Ciência e Tecnologia

Pesquisadora amazônida palestra no Inpa e defende protagonismo regional na ciência global

Bióloga Deliane Penha participa do projeto "Seminários da Amazônia" para discutir como superar o colonialismo científico e garantir assentos ativos para cientistas locais.
Autora de artigo publicado na conceituada revista npj Biodiversity, a pesquisadora alerta que os profissionais da região não devem ser limitados apenas à etapa de coleta de dados.
Apresentação propõe uma reflexão profunda sobre equidade, liderança, autoria e tomada de decisão nas pesquisas e políticas científicas desenvolvidas sobre o ecossistema amazônico.

Na próxima quarta-feira (23), às 16h, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) recebe a bióloga e doutora em Ciências Ambientais Deliane Penha para a palestra “Uma ciência decolonial na Amazônia demanda de assentos ativos e equitativos à mesa”. Integrando a programação do projeto “Seminários da Amazônia”, a apresentação abordará a necessidade urgente de transformar as estruturas de poder que regem a produção do conhecimento sobre a região. Coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Ecologia e Biodiversidade (YBYRÁ) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa – Campus Oriximiná) e cofundadora da Rede Niaras da Amazônia, a cientista amazônida fundamenta sua exposição no artigo Decolonial science in the Amazon demands active and equitable seats at the table, publicado por ela em 2026 na revista internacional npj Biodiversity. O debate visa questionar por que, mesmo sendo o ecossistema central da ciência ambiental global, a Amazônia ainda vê seus pesquisadores e instituições locais à margem da liderança dos projetos, da formulação das hipóteses e do reconhecimento intelectual.

Ciência decolonial e liderança local em pauta no Inpa

O projeto Seminários da Amazônia, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), recebe na próxima quarta-feira (23), às 16h, a bióloga e pesquisadora amazônida Deliane Penha. Ela ministrará a palestra intitulada “Uma ciência decolonial na Amazônia demanda de assentos ativos e equitativos à mesa”.

Deliane é doutora em Ciências Ambientais e atua como professora na Universidade Federal do Oeste do Pará – Campus Oriximiná (Ufopa-Cori). Na instituição, ela coordena o Laboratório de Pesquisas em Ecologia e Biodiversidade (YBYRÁ), desenvolvendo trabalhos nas áreas de ecologia funcional, com foco específico nas interações entre o sistema solo-planta e planta-patógenos. Suas pesquisas buscam compreender como as espécies vegetais e suas respectivas interações bióticas respondem aos variados fatores ambientais nos diversos ecossistemas amazônicos.

Nos últimos três anos, contudo, a trajetória da pesquisadora ganhou uma nova camada de engajamento ao se dedicar intensamente à discussão sobre o colonialismo científico no território amazônico. Coordenadora e cofundadora da Rede Niaras da Amazônia, Deliane assina a autoria do artigo “Decolonial science in the Amazon demands active and equitable seats at the table”, publicado em 2026 na prestigiada revista científica npj Biodiversity, trabalho que serve de alicerce teórico e empírico para a palestra no Inpa.

A assimetria na produção do conhecimento global

Durante o encontro, Deliane pretende aprofundar o debate sobre uma contradição histórica: embora a Amazônia ocupe uma posição estratégica de destaque absoluto na pauta científica mundial, os pesquisadores e as instituições científicas genuinamente amazônicas nem sempre dispõem de espaços equivalentes na tomada de decisões. As assimetrias surgem na definição das perguntas de pesquisa, na liderança dos projetos internacionais e no devido reconhecimento intelectual pelo conhecimento gerado sobre o seu próprio território.

A proposta do seminário é refletir criticamente sobre a forma como relações históricas de poder continuam a estruturar e condicionar a produção do conhecimento na região. Segundo a abordagem proposta por Deliane, superar o colonialismo científico requer medidas mais profundas do que simplesmente expandir redes de colaboração ou incluir formalmente nomes de cientistas locais nas listas de projetos financiados por grandes centros externos.

O evento abordará aspectos centrais da prática acadêmica contemporânea, tais como critérios de autoria, liderança de projetos, processos de tomada de decisão, conduta ética e distribuição justa de oportunidades. A tese defendida pela cientista é que os pesquisadores amazônidas devem participar ativamente de todas as etapas da cadeia científica — não apenas atuando na execução operacional e na coleta de dados em campo, mas liderando a formulação das perguntas fundamentais, a interpretação analítica dos resultados e as deliberações estratégicas que definem os rumos da ciência sobre a Amazônia.

 

PALAVRAS-CHAVE – Principal – Ciência decolonial – Secundária – Inpa

 

Fonte – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Daira Martins

temas relacionados

clima e tempo

publicidade

baixe nosso app

outros apps