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Moda afro-amazônica transforma retalhos em renda e fortalece rede de mulheres no Amapá

Instituto criado por Rejane Soares já qualificou mais de 360 mulheres em comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas.
Formações em corte e costura, tranças, maquiagem e biojoias ajudam a criar pequenos negócios e manter a renda dentro das próprias comunidades.
Parceria com o Sebrae amplia atuação do Instituto Zwanga e une empreendedorismo, identidade cultural e inclusão econômica.

O que começou com uma sacola de retalhos e um banco de praça transformou-se em uma rede de formação, empreendedorismo e geração de renda para mulheres no Amapá. A trajetória de Rejane Soares deu origem, em 2013, ao Instituto Zwanga Impacto Social, iniciativa que atua na qualificação e no fortalecimento de mulheres pretas, pardas e periféricas, incluindo moradoras de comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia. Com uma metodologia que leva as capacitações diretamente aos territórios, o Instituto oferece formação em atividades como corte e costura, tranças, maquiagem e biojoias. As participantes também recebem ferramentas para iniciar suas atividades profissionais e têm a oportunidade de comercializar os produtos e serviços dentro das próprias comunidades. Segundo Rejane, mais de 360 mulheres já foram qualificadas e cerca de 70% conseguiram abrir seus próprios negócios. O trabalho também busca fortalecer a identidade cultural e a autonomia financeira das participantes.

Formação chega diretamente às comunidades

A história do Instituto Zwanga Impacto Social começou a partir da trajetória de Rejane Soares na moda afro-amazônica. Em 2013, ela criou a organização com a proposta de qualificar e fortalecer mulheres pretas, pardas e periféricas, inclusive em comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia. 

A metodologia adotada pelo Instituto parte de uma estratégia de aproximação com os territórios. Em vez de esperar que as mulheres se desloquem para os centros urbanos em busca de oportunidades, a equipe leva as formações até as comunidades.

Entre as atividades oferecidas estão corte e costura, tranças, maquiagem, biojoias e outros ofícios que podem se transformar em fontes de renda. Ao final das formações, as participantes têm a possibilidade de expor e comercializar o que produziram dentro da própria comunidade e recebem ferramentas para começar a trabalhar.

“Não somos mais um certificado que vai ficar empoeirado na gaveta”, afirma Rejane Soares. Segundo ela, a proposta é fazer com que o conhecimento adquirido tenha continuidade e possa ser utilizado pelas participantes na geração de renda. 

Parceria amplia atuação no Amapá

Com uma metodologia estruturada e parcerias com diferentes organizações, o Instituto buscou o Sebrae como aliado para ampliar e fortalecer sua atuação no Amapá.

De acordo com Rejane, a instituição passou a acolher projetos, contribuir para o aprimoramento das iniciativas e apontar novos caminhos para um modelo que combina empreendedorismo, impacto social e enfrentamento das desigualdades raciais. 

A atuação em rede também está relacionada à história pessoal da empreendedora. Rejane cresceu em uma família formada por seis mulheres negras, contando com a mãe, e relata que desde cedo observava a forma como elas cuidavam umas das outras.

Quando começou a comercializar suas próprias criações, percebeu que outras mulheres enfrentavam dificuldades semelhantes para conquistar espaço e acessar o mercado. A partir dessa experiência, passou a buscar formas de contribuir para o crescimento de outras empreendedoras.

Renda circula dentro das comunidades

Um dos resultados percebidos por Rejane é a circulação de recursos dentro das próprias comunidades. Quando uma mulher aprende um ofício, recebe ferramentas, conquista clientes e passa a comprar, vender ou contratar serviços próximos de onde mora, parte da renda permanece no território e pode gerar novas oportunidades.

Segundo o Instituto Zwanga, mais de 360 mulheres já foram qualificadas e aproximadamente 70% delas conseguiram abrir seus próprios negócios. O acompanhamento continua depois das formações por meio de uma rede que permanece ativa entre as participantes. 

Os resultados também aparecem em relatos das próprias mulheres. Há casos de participantes que conseguiram comprar bens com a renda obtida pelo trabalho, atuar profissionalmente durante o Carnaval, pagar cursos preparatórios para os filhos ou retomar projetos pessoais e profissionais.

Para Rejane, a geração de renda é apenas uma parte da transformação. A formação também trabalha identidade e autoestima, utilizando referências estéticas e culturais negras e amazônicas como elementos presentes na construção dos negócios.

A proposta considera que o reconhecimento dessas referências pode contribuir para que as mulheres valorizem seus próprios conhecimentos, produtos e serviços e encontrem novas possibilidades de inserção econômica.

Pequenos negócios movimentam a economia local

A experiência do Instituto Zwanga também se relaciona à importância dos pequenos negócios para as comunidades. Segundo dados apresentados pelo Sebrae, o Brasil possui mais de 24,19 milhões de CNPJs de pequenos negócios, que representam mais de 96% das empresas ativas e respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Em 2026, o país já havia registrado a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios, de acordo com os dados divulgados pelo Sebrae na reportagem. O segmento também representa, em média, 80% dos empregos gerados no país. 

Nesse contexto, a campanha Compre do Pequeno, promovida pelo Sebrae em referência ao Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, celebrado em 5 de outubro, busca estimular o consumo em pequenos empreendimentos e destacar os efeitos dessa escolha sobre as economias locais.

A experiência desenvolvida pelo Instituto Zwanga mostra como a qualificação profissional pode estar associada à criação de pequenos negócios e à circulação de renda dentro dos próprios territórios, ao mesmo tempo em que valoriza referências culturais afro-amazônicas.

 

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Fonte – Agência Sebrae de Notícias

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Sebrae

 

 

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