado livre.
Para empresas do Grupo A com demanda inferior a 0,5 MW, a transição é feita por meio de uma comercializadora varejista cadastrada, que cuida da burocracia perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). E desde julho de 2025, a CCEE adotou um cadastro simplificado com as distribuidoras, eliminando barreiras e reduzindo etapas operacionais.
O próximo horizonte deve incluir também as empresas em baixa tensão (Grupo B). Conforme estabelecido pela Lei nº 15.269/2025, esse grupo deverá ter acesso ao mercado livre em até 24 meses após a vigência da norma, estabelecendo o prazo final em novembro de 2027, condicionado à regulamentação do setor. Enquanto isso, desmistificar o Mercado Livre de Energia para as empresas do Grupo A continua sendo a maior oportunidade imediata de eficiência para a indústria brasileira.
Fonte -Fiemg
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Fiemg




