Em uma virada histórica para a gestão ambiental participativa no Norte do país, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a organização MATPHA uniram forças para transformar o futuro da Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre. Com um aporte de R$ 2,197 milhões do Fundo Amazônia/BNDES, o Projeto Dukutena nasce como um divisor de águas: é a primeira vez que a Coiab capta e gerencia diretamente esses recursos. A ação prevê a restauração de quase 80 hectares degradados e a formação de dezenas de agentes locais ao longo de quatro anos, provando que a produção sustentável, o saber tradicional e a pesquisa científica avançada podem caminhar lado a lado.
A restauração das áreas pressionadas pelo desmatamento na Amazônia ganha um modelo promissor de autonomia e preservação. O projeto de agrofloresta surge não apenas como uma ferramenta de recomposição vegetal, mas como uma estratégia viva para garantir a soberania alimentar, dinamizar a economia comunitária e proteger um território de extrema vulnerabilidade socioambiental.
Distribuído ao longo de 48 meses, o Projeto Dukutena vai beneficiar diretamente oito comunidades dos povos Jaminawa e Manchineri. O plano de ação é robusto e estruturado em bases comunitárias: inclui a construção de oito viveiros locais, o plantio de 25 mil mudas de espécies nativas e frutíferas e a recuperação direta de 79,87 hectares. Para garantir que o conhecimento permaneça no território, a iniciativa formará 40 agentes agroflorestais e 40 agentes de monitoramento indígena, aliando tecnologia, gestão territorial e saberes ancestrais.
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, o modelo de cooperação redesenha o papel da pesquisa científica na região. Segundo o gestor, aproximar a ciência das demandas reais das populações tradicionais enriquece a produção do conhecimento. Pereira também enfatizou que a presença cada vez maior de estudantes e pesquisadores indígenas nos quadros acadêmicos é um passo fundamental para consolidar uma ciência legitimamente amazônica, mais diversa, inclusiva e sintonizada com as urgências da floresta em pé.
Sob a perspectiva das lideranças regionais, a parceria demonstra como o Estado e os povos originários podem somar forças com eficiência. Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab, reforçou que a articulação com órgãos como o Inpa e o Ibama traz respostas concretas para territórios que há anos aguardavam apoio para recompor suas áreas degradadas. Lembrando que a Coiab atua na salvaguarda de cerca de 114 milhões de hectares na Amazônia Legal, Toya destacou que o sucesso do projeto de agrofloresta pode servir de escala para outras regiões que enfrentam desafios semelhantes de restauração e segurança territorial.
A dimensão do Dukutena ultrapassa, inclusive, as fronteiras das aldeias contempladas. A diretora-presidente da MATPHA, Wauana Manchineri, chamou a atenção para o impacto protetivo em relação aos povos indígenas isolados que transitam pela região do Rio Acre. A recuperação da cobertura vegetal e a presença constante dos agentes de monitoramento criam um escudo natural de proteção contra invasões e pressões externas, salvaguardando grupos que vivem sem contato com a sociedade nacional em áreas de passagem.
Oficializada em uma cerimônia que integrou equipes de comunicação, relações internacionais e pesquisa do Inpa com o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI) e lideranças Jaminawa e Manchineri — de forma presencial e remota —, a iniciativa sinaliza um tempo de novos arranjos institucionais. Ao colocar o protagonismo financeiro e técnico nas mãos de quem vive e protege a floresta, o projeto de agrofloresta reafirma que o caminho mais seguro para a sustentabilidade da Amazônia passa pela valorização de sua gente.
Fonte – Ascom
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Daira Martins (Ascom/Inpa)




