O cientista Wolfgang Johannes Junk, colaborador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em reconhecimento a uma trajetória de quase 60 anos dedicada à pesquisa dos ecossistemas amazônicos e das áreas úmidas. Ligado ao Inpa desde 1967, Junk iniciou na Amazônia estudos sobre plantas aquáticas nas áreas de várzea e construiu uma carreira marcada pela cooperação científica entre Brasil e Alemanha, pela formação de pesquisadores e por contribuições que ultrapassaram as fronteiras da região. A homenagem foi recebida presencialmente pelo pesquisador do Inpa Jochen Schöngart, enquanto Junk acompanhou a cerimônia por videoconferência. Entre suas principais contribuições está o Conceito do Pulso de Inundação (Flood Pulse Concept), formulado e publicado em 1989, que passou a ser amplamente utilizado para compreender a dinâmica ecológica e os processos funcionais das áreas úmidas. Sua atuação também alcançou a criação de programas de pós-graduação, o desenvolvimento de pesquisas sobre os ambientes aquáticos amazônicos e a coordenação do Inventário das Áreas Úmidas Brasileiras.
O colaborador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Wolfgang Johannes Junk, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A homenagem reconhece a trajetória de quase 60 anos de contribuição científica de Junk à pesquisa sobre os ecossistemas amazônicos e as áreas úmidas. O título foi recebido presencialmente pelo pesquisador do Inpa Jochen Schöngart, enquanto Wolfgang Junk acompanhou a cerimônia por videoconferência.
Uma contribuição que ganhou reconhecimento internacional
Um dos principais marcos da trajetória científica de Wolfgang Junk foi a formulação e publicação, em 1989, do Conceito do Pulso de Inundação (Flood Pulse Concept).
A contribuição alcançou reconhecimento internacional e passou a ser amplamente utilizada para compreender a dinâmica ecológica e os processos funcionais das áreas úmidas.
O pulso de inundação constitui um processo estruturante desses ambientes, determinando a conectividade entre ambientes aquáticos e terrestres e regulando processos fundamentais, como a dinâmica da vegetação, a ciclagem de nutrientes, a produtividade, a decomposição da matéria orgânica, o transporte de sedimentos e organismos e a disponibilidade de habitats.
A alternância entre as fases de inundação e exposição condiciona a estrutura, a composição e o funcionamento dos ecossistemas de áreas úmidas.
Uma trajetória construída na Amazônia
Wolfgang Junk chegou à Amazônia em 1967, quando iniciou suas pesquisas ainda no âmbito de seu doutorado.
Junk veio para o Inpa desenvolver estudos sobre plantas aquáticas nas áreas de várzea amazônica, sob orientação de Harald Sioli, diretor do Instituto Max Planck de Limnologia (MPIL), em Plön, na Alemanha.
Em 1970, concluiu o doutorado em Zoologia, Botânica, Química, Oceanografia e Limnologia pela Universidade de Kiel.
Entre 1970 e 1976, atuou como pesquisador do Instituto Max Planck de Limnologia, no contexto da cooperação científica entre o Inpa e o MPIL, oficialmente estabelecida em maio de 1969.
Entre 1976 e 1980, Wolfgang Junk foi contratado pelo Inpa, então dirigido por Warwick Kerr, e assumiu a coordenação da Divisão Peixe/Pesca.
Nesse período, teve papel fundamental na criação do Programa de Pós-Graduação Peixe/Pesca, em parceria com a Ufam. A iniciativa foi pioneira na formação de recursos humanos especializados em ambientes aquáticos amazônicos e deu origem ao atual Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG-BADPI).
Cooperação científica entre Brasil e Alemanha
Em 1980, Wolfgang Junk retornou à Alemanha, onde assumiu a coordenação do Grupo de Trabalho “Ecologia Tropical” no Instituto Max Planck de Limnologia, ampliando a cooperação científica com o Inpa.
Pelo lado brasileiro, participaram dessa cooperação José Alberto Sampaio Nunes de Mello e Maria Teresa Fernandez Piedade, que criou, em 1985, o Grupo de Pesquisa Maua – Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável das Áreas.
O grupo permanece em atividade, reunindo projetos, recursos financeiros, bolsistas, técnicos e pesquisadores.
O período de 1989 a 2007 foi marcado pela ampliação dos projetos entre o Inpa e o Instituto Max Planck de Limnologia.
Vários estudos de pesquisa aplicada foram desenvolvidos no âmbito do programa de colaboração entre o Inpa, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério Federal alemão para Ciência e Educação (BMBF).
Entre eles esteve o projeto “Estudos sobre o Impacto Humano nas Florestas e Planícies Alagáveis nos Trópicos” (SHiFT), que resultou na publicação, em 2000, do livro “The Central Amazon Floodplains: Actual Use and Options for a Sustainable Management”.
A obra ganhou uma versão atualizada pela Editora do INPA em 2020, com o título “Várzeas Amazônicas: Desafios para um Manejo Sustentável”, em comemoração aos 50 anos de cooperação bilateral entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), do Brasil, e a Sociedade Max-Planck (MPG), da Alemanha.
Novas frentes após a aposentadoria
Após sua aposentadoria, em 2007, Wolfgang Junk atuou como professor visitante na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Em 2009, assumiu a coordenação científica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INCT-INAU), sediado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde deu continuidade à estreita e longa colaboração com a professora Cátia Nunes da Cunha.
Ao longo das duas fases do INAU, foram alcançados avanços significativos na produção de conhecimento sobre as áreas úmidas brasileiras.
Entre esses avanços esteve a definição e o desenvolvimento de um sistema de classificação hierárquica de áreas úmidas, posteriormente aplicado em diferentes regiões, como o Pantanal, a Amazônia, o Araguaia e o Paraná, além da Colômbia.
Inventário das Áreas Úmidas Brasileiras
Por demanda do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Wolfgang Junk coordenou a elaboração do Inventário das Áreas Úmidas Brasileiras, publicado em 2024.
O trabalho reuniu 95 cientistas de diferentes regiões do país, que sistematizaram informações sobre distribuição, ecologia, ameaças, manejo e lacunas de conhecimento.
As pesquisas constituem uma importante base científica para a conservação desses ecossistemas e para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação e ao uso racional das áreas úmidas, em consonância com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da Convenção de Ramsar, à qual o país aderiu em 1993.
Legado para novas gerações
A trajetória de Wolfgang Junk transformou profundamente a pesquisa sobre áreas úmidas no Brasil.
Além de suas contribuições científicas pioneiras, teve papel fundamental na formação de novas gerações, que hoje assumem a responsabilidade de dar continuidade a esse legado, desenvolvendo, a partir desses fundamentos, abordagens cada vez mais interdisciplinares para compreender, conservar e manejar esses ambientes.
Essa missão torna-se ainda mais urgente diante das crescentes pressões decorrentes das mudanças climáticas e das transformações na cobertura e no uso da terra.
O Grupo de Pesquisa Maua faz parte dessa trajetória e mantém o compromisso com a pesquisa, a formação de novos pesquisadores e a conservação das áreas úmidas brasileiras, em prol da segurança alimentar e da qualidade de vida das populações residentes.
Fontes – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/Ufam – Banner – Daira Martins (Ascom/Inpa)
Wolfgang Junk áreas úmidas da Amazônia
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