Entre os dias 16 e 19 de setembro de 2026, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, será o palco do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS). Pela primeira vez sediado na Região Norte, o evento traz à tona discussões urgentes sobre o tema “Ambiente, Saúde e Interculturalidade: os desafios do século XXI para uma vida em conexão com os territórios”. Organizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o congresso se consolida como um espaço vital para o pensamento crítico das Ciências Sociais, conectando a crise climática e as desigualdades sociais diretamente ao cuidado em saúde. Com inscrições já abertas, a programação promete uma rica troca científica e cultural, destacando a diversidade regional, de gênero e racial, além de reafirmar a Amazônia como protagonista na formulação de soluções inovadoras.
O coração da Amazônia como polo científico
A escolha histórica de Manaus para sediar o 10º CSHS representa muito mais do que uma mera decisão logística. Pela primeira vez em sua trajetória, a Abrasco realiza o evento na Região Norte, um movimento que reconhece a Amazônia não apenas como um objeto de pesquisa científica, mas como um território legítimo e vibrante de produção de conhecimento, formulação de conceitos e inovação nas práticas de cuidado à saúde.
De acordo com André Machado, presidente da Comissão Local, o evento na capital amazonense funciona como um ato simbólico e político de descentralização da produção científica no Brasil. Com isso, abre-se espaço para ampliar vozes, articular redes e projetar perspectivas locais que frequentemente ficaram à margem dos grandes fóruns nacionais. A Ufam, localizada de forma privilegiada em Manaus, se prepara para ser o epicentro de trocas ricas e transformadoras entre a comunidade científica e os saberes tradicionais.
Ciências Sociais no centro das respostas para o século XXI
A evolução histórica do congresso mostra como a transdisciplinaridade tornou-se seu maior pilar. Nascido em 1993 sob o formato de encontro nacional, o evento consolidou-se como congresso e, em 2005, passou por uma reestruturação profunda que inseriu as abordagens das demais humanidades. Nesse contexto de amadurecimento, a contribuição das Ciências Sociais no entendimento das dinâmicas de saúde coletiva consolida-se como essencial para decifrar a complexidade dos nossos tempos.
Para o presidente do congresso, Henrique Saldanha, debater esses temas no Norte exige debruçar-se sobre as questões de interculturalidade e entender a saúde como algo indissociável das relações que as comunidades estabelecem com seus respectivos territórios. Trata-se de conectar a pesquisa teórica com os problemas sanitários e sociais concretos enfrentados pelas coletividades no dia a dia.
Um mosaico de saberes e diversidade
Guiado pelo eixo central que discute ambiente, saúde e interculturalidade, o 10º CSHS propõe um mergulho reflexivo sobre os impactos reais da crise climática e das desigualdades sociais nos modos de viver e de produzir saúde. As pesquisadoras Marta Verdi e Karine Nicolau, integrantes da Comissão Científica, destacam que os participantes podem esperar uma programação científica potente e inteiramente construída a partir de processos coletivos.
O desenho das atividades — composto por conferências, mesas-redondas, oficinas, painéis e cursos — reflete uma preocupação genuína com a representatividade regional, de gênero, racial e geracional. É um espaço democrático que busca construir respostas inovadoras aos desafios ecológicos e políticos do século XXI, sob a ótica inegociável da equidade e da defesa irrestrita do direito universal à saúde.
Inscrições abertas e inclusivas
Os interessados em fazer parte deste marco histórico já podem garantir sua participação por meio do site oficial do congresso. Além de descontos atrativos para os associados da Abrasco, a organização reafirma seu compromisso ético e político com a inclusão social ao estabelecer uma das políticas de ação afirmativa mais abrangentes de sua trajetória.
O evento concederá isenção total do pagamento da taxa de inscrição para uma série de grupos sociais prioritários, incluindo pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas, pessoas ciganas, pessoas trans, refugiados, e estudantes negros e negras de graduação e pós-graduação. É uma convocação aberta para a construção de uma saúde pública verdadeiramente representativa e sintonizada com a riqueza da diversidade de nosso país.
Fonte – Ufam
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/Ascom




