Ciência e Tecnologia

Fumaça sobre Manaus acende alerta para cuidados que vão além da saúde respiratória

Especialistas da Ufam alertam que a poluição provocada pelas queimadas atinge gravemente a pele, os olhos e a saúde mental dos moradores da capital.
Substâncias tóxicas da fuligem aceleram o envelhecimento precoce da pele, desencadeiam crises alérgicas oculares e aumentam episódios de ansiedade.
Adoção de máscaras PFF2/N95, higienização rigorosa, hidratação constante e purificadores de ar são essenciais para reduzir os impactos durante a estiagem.

A intensa camada de fumaça que encobre a capital amazonense devido ao aumento das queimadas na região acendeu um sinal de alerta vermelho na comunidade científica e médica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Embora os problemas respiratórios sejam os sintomas mais evidentes e temidos pela população, especialistas alertam que a exposição crônica aos poluentes atmosféricos afeta o organismo de forma sistêmica. A fuligem e as partículas tóxicas suspensas no ar atingem diretamente a saúde ocular, a integridade da pele e até o bem-estar psicológico dos moradores. Quadros de conjuntiva ressecada, irritações na pele, inflamações dermatológicas, envelhecimento precoce e picos de ansiedade têm se tornado frequentes durante o período de seca severa. Para mitigar esses danos à saúde, docentes e pesquisadores da universidade orientam sobre a importância de adotar medidas preventivas diárias, que incluem o uso correto de máscaras de alta filtragem, a purificação de ambientes internos, a hidratação reforçada e os cuidados dermatológicos e oculares específicos para enfrentar a crise ambiental.

Impactos da fuligem na pele e na saúde ocular

Com a fumaça das queimadas cobrindo frequentemente a cidade de Manaus durante os meses de seca na Amazônia, os prejuízos à saúde da população ultrapassam as crises respiratórias tradicionais. Especialistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apontam que os materiais particulados e os gases nocivos liberados pela combustão da vegetação provocam reações adversas significativas em diversas áreas do corpo humano.

Na pele, maior órgão do corpo e primeira barreira física contra o ambiente, a exposição aos poluentes atmosféricos causa ressecamento severo, coceiras, vermelhidão e o agravamento de doenças pré-existentes, como a dermatite atópica e a psoríase. A fuligem contém substâncias tóxicas que penetram nos poros, gerando estresse oxidativo e acelerando o processo de envelhecimento precoce da pele pela degradação do colágeno.

Para proteger a cútis durante os períodos de baixa qualidade do ar, os dermatologistas recomendam a higienização diária com sabonetes suaves, o uso constante de hidratantes específicos para o recomposição da barreira cutânea e a aplicação diária de protetor solar, que ajuda a criar uma camada de proteção contra os radicais livres induzidos pela poluição.

Os olhos também sofrem de maneira imediata com a toxicidade da névoa seca. A baixa umidade associada à fumaça favorece o surgimento da síndrome do olho seco, além de conjunções alérgicas, ardor, sensação de areia nos olhos e hiperemia (vermelhidão). A orientação médica para proteger a visão inclui o uso frequente de colírios lubrificantes ou lágrimas artificiais — preferencialmente sem conservantes —, o uso de óculos ao sair de casa e a recomendação expressa de evitar coçar os olhos, hábito que pode provocar lesões na córnea ou introduzir infecções bacterianas.

Saúde mental e o impacto do isolamento ambiental

Além das manifestações físicas visíveis, a poluição atmosférica persistente e o cenário cinzento provocado pela fumaça exercem um impacto direto na saúde mental dos cidadãos. O desconforto físico constante, a limitação de atividades ao ar livre e a apreensão em relação aos efeitos das mudanças climáticas contribuem para o aumento do estresse, da ansiedade e do isolamento social.

A restrição na rotina de exercícios físicos e no lazer em espaços abertos altera o bem-estar emocional, gerando sensação de sufocamento e fadiga mental na população. Especialistas em psicologia e saúde coletiva recomendam que as pessoas busquem manter ambientes internos bem ventilados ou umidificados, preservem rotinas de autocuidado dentro de casa e procurem apoio multiprofissional caso percebam sintomas prolongados de desânimo ou ansiedade.

Medidas de prevenção e proteção diária

Diante da permanência do cenário de fumaça na capital, a Ufam reforça a necessidade de medidas coletivas e individuais de prevenção para amenizar os impactos à saúde geral:

Uso de máscaras adequadas: Em dias de alta concentração de fumaça, recomenda-se o uso de máscaras do tipo PFF2 ou N95 ao circular em ambientes abertos, uma vez que os modelos de tecido simples não filtram adequadamente as micropartículas de fuligem.

Cuidados com o ambiente interno: Manter portas e janelas fechadas nos momentos de maior pico de fumaça, utilizar umidificadores de ar, bacias com água ou toalhas molhadas nos cômodos, e, se possível, recorrer a purificadores de ar com filtros HEPA.

Hidratação reforçada: Aumentar a ingestão de água ao longo de todo o dia para auxiliar o organismo na eliminação de toxinas e manter as mucosas devidamente hidratadas.

Limpeza e higiene: Ao retornar da rua, lavar o rosto, higienizar as narinas com soro fisiológico e trocar de roupas para evitar o acúmulo de fuligem no interior das residências.

 

PALAVRAS-CHAVE – Principal – Fumaça em Manaus – Secundária – Saúde

 

Fonte – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Ufam

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